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![]() Belmiro Valverde Jobim Castor Prof. titular do Dep. de Adm. Geral Aplicada da UFPR; doutor em Filosofia (PhD) em Adm. Pública pela University Southern California, LA; ganhador do Prêmio Henry Reining, conferido pela University Southern California à melhor dissertação doutoral em Adm. Pública; consultor empresarial de diversas entidades públicas e privadas; ex-dietor superintendente do Banco Bamerindus do Brasil; ex-diretor internacional do Banco Bamerindus; Secretário de Estado do Planejamento - PR (1974-78 e 1983-84). Têm participado de vários congressos internacionais como conferencista entre outras atividades ligadas ao desenvolvimento do Cone-Sul (Mercosul), modernização mercadológica bancáaria e tecnológica das instituições financeiras, modernização do Estado, etc. Publicou O Brasil não é para Amadores - Estado, Governo e Burocracia na terra do jeitinho e participou como co-autor de Burocracia e Reforma do Estado (Edições Loyola). |
O
Brasil não é para amadores
Um cronista arguto que desembarcasse no Brasil em 1550, conhecendo os métodos portugueses e descobrindo numa olhada o caráter da nova terra, veria, num surto de perspicácia, um carma em formação. Essa tal sina, neste livro chamada de "formalismo do Estado brasileiro", que fez sorrir malicioso aquele observador fictício, assumiu várias formas, ao longo de redondos 500 anos. Outros cronistas, estes, reais, perceberam sua natureza às vezes mórbida, às vezes cômica, quase sempre caduca, adaptando-se na periferia para permanecer intocada na essência, como um valor nacional. Assim, a burocracia brasileira, seu enredo e suas personagens serviriam desde sempre a uma boa literatura de costumes. Belmiro Valverde Jobim Castor supera o folclore em torno da repartição pública, a condescendência com a irresponsabilidade administrativa, o fatalismo do Deusdará, para mostrar que a conjuntura do "jeitinho" nada tem de romântica e está mais para Kafka do que para Nelson Rodrigues. O emaranhado artificial de leis, exceções, vícios e improvisos da nossa regulação econômica está, como diz o autor, "ossificado", entranhado na cultura e no temperamento de cada um. Quanto mais adere ao nosso DNA, menos se preocupa em disfarçar sua verdadeira natureza, a de um pesadelo sufocante. Como todo grande analista, Belmiro não perde o bom humor certeiro ao apontar o ridículo de determinados argumentos, inclusive alguns que boa parte da elite defende como dogmas de modernidade. Frases de efeito demolidor reduzem à devida insignificância algumas das teses mais mobilizadoras dos últimos 20 anos. A prática e a honestidade intelectual são chamadas para dizer um "calma lá" aos que transformaram a reflexão sobre a natureza e a função do Estado numa disputa sectária. O Estado não é o mercado, não pode se imaginar capaz de reproduzi-lo em laboratório; mas igualmente o mercado não pode substituir o Estado, pois escapa-lhe aquilo a que o humanismo de Belmiro não admite renunciar: "objetivos civilizatórios". Civilizar é um verbo bem adequado a esse especialista em Administração Pública, PhD pela Universidade do Sul da Califórnia, que confessa sentir-se como um "Livingstone às avessas". Belmiro parece ter se atribuído a missão de educar o mundo a respeito do Brasil, convidando analistas apressados a vencer o preconceito e a superficialidade das primeiras impressões. Ao mesmo tempo, usa a proverbial dedicação e paciência de professor para ensinar que não há capitalismo sem riscos capistalistas, nem há política justa sem ética. Não se trata de retórica, mas de mostrar com giz, lousa e razão a iniqüidade resultante da perpetuação dos vícios da burocracia. Aroldo Mura G. Haygert, presidente do Instituto Ciência e Fé
O livro de Belmiro Valverde Jobim Castor, O Brasil não é para madores, tece uma crítica aguda sobre a burocracia brasileira. Melhor, sobre a vida brasileira. Nada escapa ao olhar do autor, que se confessa um "Livingstone às avessas", e que renuncia às análises correntes, ligeiras e superficiais, para descer ao essencial do nosso pesadelo. Belmiro Valverde nos mostra que o emaranhado artificial de leis, exceções, vícios e improvisos de nossa regulação econômica está "ossificado", entranhado em nossa cultura e no comportamento dos brasileiros. Há lugar sobre a ridicularia de parte de nossas elites, inclusive quando ela se mete a elocubrar sobre algum conceito em voga, como os dogmas da modernidade. Com paciência de professor e otimismo sem fim em relação à capacidade de entendimento de nossos artistas do possível, o autor nos lembra que não há capitalismo sem riscos capitalistas, nem há política justa sem ética. O livro é recomendável a todos, mas especialmente aos políticos e governantes, que podem aprender lições sobre o país e também aquelas que parecem faltar à formação comum dos nossos dirigentes. Fábio Campana (Gazeta do Povo, 14 abr. 2000) |
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