Dr. Harold G. Koenig,
professor de psiquiatria e ciências comportamentais, professor
associado de medicina e co-diretor do Centro de Espiritualidade,
Teologia e Saúde do Centro Médico da Duke University
in Durban, N.C. É também publisher/editor da revista
Science & Theology News.
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ANO 9 - ED 103 - ABRIL DE
2008
SEPARANDO FATOS DE FICÇÃO
Dr.
Harold G. Koening

Muitas preocupações sobre
religião e saúde são válidas e ajudam a
emoldurar a conversação. Entretanto, é fácil
levar alguns pontos muito para longe, divagando e jogando o bebê com
a água da bacia do parto.
Vamos começar com o caso extremo que qualquer um com senso comum
consideraria inapropriado: os médicos não deveriam coagir
pacientes na área da religião, e quaisquer intervenções
deveriam sempre ser centradas no paciente. Isto é largamente
aceito nos campos da saúde e da religião. Entretanto,
isto não significa que não haja papel para os médicos
orando com os pacientes.
A maioria dos pacientes em muitos estudos - cerca de 78% - indicam
que gostariam de ter seus médicos orando com eles, especialmente
quando tais pacientes são religiosos e estão vivendo
uma alta situação de estresse. Muitos pacientes, no entanto,
têm medo de pedir que seus médicos rezem com eles, temerosos
de que tal pedido poderia ofender o médico.
Então, o que pode ser feito? O médico poderia contar
uma breve história de fundo espiritual e descobrir se o paciente é religioso.
Se positivo, e se o médico está aberto para rezar com
os pacientes, ele ou ela poderia informar o paciente que, se o paciente
quer assim, então que o paciente simplesmente manifeste seu
interesse. Assim, o paciente é deixado livre para se manifestar,
não existirá qualquer coerção. Essas coisas
poderão ser feitas com sensibilidade.
São os estudos de religião e ciência baseados em
boa evidência científica? Há centenas de estudos,
estudos prospectivos e julgamentos clínicos que demonstram significativa
associação positiva.
Alguns desses estudos foram feitos precariamente, mas não nos
esqueçamos das centenas de outros feitos com profundidade e
reportando descobertas positivas. Esses estudos foram publicados nos
melhores “peers” revisados, jornais e revistas de ciências
psicossociais.
Alguns cientistas chegaram a revisar o método utilizado em tais
estudos e pesquisas e deram sua aprovação. Estão
todos iludidos?
Claro que não é a religião por si, por algum supernatural
processo, que é responsável pela relação
de religião e saúde.
A religião afeta a saúde ao oferecer suporte natural,
melhorando comportamentos saudáveis e apontando esperança
e otimismo em face dos mais difíceis desafios humanos. Esses
são os mecanismos pelos quais a religião manifesta seus
efeitos. Eles explanam a relação religião e saúde.
Os médicos não podem continuar ignorando o papel que
o poder da fé desempenha no tratamento das doenças, na
decisão médica e na possível recuperação
da saúde.
Isto não significa que o médico forneça conselhos
religiosos ou imponha suas crenças aos pacientes. Isto significa,
sim, que eles deveriam por começar comunicando aos pacientes
suas crenças religiosas que podem influenciar nos cuidados com
o paciente, mostrar respeito por tais crenças, e manter os pacientes
conectados com os clérigos que podem prover assistência
religiosa.
É importante estudar a implicação religião na saúde?
Sim, dependendo para que se destina a pesquisa. Se a pesquisa é destinada
a cumprir. Se a pesquisa se propõe a provar que a oração
atua no caminho sobrenatural de que Deus existe e anjos são
reais, então tais pesquisas prestam à religião
um desserviço. No entanto, 95% das pesquisas feitas nesse campo
não procura esse caminho. Apesar disso, essa pesquisa está tentando
entender os efeitos da crença religiosa e sua prática
na saúde das gentes, a prevenção das moléstias
e o surgimento das doenças - por conhecíveis caminhos.
Documentando efeitos positivos - assim como efeitos negativos - que
a religião pode ter isto não ajuda as religiões
a conseguir o que a maioria busca fazer ajudar as pessoas a viver melhor
e com vidas plenas?
O Dr. Richard Sloan e outros têm escrito sobre o papel da oração
na medicina com uma mistura de fatos e ficção. Eu tenho
tentado apontar o que é fato e o que é ficção.
Ciência, medicina e religião deveriam trabalhar de mãos
dadas, cada uma complementando a outra na busca de ajuda às
pessoas para continuarem saudáveis. Isto é bom para a
religião e bom para a medicina.
Tradução de Aroldo
Murá G. Haygert
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Clique aqui e leia a opinião
do Dr. Richard P. Sloan, em "Medicina e religião não se
misturam"
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