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O MESMO DEUS Prof. Hélio de Freitas Puglieli
Anos passados, ao navegar pela Internet, aportei a um “site” que ostentava o estranho símbolo da estrela de Davi com uma suástica* no interior. Logo mudei de rumo, certo de ter topado com um dos tantos“blogs” de avacalhação e deboche que infestam a rede mundial decomputadores. Mas os acasos da vida me levaram a ter contato, por intermédio do instrutor de yoga Prem, aqui de Curitiba, com a organização indiana Ananda Marga, fundada por Sri Anandamurti. E acabei meditando, no sul de Minas, num templo que ostentava na cumieira exatamente aquela estranha imagem de dois símbolos paradoxalmente unidos e que me pareceram, à primeira vista, o que os filósofos deantanho caracterizavam como “contradictio in se ipsa”. Lembro essa ocorrência, entre várias outras de meu “turismo esotérico”, para ponderar que, batizado e comungado na Igreja Católica, não vi substancial diferença de propósito. Constatei a mesma busca, a mesma intenção de chegar ao regaço do ser supremo, por mais estranhas que fossem as “técnicas” espirituais (claro que jamais provei bebidas, fumos ou qualquer outra coisa agressiva ao organismo ou à dignidade). Confesso até uma ponta de frustração por não ter visto nada de radicalmente “diferente”. O “baba nam kevalam”, mantra universal dos “marguís”, também é um louvor a Deus, assim como o mantra “Om” e outros tantos. Ao chegar a essa conclusão, não temo estar incidindo em heresia, nesta era de ecumenismo, tolerância e compreensão nos arraiais mais lúcidos do catolicismo. Também mencionei a estranha figura da suástica dentro da estrela de Davi, para mostrar que aproximações insólitas são possíveis não só em termos de “design”, mas nos espaços mais amplos do pensamento. Pessoalmente acho que não se deve considerar insolúvel a contradição entre visões materialistas e espiritualistas. O que a ciência nos mostra a respeito do Universo não contradiz as concepções aristotélico-tomistas de “motor imóvel” e “causa não causada”, embora o conceito de “criador incriado” já exija mais a presença decisiva da fé. A razão já é suficiente, todavia, para conciliar ciência e metafísica. Isto é o que penso, assim como não vejo discrepância entre a mensagem cristã do amor ao próximo e os anseios por justiça social. O resto (e o essencial) se configura como assombroso e luminoso Mistério. * NR: A suástica é um dos símbolos mais difundidos e antigos. É encontrado do Extremo Oriente à América Central, passando pela Mongólia, pela Índia e pelo norte da Europa. Foi conhecido dos celtas, dos etruscos, da Grécia antiga; o ornamento chamado “grega” deriva da suástica. Qualquer que seja sua complexidade simbólica, a suástica, por seu próprio grafismo indica movimento de rotação; é símbolo de ação, de manifestação, de ciclo e perpétua regeneração. Nesse sentido já esteve relacionada aos salvadores da humanidade (Cristo, Buda) e a poderes seculares (Carlos Magno, Hitler), segundo o Dicionário de Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant. O nazismo apropriou-se desse poderoso símbolo, muito provavelmente pela crença goebbeliana de que uma cópia repetida mil vezes torna-se um original. |
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