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Livro conta a história Por Cláudia Gabardo Questões de fundo social aproximaram católicos
Já está à venda o livro O movimento ecumênico no Brasil: a serviço da igreja e dos movimentos populares. Lançado em 1º de setembro, em Curitiba, pelo pastor presbiteriano e professor universitário Agemir de Carvalho Dias, a obra esquadrinha todo o processo de mudanças porque passou o diálogo inter-religioso ao longo da segunda metade do século XX – precisamente entre 1954 e 1994 - e que desembocou na até agora polêmica Teologia da Libertação, uma das primeiras manifestações de fôlego do ecumenismo no Brasil. Mais recentemente, traduz-se nas preocupações ligadas à proteção do meio ambiente e ao combate ao racismo. O movimento ecumênico no Brasil... representa a primeira sistematização do tema já levada a cabo no País. Resultado de extensas pesquisas feitas pelo autor para a elaboração de sua tese de doutorado em História pela Universidade Federal do Paraná, em 2007, o livro não se limita a relatar como e porque se deu a aproximação entre as igrejas cristãs. Mais que isso, pontua como a aproximação entre as diferentes religiões cristãs levou ao fortalecimento do movimento e, a seguir, à sua renovação. Origens - O pano de fundo para isso, explica Dias, foram as intensas e rápidas mudanças sociais advindas com o fim da Segunda Guerra Mundial. Tais transformações aceleraram o processo de reflexão, formalmente iniciado em 1910, sobre os grandes temas de interesse coletivo. As idéias de desenvolvimento sócio-econômico com liberdade, produto da derrota do totalitarismo na Europa, orientaram o pensamento religioso. “A preocupação social das igrejas católica e protestantes cresceu muito a partir de então e, assim, o entendimento de que também elas deveriam tomar parte ativa do processo histórico, sem se afastar de seus compromissos originalmente religiosos”, explica esse paranaense de Jacarezinho, no Norte Pioneiro, que atualmente leciona Teologia nas faculdades Evangélica do Paraná e de Teologia Sul Brasileira. Primeiro protestante a comentar o desenvolvimento da doutrina cristã no Brasil a partir da aproximação catolicismo/protestantismo, Agemir Dias destaca a dupla preocupação que norteou as duas religiões: a consolidação de um projeto de desenvolvimento para o País que contemplasse o aspecto social mas, ao mesmo tempo, observando os pressupostos da democracia. “Foi a fusão dos ideais do protestantismo missionário com o catolicismo reformista e que a seguir passou por um processo depurativo de crítica mútua, necessária para o amadurecimento da proposta”, observa. Correção de rumo - Esse projeto de desenvolvimento humanizado pensado para o Brasil, no entanto, teve de ser interrompido com o advento do golpe militar de 1964. O movimento ecumênico não se furtou ao desafio e, então, acompanhou o processo histórico, ajustando o foco sobre a questão sempre contemporânea dos direitos humanos. Segundo Agemir Dias, quem ganha com o movimento ecumênico é a sociedade. Isso porque, explica, o tecido social passa a vivenciar suas propostas e absorver a necessidade de observância dos direitos fundamentais. “É o sentido de tolerância com o próximo, também irmão no sentido evangélico, e de inadmissibilidade quanto a qualquer forma de preconceito”, resume. É o caso da questão homossexual que, sem ser bandeira específica do movimento, é vista como parte do amplo conjunto dos mesmos direitos humanos vigorosamente defendidos a partir do regime ditatorial dos anos 60. Também merece menção o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), gestado na ecumênica Comissão Pastoral da Terra (CPT). Toda essa história do movimento ecumênico, ainda desconhecida da maioria do público, é contada na edição de 354 páginas publicada pelo Instituto Memória Editorial. Mais informações no site www.agemir.com.br ou por meio do endereço eletrônico agemir@terra.com.br.
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