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Marcio Antonio Campos
é membro do ICFÉ e jornalista da Gazeta do Povo, onde mantém o blog Tubo de Ensaio, sobre ciência e religião:
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tubodeensaio


ANO 11 - ED 122- NOVEMBRO DE 2009

Preste atenção à livraria mais próxima

Marcio Antonio Campos

Você já parou para olhar o que as livrarias, reais ou virtuais, têm oferecido sobre ciência e religião em português? O cenário é triste. Enquanto os best-sellers de Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Steven Pinker – alguns expoentes do Novo Ateísmo – são muito fáceis de achar, espalhando facilmente a noção de que a religião não apenas é inimiga da ciência, mas também precisa ser praticamente eliminada para termos um mundo melhor, obras defendendo a posição contrária, a conciliação entre ciência e fé, são raras. A linguagem de Deus, de Francis Collins, é razoavelmente fácil de achar. Com alguma sorte, é possível encontrar O delírio de Dawkins, de Alister McGrath; já Quando a ciência encontra a religião, de Ian Barbour, estava disponível em alguns sites, mas esgotado em outros. John Polkinghorne tem apenas dois livros traduzidos. E só esse ano saiu a versão brasileira do ótimo livro de Annibale Fantoli sobre o processo inquisitorial de Galileu (Galileu – pelo copernicanismo e pela Igreja).

Por que o mercado editorial brasileiro dá mais voz ao Novo Ateísmo? Talvez porque eles sejam mais eficientes na autopromoção, talvez porque posições extremistas como a deles sejam mesmo mais “atrativas” do que a dos conciliadores. O fato é que o fenômeno é local: nos Estados Unidos, se por um lado é possível achar livros de ateus militantes que ainda não chegaram aqui, por outro a oferta de obras que rebatem a argumentação ateísta é quase inimaginável para quem se acostumou com a escassez oferecida pelas editoras brasileiras. Nesse pequeno texto não pretendo esgotar a relação de títulos, mas apenas oferecer algumas indicações que mereceriam uma edição em português o mais rápido possível.

O já citado John Polkinghorne, que além de físico é clérigo anglicano, é muito mais prolífico do que sua bibliografia em português sugere. Uma obra interessante que serve de introdução ao debate sobre ciência e religião é Belief in God in an age of science. Um dos capítulos mais interessantes desse livro compara a maneira de acumular conhecimento na ciência e na Teologia, colocando lado a lado as teorias sobre a natureza da luz e as ideias sobre a natureza de Cristo. E, ainda para quem busca um conhecimento mais abrangente sobre ciência e fé, um lançamento recente é Galileo goes to jail and other myths about science and religion, organizado por Ronald Numbers. Em 25 capítulos, vários autores fazem um trabalho parecido com o dos Mythbusters da TV por assinatura: derrubam sem piedade diversas lendas que, de tanto serem repetidas, se tornaram “verdades” do tipo “Giordano Bruno foi o primeiro mártir da ciência moderna” e “os protestantes eram contra anestesia de parturientes por causa de um texto bíblico”.

Como 2009 é um ano dedicado a Charles Darwin, por seu bicentenário de nascimento e 150 anos da publicação de A origem das espécies, livros explicando como conciliar a evolução com a fé cristã são essenciais, mas, por algum motivo, não são traduzidos. Saving Darwin, de Karl Giberson, foi eleito pelo Washington Post como um dos melhores livros de 2008. Mesmo assim, nem sinal de uma tradução para o Brasil. Já o católico Kenneth Miller escreveu Finding Darwin’s God em 2000, outro livro promovendo a “paz” entre evolucionistas e cristãos, mas que passou batido pelas editoras nacionais.

A conclusão é simples: felizes os que leem inglês, pois terão sua curiosidade saciada. Quanto aos que dependem apenas da língua pátria, restam duas opções: pedir às editoras que traduzam o quanto antes esses livros, ou se matricular na escola de idiomas mais próxima.

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