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Cícero
de Andrade Urban
é Médico Oncologista e Mastologista, professor titular de Metodologia Científica e Bioética na Universidade Positivo e diretor do Instituto de Ciência e Fé, autor de “Bioética Clínica”, entre outros. |
O sentido do Natal
A ciência se preocupa com as relações causais entre os fatos, enquanto que a religião busca um sentido e um propósito para a vida. A ciência procura realizar previsões quantitativas e de maneira experimental. A religião usa de linguagem simbólica e analógica, pois Deus é transcendente. São, na realidade, duas perspectivas complementares para a compreensão do universo. Nos últimos anos é crescente a literatura sobre as relações entre ciência e religião. Ela pode ser dividida entre aqueles que defendem que exista um conflito entre a fé e a ciência; entre os que acreditam que ambas são independentes e devam permanecer assim; e finalmente, aqueles que são favoráveis ao diálogo e a integração entre elas. O último gênero parece como o mais abrangente e proveitoso para uma sociedade secular e que deve conviver com as diferenças. Não se trata de negar Darwin ou mesmo os benefícios concretos que a ciência trouxe para uma melhor compreensão do mundo e para a vida das pessoas. Mas, de aceitar que a ciência possui limitações importantes (inclusive metodológicas) em algumas questões extremas. Nesse contexto, compreender todo o sentido do Natal como pesquisador é difícil, pois a ciência não nos permite chegarmos a este nível. Sobretudo se olharmos apenas de uma perspectiva metodológica. Compreender o sentido do Natal como médico é um pouco mais fácil, pois podemos perceber facilmente a capacidade que este momento que se repete todos os anos possui de transformar a maneira de ser e de vivenciar a adversidade e a doença. Une mais as pessoas, as famílias e as emoções se tornam mais intensas. O próprio relacionamento médico-paciente se torna mais humano, como se ambos celebrassem juntos o nascimento de Jesus. Aos que não acreditam, pode ser um momento de confraternização entre as pessoas. Até nisto o Natal é mágico e transcendente. Mas, se fosse escolher a melhor forma de compreender o Natal, não teria dúvidas em escolher que seria vê-lo com os olhos da Lara, minha filha. Olhos da contemplação, que não buscam uma explicação racional ao fenômeno humano. Não olham o futuro (apesar de serem os olhos do futuro). Vivem o presente e não se recordam do passado. Não tem memória e, portanto, nem remorsos. Exigem apenas a presença daqueles que ama. O sentido maior do Natal é este mesmo: o amor. Nem o pesquisador, nem o médico conseguem chegar neste grau de profundidade. |
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