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ANO 11 - ED 123 - DEZEMBRO DE 2009

Perdemos o Fernando

Fernando tinha ideias e fazia projetos e era persistente para fazê-las vingar. Geralmente suas empreitadas tinham interesse comunitário. Foi assim durante a Constituinte de 1988, quando este carioca radicado em Curitiba liderou a Associação Paranaense de Micro e Pequenas Empresas do Paraná, em movimento de repercussão nacional, reclamando pelos interesses dos pequenos. Ele mesmo era um deles: foi sempre securitário, e era o sócio majoritário da Fidelis Corretora de Seguros, em Curitiba. Também tinha um lado inventor: junto com um grupo de amigos, desenvolveu a proposta de pequenos carrinhos elétricos para serem usados na distribuição de mercadoria no centro das grandes cidades. Hoje eles são vistos circulando no centro de Curitiba, adotados por grandes empresas. Segundo o amigo Aroldo Murá, a principal característica de Fernando Wagner de Abreu Duarte era a de ser disponível ao próximo. “O otimismo personificado, a loquacidade a serviço de uma lógica que colocaria sempre como prioridade o bem comum”, registra Aroldo Murá. Era o homem do diálogo, da atuação sistemática no Sindicato dos Corretores de Seguros, por exemplo, ou participando do grupo fundador do Instituto Ciência e Fé. Fumante inveterado, o pedido derradeiro ao filho Fernando Jr. foi para que “não largue a Danieli (namorada), mas deixe imediatamente o cigarro.” Correu parte do mundo, ocasiões – contam os amigos – em que se fazia comunicar com quaisquer povos, pela linguagem do gestual e apelando para a mistura de muitos idiomas que conhecia parcamente. Durante a longa internação no Hospital Erasto Gaertner, fazia planos e estimulava as visitas de amigos e familiares. Deixa seis filhos.

Dia 3 de dezembro, de câncer, 56 anos.

Transcrito da Gazeta do Povo 08/12/2009

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