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ANO 8 - ED 85 - 26 A 30 DE NOVEMBRO DE 2006
CIÊNCIA 360º
Exposição mostra gravidade dos
problemas ambientais no planeta
EXPOSIÇÃO
NORTHSOUTHEASTWEST
Campanha ZeroCarbonCity
10 TEMAS TEMAS RELACIONADOS AO CLIMA
12 LOCAÇÕES
10 COLABORADORES
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| Homem tenta encontrar peixe em uma área que há alguns anos estaria totalmente congelada |
Lançada em Londres no ano passado, a exposição NorthSouthEastWest acaba de chegar à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A mostra, desenvolvida pelo Britsh Council, reúne 22 painéis com fotos que denunciam os impactos da mudança climática no mundo e também algumas soluções encontradas por alguns países para reduzir as emissões de carbono em comunidades do norte, do sul, do leste e do oeste. Os registros foram feitos por fotógrafos da Agência Magnum em dez diferentes pontos do planeta.
Os resultados mostram a gravidade dos problemas ambientais no planeta Terra, como inclinações na espessura da capa de gelo do ártico, recuos observados nas geleiras; a falta de água e seus impactos na biodiversidade; qualidade pobre do ar nas cidades; refugiados ambientais. Ao mesmo tempo, é possível perceber que nem tudo está perdido, com exemplos inovadores de como as pessoas têm adaptado seus estilos de vida e respondido de formas engenhosas a estes desafios são extremamente inspiradores, com imagens que ilustram a eficiência energética; energias renováveis; tecnologias de células combustíveis; usinas de co-geração de energia; sistemas efetivos de transporte público; seqüestro e armazenagem de carbono; compensações ao carbono e comércio de emissões.
A exposição, que faz parte da ZeroCarbonCity, campanha global para estimular o debate sobre mudanças climáticas e desafios energéticos que as maiores cidades do mundo enfrentarão, passará por 60 países.
A CRISE DO CARBONO
“O excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, resultado da queima dos combustíveis fósseis, alcançou proporções tais que as temperaturas se elevarão e o clima mudará num ritmo muito mais acelerado do que em qualquer outra época da história. O impacto desse fenômeno é potencialmente devastador. Com o derretimento das calotas polares e das geleiras, o nível do mar deve elevar-se nos próximos 800 anos e, em conseqüência, os oceanos devem se expandir. Os cientistas não estão discutindo se há ou não há mudança climática, mas com que velocidade essa mudança está ocorrendo, quão prejudiciais serão seus efeitos e quais surpresas desagradáveis ainda estão por vir. Embora existam pessoas que dizem que ainda temos bastante tempo para reagir, está cada vez mais evidente que, a não ser que se faça alguma coisa, e rápido, o aquecimento global pode tornar-se incontrolável. Para o bem da civilização, é essencial que se tome uma atitude.”
Paul Brown,
correspondente
ambiental, The Guardia
MEIO-AMBIENTE FÍSICO
Locação: GROENLÂNDIA
Fotógrafo: ALEX WEBB
A Groenlândia é a maior massa de gelo do mundo; porém suas extremidades já estão derretendo, despejando no atlântico norte a quantidade surpreendente de 50 km2 de água doce derretida a cada ano.
O gelo derretido está ocasionando a elevação dos níveis do mar em todo o mundo - o aquecimento global já provocou um aumento de 10- a 20 cm no nível médio do mar durante os últimos 100 anos e a previsão é de que ele suba mais 88 cm até 2100.
Se aumentar a quantidade de água doce despejada nos oceanos em decorrência do degelo, isto poderá diminuir - ou até mesmo parar - a maciça corrente oceânica que leva o calor dos trópicos para o noroeste da Europa, causando uma mudança climática catastrófica naquele continente.
Na taxa atual de aquecimento, todo o gelo ártico poderá ter desaparecido até 2070. Um projeto de pesquisa no valor de 20 milhões de libras foi lançado pelo governo do Reino Unido com o objetivo de investigar as ligações entre o degelo e a mudança abrupta no clima.
DESENVOLVIMENTO
Locação: ÁFRICA DO SUL
Fotógrafo: ALEX WEBB
Alguns projetos de desenvolvimento na África do Sul usam a simples eficiência energética e tecnologias de energia renovável para melhorar a vida das pessoas, estas medidas também reduzem as emissões de dióxido de carbono.
A força do vento e do Sol são formas baratas de gerar energia para comunidades isoladas. Existem ainda dois bilhões de pessoas no mundo que não têm acesso à eletricidade.
A energia do sol pode ser capturada para cozinhar alimentos a temperaturas que vão de 107ºC a 135ºC. Fogões alimentados por energia solar não produzem gases que causam o efeito estufa e ajudam a reduzir a poluição.
MEIO-AMBIENTE NATURAL
Locação: KÊNIA
Fotógrafo: ALEX MAJOLI
As temperaturas mais altas e a quantidade menor de chuva estão reduzindo a densidade das florestas nas encostas do monte Kilimanjaro, tornando-as menos aptas a absorverem a umidade das nuvens. O dano no sistema de captação significa que menos água vai para os rios que alimentam as plantas e os animais nos parques abaixo.
O turismo de animais selvagens traz milhares de visitantes ao leste da África todos os anos. Esta indústria está sendo ameaçada, juntamente com os animais que dependem da água vinda das montanhas para sua sobrevivência.
A neve e as geleiras que coroaram o monte Kilimanjaro por 11.000 anos poderão ter desparecido por completo em 20 anos.
DIREITOS HUMANOS
Locação: ILHAS MARSHALL
Fotógrafo: CHRIS STEELE-PERKINS
Nenhuma das 1.225 ilhotas cobertas por palmeiras que compõem as ilhas Marshall está a mais de dois metros acima do nível do mar. Com a mudança climática e a elevação do nível do oceano, o governo teme que a evacuação seja inevitável.
Quase 40% da população das ilhas Marshall têm idade inferior a 14 anos; mas devido à mudança climática, suas ilhas poderão estar inabitáveis e sua tradição cultural perdida antes deles tornarem-se adultos.
A evacuação significaria abandonar o local sagrado de descanso de seus honoráveis ancestrais, cujos túmulos, freqüentemente construídos muito perto da praia, serão inevitavelmente perdidos para o oceano em elevação.
TECNOLOGIA
Locação: JAPÃO
Fotógrafo: HARRY GRYAERT
A raça humana deverá encontrar alternativas aos combustíveis fósseis se quiser evitar uma catastrófica mudança climática. O Japão está liderando o caminho tanto na eficiência energética, quanto em uma variedade de novas tecnologias para a produção de eletricidade e de propulsão para os veículos.
Sistemas que geram aquecimento, refrigeração e eletricidade para os arranha-céus de Tóquio estão aumentando a eficiência em até 40% e reduzindo as emissões de dióxido de carbono em até 60%.
A energia geotérmica é uma das muitas tecnologias de energia renovável que estão alimentando com eletricidade todo o Japão. Os pesquisadores estão analisando várias outras opções, incluindo aproveitar a energia solar proveniente do calor armazenado nos oceanos.
Tecnologias de baixa liberação de carbono para a geração de energia e para o transporte oferecem uma oportunidade importante de exportação.
ALIMENTOS
Locação: CHINA
Fotógrafo: NIKOS ECONOMOPOULOS
Relatórios recentes sugerem que a mudança climática poderá causar uma redução de 1/5 da produção de arroz na China até o ano 2080. Quando a China começar a importar grãos, a reserva internacional, que é utilizada para oferecer ajuda em situações de crise, será seriamente diminuída.
Os resíduos agrícolas da produção de arroz podem ser utilizados como uma combustível de baixo carbono, e a drenagem dos arrozais reduz as emissões de metano, um poderoso gás causador do efeito estufa, com um potencial de aquecimento global 21 vezes maior que o do dióxido de carbono.
A urbanização na China está aumentando a pressão nas reservas de alimentos. À medida que os impactos da mudança climática na produção agrícola tornam-se mais sérios, outros milhões de fazendeiros serão forçados a abandonar os campos e a exportação de alimentos será ameaçada. Na região do rio Amarelo teme-se que a mudança climática vá piorar a escassez de água já existente e deixar apenas uma gigantesca tigela de poeria com impactos devastadores na produção de trigo.
SAÚDE
Locação: ÍNDIA
Fotógrafo: DONOVAN WYLIE
Estima-se que o número de pessoas vulneráveis às enchentes em todo o mundo dobre para 2 milhões até 2050. Afogamentos, doenças provenientes da água e eletrocussão são riscos comuns à saúde associados às enchentes.
As temperaturas em elevação aumentam a velocidade do desenvolvimento de parasitas no mosquito, aumentando a chance de transmissão da malária. O extermínio dos mosquitos é uma opção, mas a interrupção da mudança climática é o melhor tratamento preventivo possível.
Tecnologias de baixo carbono para a eletricidade e o transporte, reduzem as emissões de dióxido de carbono e de outros poluentes atmosféricos tais cimo as partículas, que contribuem significativamente para doenças respiratórias como a asma.
Água limpa em abundancia é o mais importante elemento para a sobrevivência. Dois terços da população mundial enfrentarão escassez de água até 2025.
VIDA URBANA
Locação: CIDADE DO MÉXICO
Fotógrafo: BRUCE GILDEN
Na cidade do México, o aquecimento global está exacerbando os impactos da mudança climática local causada pela poluição atmosférica. Iniciativas governamentais para introduzir construções energeticamente eficientes, melhorar os sistemas de transporte público e reciclar o lixo estão reduzindo as emissões de dióxido de carbono e de outros poluentes. O que irá melhorar a vida dos habitantes da cidade.
Um programa governamental para substituir os antigos táxis por alternativas novas e de emissões mais baixas irá reduzir as emissões diárias de carbono em cerca de 31%.
A mudança climática está causando doenças nas florestas em torno da cidade do México, agravando a escassez de água. Desenvolver soluções que levem em consideração a poluição local, a mudança climática e o abastecimento de água é o desafio lançado para as autoridades da cidade do México.
ECONOMIA
Locação: CALIFÓRNIA
Fotógrafo: CONSTANTINE MANOS
Na Califórnia, a água da montanha sustenta tanto a agricultura quanto as indústrias de produção de eletricidade - mas o abastecimento de água está sendo ameaçado como resultado da mudança climática. A produção agrícola no estado do sol está avaliada em US$ 27 bilhões.
As evidências sugerem que as pragas que tornam as florestas mais vulneráveis a incêndios, poderiam prosperar em decorrência da mudança climática. Os incêndios florestais na Califórnia geraram perdas financeiras de cerca de US$ 3,5 bilhões em 2003.
Uma legislação progressista que encoraja a adoção de tecnologias de baixo carbono na construção, no transporte e na geração de eletricidade está criando empregos e novas oportunidades econômicas. Até mesmo os parques de diversão são movidos a energia solar.
LIDERANÇA
Locação: REINO UNIDO/ ALEMANHA/ NOVA IORQUE
Fotógrafo: CHIEN-CHI CHANG
A British Telecommunications estabeleceu uma meta para reduzir 25% de suas emissões de dióxido de carbono até 2010 - tendo atingido surpreendentes 46% até 2004. A companhia atualmente está comprando quase todo o suprimento de eletricidade de que necessita de fontes de energia eólica, solar, de ondas. Hidroelétrica e da combinação de calor e eletricidade.
Uma política progressista na Alemanha ajudou a reduzir em 19,4% as emissões de gás que causam o efeito estufa entre 1990 e 2002. A Alemanha é atualmente a maior produtora de energia renovável da Europa.
Nove estados do nordeste dos Estados Unidos estão lançando um esquema de troca de emissões elaborado para reduzir as emissões de CO2 de suas usinas elétricas. O carbono será comprado e vendido como uma "commodity". Assim como qualquer outra nos distritos financeiros dos Estados Unidos.
22 importantes companhias que reduziram significativamente suas emissões de gases que causam o efeito estufa desde 1990 alcançaram, como resultado, uma economia coletiva de mais de US$ 5,5 bilhões. 13 cidades e municipalidades que reduziram suas emissões em até 80%, economizaram um total de US$ 1,5 bilhões de dinheiro dos contribuintes.
"A mudança climática é o maior desafio global que enfrentamos atualmente. Ela já está ocasionando mudanças significativas no meio-ambiente físico do planeta. Eventos extremos relacionados ao clima estão cada vez mais frequentes. Geleiras estão derretendo. Gelo marinho e coberturas de neve estão diminuindo. Animais e plantas estão reagindo à primavera precoce. O aquecimento global já elevou o nível médio do mar em 10-20 centímetros (4-8 polegadas) nos últimos cem anos, e existe uma previsão de elevação de outros 88 centímetros (35 polegadas) até 2100. É um fato preocupante que cerca de 100 milhões de pessoas no globo vivam, a menos de 88 centímetros acima do nível do mar."
Professor Sir David King,
Assessor Científico do Primeiro Ministro Britânico
Serviço
Exposição NorthSouthEastWest
Data: 9/11 a 18/12
Local: Museu Universitário PUCPR (MUNI)
Rua Imaculada Conceição 1155, Prado Velho.
Horário de Funcionamento: de segunda a sexta-feira,
das 12h às 16h e das 17h às 21h45.
Entrada Franca
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