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n l i n e |
Maio
de 2003 |
Vesakh
Mensagem aos budistas
Arcebispo
Michael L. Fitzgerald, Presidente do Concílio Pontifício
para o Diálogo Inter-religioso, do escritório de Sua Santidade
o Papa, para as relações com as pessoas de diferentes
tradições religiosas, saúda e envia mensagem de
congratulações por ocasião da festa de Vesakh -
a celebração da lua cheia de maio em que se comemora o
nascimento, a iluminação e a morte de Buda.
Caros
amigos budistas,
1.Na qualidade
de novo Presidente do Concílio Pontifício para o Diálogo
Inter-religioso, o escritório de Sua Santidade o Papa para as relações
com as pessoas de diferentes tradições religiosas, quero
saudá-los e enviar-lhes esta mensagem de congratulações
por ocasião da festa de Vesakh. Este gesto de amizade, iniciado
em 1995 por meu predecessor, Cardeal Francis Arinze, já quase se
tornou uma tradição. Desejo continuar com essa boa tradição
e expressar meus sinceros cumprimentos a cada um de vós.
2.Nesta mensagem,
eu gostaria de convidá-los, meus caros amigos budistas, a se unirem
em prece em prol da paz mundial. Considerando a presente situação
mundial, não podemos deixar de ficar atentos à
gravidade da questão da paz em nosso mundo. Desde o início
deste novo milênio, marcado pelos dramáticos eventos de 11
de setembro de 2001, nós testemunhamos diariamente cenas frescas
de
carnificina, violência, confronto e crise em quase todas as regiões
do mundo. Em meio a tão grave situação, não
podemos conduzir nossas vidas sem nos comprometermos com a promoção
da causa da paz
mundial.
3.Nós,
cristãos e budistas, estamos convencidos de que a origem de todos
os conflitos está, em última instância, localizada
nos corações humanos caracterizados pelo desejo egoísta,
especialmente
pelo desejo de poder, domínio e riqueza, muitas vezes às
custas dos outros. Também é nossa comum convicção
o fato de que a paz deva habitar em nossos corações antes
de se tornar uma realidade
social. Portanto, para nós, a maneira mais fundamental e eficiente
de promover a paz é dar o melhor de nós para que o egoísmo
profundamente enraizado em nossos corações seja superado,
de forma que assim as pessoas possam ser transformadas em artífices
da paz.
4.O Papa
João Paulo II proclamou o ano de outubro de 2002 a outubro de 2003
o Ano do Rosário da Virgem Maria. Ele sinceramente encoraja a freqüente
recitação do Rosário com o objetivo de orar pela
paz mundial. Seu desejo de reavivar a prática do Rosário
está intimamente ligado às presentes circunstâncias
históricas que demandam, mais do que nunca, constantes súplicas
pela grande dádiva da paz.
5.Meus caros
amigos budistas, não é uma maravilhosa coincidência
o fato de vós também possuirdes uma longa tradição
do uso do Mala para a oração? O Rosário para os católicos
e o Mala para os budistas
são simples, mas profundas e significativas preces, não
obstante as diferenças essenciais de forma e conteúdo, baseadas
em nossas distintas doutrinas e práticas. Para os católicos,
o Rosário representa
o método mais efetivo para cultivar a contemplação
de Jesus Cristo. Para os budistas, o Mala é usado para superar
os 108 desejos pecaminosos com o objetivo de atingir o estado de Nirvana.
Graças à
virtude de seu caráter meditativo, essas duas preces têm
em comum o efeito apaziguador naqueles que a elas se entregam, elas os
levam a experimentar a paz e a trabalhar pela mesma e produzem frutos
de
amor. Para os católicos, a repetição e a meditação
dos nomes divinos das Pessoas da Santíssima Trindade e da Virgem
Maria na recitação do Rosário nos torna mais desejosos
de assimilar seu amor e
compaixão pelos outros, especialmente pelo pobre e pelo aflito.
Na vossa Tradição Budista, a oração com o
Mala ajuda a pessoa a se tornar um artífice da paz.
6.Caros amigos
budistas, estes são os pensamentos que eu gostaria de compartilhar
convosco este ano. Estou convencido de que perseverando na oração
contribuiremos para promover a paz no mundo, tanto agora como no futuro.
Possa esta paz estar com todos vós e vossas famílias na
festa do Vesakh e em
todas as épocas.
a) Arcebispo Michael L. Fitzgerald
Presidente
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