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Religião
Uma novidade de inspiração oriental invade uma das mais tradicionais instituições do Ocidente, a Igreja Católica. É a meditação cristã ou oração silenciosa, na qual o fiel, sentado, ajoelhado ou na clássica posição de lótus, "esvazia" o pensamento enquanto repete um mantra, no melhor estilo zen-budista. Embora tenha nascido dentro da igreja de Roma, a prática é aberta a cristãos de qualquer corrente. Ela começou a ser divulgada por monges beneditinos na Inglaterra nos anos 60, chegou ao Brasil em 1995 mas só agora começa a se difundir, graças a grupos – são 47, em quase todos os Estados – e sites como o da Comunidade Mundial para Meditação Cristã (www.wccm.kit.net).
"Para nós, meditar não é só uma forma de desestressar ou buscar qualidade de vida. Tem um caráter religioso", diz o monge Anselmo Nemoyane Ribeiro, do Mosteiro de São Bento, em São Paulo. As reuniões começam com relaxamento e leitura do Evangelho. De olhos semicerrados, os meditantes ficam em silêncio durante 20 minutos, repetindo mentalmente um mantra. Qualquer frase religiosa pode ser usada, mas os praticantes preferem "maranatha", que significa "Vem, Senhor" em aramaico, a língua de Jesus. Os praticantes também repetem o ritual duas vezes por dia, em casa. "É o caminho mais curto para entrar em sintonia com Deus", diz a química Mitie Sugo, praticante há seis meses. O público é majoritariamente feminino e a faixa etária média é de 40 anos. Na semana
passada desembarcou no Brasil o guru mundial da meditação
cristã, o beneditino Laurence Freeman, que fará palestras
em três capitais. "A Igreja precisava de um método contemplativo
que pudesse ser praticado por todos", diz. "Durante muito tempo,
foi ensinado aos cristãos que isso era reservado à vida
monástica, mas hoje todos sentem necessidade de meditar."
Freeman é o sucessor do monge inglês John Main, fundador
da Comunidade Mundial. Entusiasmado com sua experiência contemplativa
em uma viagem ao Oriente, Main foi buscar um fundamento para praticá-la
na tradição católica. Encontrou-o na rotina dos padres
do deserto, ascetas do século IV que pregavam a economia de palavras
e a repetição de fórmulas curtas para se concentrar
em Deus. |
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