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d e C i ê n c i a
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n l i n e |
Junho
de 2003 |
Revista
Galileu
A ciência da criação
Estudiosos
brasileiros contestam o Big Bang e a Teoria da Evolução
e propõem que o Universo foi planejado

Matéria de Capa: Pesquisadores defendem idéias sobre
a origem do Universo
Aqui
reproduzimos a abertura do artigo que Pablo Nogueira publicou na revista
Galileu, edição de Jun/03, com o questionamento: Deus
na ciência?
“
Quando surgiu a Terra? Há 10 mil anos, no máximo. Quanto
tempo durou o período geológico do Jurássico? Menos
de três meses. Como funciona a seleção natural? Impede
o desenvolvimento de novas espécies. Como explicar a sofisticada
bioquímica da vida? Ela foi formada segundo o planejamento de uma
inteligência superior.
Surpreso com as frases acima (que contrariam algumas das idéias
mais aceitas pela maioria dos estudiosos), o leitor de GALILEU pode estar
se questionando se comprou a revista certa. E talvez fique ainda mais
surpreso em saber que tais idéias são defendidas hoje no
Brasil por um grupo de pessoas a quem não se pode acusar de falta
de credenciais científicas. Muitos têm pós-graduação
feita em prestigiados centros de pesquisa do nosso país e do exterior
(como o Instituto Max Planck de Colóides de Potsdam, na Alemanha,
ou a Universidade de Londres), artigos publicados em revistas científicas
internacionais e atuação em universidades como a USP e a
Federal de Viçosa.
Nos
EUA, o esforço de cientistas para tentar mostrar que o Gênesis
pode ser mais do que uma narrativa mitológica ganhou o nome de
criacionismo científico ou ciência da criação.
A corrente surgiu nos anos 1950, quando um engenheiro hidráulico
de nome Henry Morris começou a procurar evidências da ocorrência
de um suposto dilúvio. A pesquisa gerou o livro "The Genesis
Flood" (O Dilúvio do Gênesis), lançado em 1961,
que causou grande impacto na comunidade evangélica e abriu caminho
para a fundação da primeira sociedade, a Creation Research
Society, em 1963.
O
intercâmbio de brasileiros com essas instituições
deu origem à Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), em 1972,
e à Associação Brasileira de Pesquisas da Criação
(ABPC), em 1979. São elas que centralizam o debate em torno do
criacionismo científico no país, realizando eventos e conferências.
Em abril passado, por exemplo, a ABPC trouxe ao Brasil um dos mais famosos
cientistas criacionistas do mundo, o bioquímico americano Duane
Gish, vice-presidente do Institute for Creation Research (ICR). Gish (que
esteve no país outras quatro vezes e se apresentou até na
USP e na Unicamp) fez uma maratona de conferências por cinco Estados
brasileiros, proferindo às vezes mais de uma palestra por dia.
Em suas falas, Gish se propõe a refutar as teorias da Evolução
e do Big Bang "unicamente com base na evidência científica".
Seus argumentos, em boa parte, são tirados de temas polêmicos
dentro da comunidade científica. Um deles é a matéria
escura. "Para que o Universo se adapte ao modelo do Big Bang, os
cientistas tiveram que postular a existência de uma gigantesca quantidade
de energia e de matéria que, no entanto, nunca detectaram. E essa
matéria (por isso chamada de escura) corresponderia a mais de 80%
da matéria do Universo! Como é possível que se inventem
evidências para sustentar uma teoria e alguém diga que isso
é científico?", questiona.
Ele recorre também à Segunda Lei da Termodinâmica,
que diz que, ao longo do tempo, a entropia de um sistema fechado tende
a aumentar. "Isso significa que a desorganização tende
a crescer ao longo do tempo, o que é o oposto do que dizem o Big
Bang e a Teoria da Evolução."
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