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Roberto Cavali é presidente da Associação Brasileira de Odontologia – seção Paraná. |
Opinião Roberto Cavali No dizer do papa Pio XII a odontologia é uma profissão que exige dos que a ela se dedicam o senso estético de um artista, a paciência de um monge, os conhecimentos científicos de um médico e a habilidade manual de um cirurgião. Neste sentido, as comemorações pelo dia do cirurgião dentista nos convidam ao repensar das ações e dos comportamentos. Mudar é uma condição essencial para viver. Como bem disse D. Hélder Câmara, às vezes é necessário mudar para permanecermos o mesmo. É notório que a modernidade, o desenvolvimento tecnológico e científico historicamente buscados pelo homem trazem, ao longo dos séculos, mudanças e adaptações para o comportamento e para a fisiologia humana. Nesta nova realidade, os avanços para evitar doenças como a cárie e as de origem gengival foram muito grandes, bem como a preocupação com uma dieta alimentar pobre em açúcares e a difusão das técnicas de higienização bucal, com o controle da placa bacteriana. A conscientização de que várias doenças sistêmicas apresentam manifestações bucais e/ou podem começar pela cavidade bucal foi outro grande avanço da ciência odontológica. A formação passou, então, a ser mais voltada para a prevenção e para uma visão holística do ser humano, nos seus aspectos funcionais, sistêmicos, estéticos e comportamentais. O cirurgião dentista hoje é visto como um integrante da equipe de saúde. Pois convive diariamente com um problema social, econômico e cultural do povo brasileiro. O governo que tomou posse no início deste ano parece ter reconhecido esta importância social. A implantação das equipes de saúde bucal no Programa de Saúde da Família é um indicador dessa preocupação. Diferente não poderia ser, pois não há saúde geral sem saúde bucal. A obrigatoriedade de dentistas no SUS é outro ponto que avançou, mas ainda não está oficializado. É necessária uma mobilização constante para alcançar este direito da população brasileira. Mas não é possível deixar tudo por conta do governo. A participação da sociedade organizada, sem esperar por fórmulas mágicas, mas buscando alternativas isoladas, é fator essencial para que a situação melhore. É preciso unir esforços através de ações conjuntas e soma de idéias para que os anseios da classe e as necessidades da população sejam atingidos. Os bons resultados destas ações dependem muito das entidades de classe. Elas devem ser um dos nascedouros das iniciativas que visem o bem-estar da população. Neste contexto encontramos a Associação Brasileira de Odontologia (seção Paraná), que mantém parcerias com os órgãos governamentais, sem coloração político-partidária, mas desfraldando a bandeira da Odontologia para recuperar, manter e preservar a saúde bucal da população. A ABO-PR é uma entidade de classe que completará em novembro deste ano 84 anos de existência. Oferece aos seus associados a educação continuada, promove a reciclagem e atualização dos conhecimentos, bem como técnicas odontológicas para melhor desempenho da Odontologia. A ABO-PR também não descuida da sua finalidade social. Garante à população, por programas sistemáticos, serviços de prevenção e diagnóstico precoce do câncer bucal, atende a pacientes com necessidades especiais e, recentemente, implantou o Projeto Educárie. A iniciativa leva às crianças em idade escolar os fundamentos e a importância dos cuidados com saúde bucal. Estas atividades sociais são desenvolvidas sem aporte financeiro de nenhum órgão público. Contam apenas com os recursos da ABO-PR e com seu maior patrimônio: o sentido de solidariedade que contagia todos os seus associados, quer sejam cirurgiões dentistas ou ainda acadêmicos de Odontologia, irmanados num único sentimento de amor ao próximo. Buscando cada vez mais fomentar este sentido de solidariedade, parabenizamos a todos os cirurgiões dentistas. Profissionais dedicados a uma nobre e bela atividade humana, que trata do bem mais precioso que todos possuímos: a saúde. Publicado na Gazeta do Povo 26 0ut 03 |
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