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Dezembro
de 2003 |
Evolução
A Fé e o desenvolvimento da humanidade
Na
edição 1834, última do ano de 2003, a revista Veja
publicou matéria especial sobre a fé, por que e como acreditamos
e como isso mudou a história da humanidade.

"A
Constatação é científica. A fé trouxe
a humanidade até os dias atuais. Na caminhada evolutiva do homem,
foram sendo extintas as populações que não desenvolveram
o que o lendário biólogo de Harvard Ernst Mayr chamou de
"a máquina de acreditar". Mayr lembra que a faculdade
humana de acreditar em um ser superior nasceu durante a era glacial, entre
80.000 e 455.000 anos atrás. Antes dessse período não
existem registros fósseis que indiquem algum apego ao sobrenatural"
escreve Ariel Kostman em "Quando começamos a crer". E
lembra que a arte e a religião tiveram uma origem comum - citando
a caverna de Lascaux, na França, e Stonehenge, templo da antiguidade,
expressões de prazer estético e elevação espiritual.
"Jesus
dividiu a história humana em antes e depois dele. A força
dessa delimitação, mesmo para a parte da humanidade que
não vê nela a mão divina, é aceita por todos,
e não apenas pelos 2 bilhões de cristãos, ou um terço
da humanidade. Dois mil anos depois, os sinais materiais da existência
em carne e osso de Jesus aparecem mais claros nas análises de historiadores
e nas escavações arqueológicas. Discute-se menos
agora se Jesus existiu mesmo" segundo João Gabriel de Lima
em "A fé antes de depois de Cristo"
"O que
é preciso para ser um santo? O bispo Agostinho, que se tornou santo,
dizia que era o pecado. Dos outros, bem entendido. Já que a vitrtude
só pode ser devidamente destacada em um mundo em que outros não
a possuem" escreve Lia Hama em Os santos, a fé e a razão
afirmando também que "uma vida virtuosa é
apenas o começo do caminho para um trono no céu. O Vaticano
exige também a comprovação cabal de pelo menos dois
milagres" e que hoje "para ser santo é necessário
o tomógrafo, o exame DNA, a contagem de leucócitos ou as
imagens digitalizadas dos tecidos".
"Uma boa notícia: a fé cura. Estudos científicos
mostram que há uma intrigante coincidência entre reações
positivas a tratamentos médicos e o fato de o paciente ter uma
crença religiosa." Os benefícios da espiritualidade
são apresentados por Tiago Décimo em A terapia da prece.
Em A fé
por encomenda, Alexandre Gonsalez e Manuela Aquino apresentam que
"junto com a convicção de que o direito mais sagrado
da vida civilizada é a priviacidade está a conquista da
idéia de que, no mundo contemporâneo, a fé pode ser
construída ao gosto do clliente". Segundo o antropólogo
José Guilherme Magnani, da Universidade de São Paulo, "as
pessoas hoje se sentem no direito de examinar diversas vertentes da fé
e escolher em cada uma o componente que lhes parece mais apropriado".
O que os antropólogos definem como o "supermercado da fé".
Jubal
S Dohms
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