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Belmiro Valverde Jobim Castor é professor universitário e diretor do Instituto Ciência e Fé. |
Opinião Belmiro Valverde Jobim Castor
Mas desanima também ver que uma parte significativa de nossa elite universitária estadual parece interpretar a norma constitucional como o direito irrestrito de gerir as universidades e faculdades estaduais como unidades soberanas, sem qualquer obrigação de disciplina financeira em relação a quem as mantém, que não são seus alunos (pois são gratuitas) e sim a população paranaense em geral. Não acredito, nem de longe, que, ao estabelecer o direito universal à educação, os constituintes estivessem imaginando outorgar aos reitores, diretores e conselheiros das universidades e faculdades públicas, o poder de expandir as despesas das instituições que dirigem, sem qualquer consideração ou preocupação com as limitações financeiras e orçamentárias de seu mantenedor, o Estado. Diz a Secretaria de Ciência e Tecnologia (sem ser contestada objetivamente) que, em dois anos, essas instituições criaram mais de 90 cursos, a maior parte dos quais com pouco ou nenhum planejamento e sem qualquer preocupação seja com o seu custeio seja com as realidades do mercado de trabalho para seus eventuais e futuros graduados. A grita contra o cancelamento de vestibulares em 43 cursos é injustificada e egoísta. Nesse episódio, o governo paranaense agiu com absoluta razão, seja no aspecto no aspecto prático ou no plano filosófico. No aspecto prático, fazer novos vestibulares para cursos cuja validade e oportunidade estão sendo contestadas e reavaliadas significaria engrossar o coro dos que, futuramente, se julgarão prejudicados por uma eventual e provável decisão de descontinuá-los, por mais justo e razoável que isso seja. Em plano mais abstrato, não é possível aos dirigentes universitários paranaenses desconhecer que o Estado é, por definição, o árbitro das demandas dos diferentes grupos sociais que o compõem e a ele compete equilibrá-las de modo a que nenhum grupo em particular, tenha um tratamento exageradamente diferenciado à custa dos demais, cujas demandas, freqüentemente, têm maior urgência e gravidade. Ou alguém duvida que o Paraná tem problemas sociais muito mais ingentes a resolver do que expandir a oferta universitária e que os recursos públicos estarão certamente melhor direcionados para fazê-lo do que para satisfazer aspirações localizadas, quando não vaidades regionais ou o ego dos dirigentes universitários? O Estado arbitra e equilibra as diferentes demandas sociais, alocando os recursos disponíveis entre elas. É para isso que serve o processo orçamentário e programático realizado ano após ano pelo Poder Executivo e pelo Legislativo, cujos ocupantes representam politicamente a totalidade da população e não apenas este ou aquele grupo. Cabe aos dirigentes políticos do Estado estabelecer as prioridades de tal distribuição, uma vez que agem por delegação explícita e constitucional da população. E esse poder não pode ser empalmado ou usurpado por quem quer que seja, em nome de suas interpretações próprias e particularistas do que deveria ou não ser prioritário no uso do dinheiro de todos. De
resto, a atual crise universitária, tem um claro ranço de
antiguidade. Há exatamente 20 anos, o governador José Richa
enfrentou problemas semelhantes, quando os dirigentes universitários
estaduais agiam com a desenvoltura e a autonomia de verdadeiros soberanos,
e os governadores que o sucederam provaram do mesmo cálice. E ao
longo desse tempo todo, foram feitas solenes promessas de racionalização,
auto-avaliação e de controle financeiro por parte das instituições
paranaenses de ensino superior. Essas promessas chegaram à maioridade
sem ser cumpridas. E não quero ser cético, mas, se a experiência
passada ensina alguma coisa, ainda demorarão muito até ser
concretizadas. Publicado na Gazeta do Povo 21de março de 2004 |
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