Casa de Estudos e Retiros Padre Reuter Instituto Ciência e Fé Paslestras e Conferências Contato LInks


 

 


Aroldo Murá G. Haygert
jornalista

C o m u n i c a ç ã o
d e  C i ê n c i a  e  F é


O   n   l   i   n    e
JULHO DE 2004

IMAGO
NADYESDA ALMEIDA
O espaço conquistado

Aroldo Murá G. Haygert


(Arquivo de Família)


Nunca teve a pretensão de substituir o pai, Dino Almeida. Mesmo porque o acha insubstituível (o que é verdade) e insuperável colunista da sociedade paranaense. Mas aos poucos, como é bem de seu estilo, mignon, elegante, e determinada filha de DA foi se firmando. Hoje é dona de uma página campeã de leitura dominical na sua área. Até encara essa etapa com certa naturalidade. Afinal, os pais — Dino e Nadiege Almeida — introduziram-na desde criancinha no mundo da comunicação impressa. Tudo lhe foi chegando como que por atavismo, mas também por direito de conquista. Par droit de conquête, arrisca um amigo da família, como que cutucando em torno do itinerário francês um dia cumprido por Nadyesda.

O manequim é o mesmo “de sempre”, o 38. O semblante plácido reflete uma madura organização psicológica e espiritual. Fala sem afetação, no reto tom, mesmo quando é preciso chamar atenção de algum colaborador da sua Time Comunicação por eventual trabalho a ser corrigido. Pode estar calçando uma havaiana, destas encontradas em lojinhas populares, ou trajando um despojado jeans; pode estar vestida de gala, jóias e tudo a que tem direito sua figura esbelta e seus modos impecáveis — será a mulher universalmente reconhecida como elegante. E que também é bonita. O que significa bem mais do que conhecer os meandros dos tons sur tons de roupas e adereços.

“É a transpiração de uma vida interior em que o ser é o que conta e o ter, apenas um substantivo a mais”, opina uma amiga próxima de Nadyesda Almeida, que também é Bonet, casada com o empresário — madeira, papel e celulose e construção civil — Paulo Bonet. O casal se conheceu numa festa de Halloween, em Curitiba, promovida por outro campeão de leitores, o colunista Ruy Barroso.

Está completando três anos de Gazeta do Povo. Começou a assinar a coluna num exato Dia das Mães, em 2001. Só que na edição inicial, homenageou o pai, Dino, que junto com a mãe — a também jornalista Nadiege — compõem seu universo de admirações incondicionais. Antes havia mantido coluna no Shopping Journal e logo mais teria espaço também na revista Vivre, sendo hoje igualmente colaboradora da Top Magazine.


Com Paulo, na tarde do casamento, na Igreja de Santa Felicidade.
Felicidade (Arquivo de Família)

Mas as coisas não caíram dos céus por descuido na vida de Nadyesda. Primeiro, foi tirar a teima, em busca da independência pós-adolescência. Escolheu Paris, onde viveu ano e meio, com tempo para descobrir aquele mundo que sempre a fascinara. Lá, cumpriu um curso regular de comunicação visual por 12 meses. Apoiava-se no chamado Método Danton, muito em voga na época.


Márcia Teixeira e Simone Meirelles: amigas,
confidentes, colaboradoras. Olhos e ouvidos de
Nadyesda (Arquivo de Família)

Teima em dizer que chegou à feérica cidade sabendo dizer apenas oui. Modéstia. Devia saber bem mais. Afinal, fora aluna do requisitadíssimo Sacre Coeur, de saudosa memória, e que abrigara tantas cabeças coroadas da vida paranaense. Foi também aluna do Nossa Senhora Esperança.

Quando voltou, envolveu-se numa prática semiprofissional, que incluiu a Opus Propaganda, sob as asas protetoras de Dionísio Rodrigues. “Lá fui adotada pelo Jamil Snege”, apressa-se a acrescentar, num tom misto de saudade e de felicidade por falar do publicitário e escritor que acabou sendo seu orientador profissional. Um gênio que era capaz de transformar gente como o ator e diretor Antonio Carlos Kraide num risível cacique Juruna, missão que Jamil compartilhou com Nadyesda, ao promovê-la a produtora do filme publicitário. E lá ia ela fazer compras em brechós na Rua Riachuelo...

Nadyesda Almeida ficou ao lado de seu pai, Dino Almeida, por 20 anos, acompanhando o dia-a-dia do colunista sobre quem, um dia, alguém escreveu: “As pessoas, em Curitiba, verdadeiramente nascem, casam e morrem quando esses ritos de passagem são registrados por Dino Almeida”


De Dino, uma legenda do colunismo, herdou
também o humor oportuno (Arquivo de Família)

Teve outras experiências iniciais na área de comunicação, como a passagem pela agência de publicidade CNA — mas a profissionalização e escola maior foram ao lado daquele que seria muito mais do que pai, o dono da mais notável memória e grande testemunha de quanto de mobilidade social o Paraná havia experimentado do final da década de 1950 ao ano 2000.

Ficou ao lado de Dino por 20 anos, acompanhando o dia-a-dia do colunista sobre quem, um dia, alguém escreveu: “As pessoas, em Curitiba, verdadeiramente nascem, casam e morrem quando esses ritos de passagem são registrados por Dino Almeida”.

Exageros à parte, a frase é definidora da importância quase documental do cotidiano paranaense assumido por Dino, nos jornais Diário da Tarde, Diário do Paraná e Gazeta do Povo, não esquecendo a revista Clube. A escrita permanece.

Ninguém passaria impunemente duas décadas de vida profissional ao lado de Dino sem acompanhar notáveis passos da sociedade paranaense. O Dino que por muitas vezes parava na esquina para entregar dinheiro ou roupas aos pedintes. Era, na verdade, um franciscano e também sociólogo amador. Dele, Nadyesda deve ter ouvido conselhos prudentes, como os cuidados ao distinguir as chamadas elites. Elites que não deveriam ser enxergadas exclusivamente nos detentores das maiores contas bancárias. “O melhor sapateiro da cidade é parte da elite”, pontificava Dino, campeão na arte de fazer amigos, com espaço garantido nas colunas de Maneco Muller e Ibrahim Sued, os grandes mestres do colunismo social brasileiro.

E foi com DA, de quem rapidamente se fez braço direito — primeiro no escritório da Dialpress na Rua XV, depois no amplo conjunto de 200 metros quadrados numa das áreas mais valorizadas de Curitiba, na Comendador Araújo — que foi aprendendo. “É aquilo dos ingleses, o aprender fazendo”, diz Nadyesda, ao recordar a autêntica escola que foi a da preparação das muitas festas da Glamour, no Clube Curitibano, e Garota Caiobá. Uma universidade learning by doing. As festas foram marcos da sociedade paranaense e ela acha que têm de ficar assim, na história dos mega-eventos sociais. Não podem ser repetidos, são irrepetíveis na essência.

Nadyesda se firmou, ganhou luz própria, sem dispensar, é certo, aquele subliminar aprendizado dos primeiros contatos com a tinta e as máquinas, acompanhando o pai à redação e às oficinas do jornal.

Não vincula suas colunas ao trabalho, na hora de fechar contratos. A Time oferece a realização e promoção de eventos corporativos, com apoio de assessoria de imprensa. O ofício garante estabilidade ao escritório, em que pontificam as jornalistas Márcia Teixeira e Simone Meirelles, há 12 e oito anos, respectivamente, ao lado da amiga. Há dezenas de empregos indiretos que a empresa gera.


Mãe corujíssima com Bernardo, Stefano e Edoardo.
Paulo e o sogro Nelson Bonet completam a pose
familiar (Arquivo de Família)

Márcia e Simone não são econômicas quando falam da chefe-amiga. Todos os qualificativos destinam àquela a quem admiram e com quem partilham de um projeto profissional. Um projeto que não faz Nadyesda se identificar como colunista social. “Sou uma repórter de temas da sociedade”, autodefine-se. O que não exclui grandes admirações, como a que vota à mestra Juril Carnasciali, uma colunista social lato sensu.

Não procura clientes, eles chegam naturalmente. Por dia, 200 e-mails são recebidos pela colunista, “feita a triagem por um eficiente spam”. Reconhece que se antecipou — até como fruto do prever para prover, que sempre marcou o pai — ao grande processo de industrialização do Estado. A chegada de novos negócios e empresários não a apanhou desprevenida. Estava pronta para uma eficiente comunicação corporativa e montagem de eventos.

Tem tempo para os filhos e para o marido: Edoardo, 21 anos, de seu primeiro casamento (ficou viúva), é o inseparável companheiro dos irmãos Stefano, 10, e Bernardo, 5. Por algum milagre da mãe natureza, mesmo não fazendo ginástica, não engorda e, ao mesmo tempo, parece ter tomado alguma poção de juventude eterna. Um Dorian Gray de saias. Mas não esconde idade: naturalmente, passou dos 30. Tem o rosto e o joie de vivre de uns 20 anos, sem maiores esforços.

Há receitas para esse arcabouço particularmente desejável? Que se saiba, nada. Da mãe, por exemplo, herdou o envolvimento com a culinária, arte-ofício que executa em casa e para o deleite de alguns amigos. Receitas suas como a salada Danadinha estão no cardápio obrigatório de muitas famílias. A irmã Ana Adalgiza, inseparável amiga, é das primeiras cobaias de seu laboratório culinário bem-sucedido.

Como poucos, ela sabe quem é quem na sociedade paranaense. Conhece o chamado velho Paraná, sabe separar alhos de bugalhos. Mas não é avessa à realidade dos emergentes, os novos empresários, à realidade dos novos líderes e agora também pilares da sociedade, produzidos por uma época techno, pós moderna, industrializada - se lhe dêem os títulos que quiserem. Acha que todos têm direito a um lugar ao sol. Espaço que, acredita, o comunicador deve disponibilizar aos verdadeiros construtores da sociedade, velhos e novos.

Nadyesda, como poucos, sabe quem é quem na sociedade paranaense. Conhece o chamado velho Paraná, mas não é avessa à realidade dos emergentes, dos novos líderes e agora também pilares da sociedade, produzidos por uma época techno, pós-moderna, industrializada


Tempo de Carnaval, com Dino e Nadiege: álbum de família
(Arquivo de Família)

Simples sim, jamais simplória. Com desenvoltura pode ser encontrada numa pequena loja de vizinhança, comprando uma blusa em liquidação pra lá de vantajosa. Com a mesma desenvoltura pode ir à alta costura ou - ao lado de Paulo - cumprir roteiros mundiais de viagens. Assim como acompanha Paulo no Graciosa Country Club, onde ele joga golfe.

Nada impõe, não costuma discutir com ninguém, define-se pelo olhar de aprovação ou não. Não discute política, “mas não sou um miolo mole, pelo contrário”, nem debate religião. Mas tem suas devoções, como a missa semanal e uma queda por Santa Edwiges. No caso dela, a santa polonesa, rainha, mãe de três filhos, não tem nada a ver com invocações pecuniárias. Edwiges é um modelo de mulher. Identificação de nobrezas, pois.

A sala imensa que o pai ocupou por dezenas de anos, ela só a usa excepcionalmente. O dia-a-dia é ali na redação, com o pessoal da casa. Dali dá o atendimento personalizado a cada amigo, acata as informações preciosas que - feita rigorosa triagem - aparecerão na coluna. “A cidade e o Estado vão crescer mais. Que meu trabalho ande junto”, diz Nadyesda, com serena confiança.

Engajamentos políticos? Preocupações com furos jornalísticos? A primeira a dar as últimas, tal como Repórter Esso? Nada disso. Acha que para o mundo duro e opaco, visto de lentes escuras, e da competição ilimitada, há muita gente trabalhando. Seu cortejo é outro.

Mas não se considera uma Polyana, a ingênua. Apenas quer continuar com sua página assim, permeada com doses de otimismo, registrando alguns momentos que ajudam a redimensionar a história do Paraná. E dos quais constarão sempre sólidas marcas de suas amálgamas com a sociedade. Como a agenda de aniversários.


Aos 9, aos 15 anos e entrando nos trinta: o belo é permanente
(Arquivo de Família)

Bem mais do que conter efemérides familiares, a agenda dos nivers, como a chamaria DA, insinua uma corrente de histórias de homens e mulheres ligando fatos e gerações. São personagens, muitas cultivadas desde os primeiros dias com Dino; a maioria, apascentada por ela mesma, neste ofício em que é mestra e doutora: o de fazer e cultivar amigos e influenciar pessoas.
E não poderia ser diferente. Porventura não nos assegura o adágio que o fruto não cai distante da árvore?

E os latinos, que Fructum dabit in tempore suo, o fruto dá no seu tempo? E o tempo, hoje, de Nadyesda é de colheita.

A semeadura foi há mais de 20 anos, tendo a boa semente caído em terra fértil.

Transcrita da Revista Idéias edição 12, julho de 2004

< voltar

 

 

 

 

 

 

 

Página Inicial