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O
n l i n e |
JANEIRO
DE 2005 |
2005
O século da relatividade
Legado deixado por Einstein, que há cem anos publicava trabalhos
que mudaram a história da ciência, motivou a Unesco a declarar
2005 o Ano Mundial da Física.
No mundo e no Brasil, eventos estão sendo organizados também
de olho no futuro

Olhar as revoluções do último século para
pensar o futuro. Esta foi a proposta da Organização das
Nações Unidas para a Educação, Ciência
e Cultura (Unesco) ao escolher 2005 como o Ano Mundial da Física.
O motivo é comemorar os cem anos desde que, em 1905, o físico
Albert Einstein (1879-1955) publicou uma série de trabalhos, entre
eles ‘A Teoria da Relatividade Especial’, que mudaram para
sempre a história da ciência.
‘Einstein introduziu idéias revolucionárias em questões
fundamentais como a existência dos átomos, a natureza da
luz e os conceitos de espaço, energia e matéria’,
disse Lebohang Moleko, representante do Lesoto na Unesco, em comunicado
da instituição.
A Unesco, além de homenagear ‘uma das mentes mais brilhantes
do século 20’, também pretende discutir a física
do século 21.
Para Moleko, que sugeriu a homenagem ao físico alemão, os
debates que ocorrerão em várias partes do mundo este ano
não devem se limitar aos revolucionários aspectos da física
contemporânea.
‘A responsabilidade ética dos físicos neste início
do século 21 é enorme. Temos que trazer todos os praticantes
dessa ciência, principalmente as mulheres, para as discussões’,
disse Moleko, que também é ministro das Comunicações,
Ciência e Tecnologia do Lesoto.
A abertura oficial do Ano Mundial da Física será na próxima
semana, em Paris. A Unesco organizou um evento especial, que ocorrerá
do dia 13 ao dia 15, para reunir várias gerações
da física.
Além de uma lista com diversos ganhadores do Nobel como os
franceses Georges Charpak (1992) e Claude Cohen-Tannoudji (1997), o holandês
Gerard t'Hooft (1999) e o japonês Masatoshi Koshiba (2002),
o futuro da física também estará representado na
capital francesa.
A organização espera que mais de 500 estudantes com menos
de 21 anos estejam presentes em Paris. Todos eles participaram das Olimpíadas
Internacionais da Física realizadas nos últimos anos. Segundo
a Sociedade Brasileira de Física, o Brasil será representado
por dois participantes.
‘Vejo Einstein como um cientista que sentia o que estava fazendo
e não trabalhava por dinheiro ou reconhecimento. Talvez essa comemoração
faça o pessoal acordar um pouco, pois a ciência ficou muito
pragmática’, disse Guilherme Salerno, um dos brasileiros
que estarão na abertura das comemorações, em comunicado
da Sociedade Brasileira de Física.
Em 2004, o estudante do ensino médio de Goiás ganhou a medalha
de ouro na Olimpíada Ibero-Americana de Física.
O outro brasileiro em Paris será Jong Woo, menção
honrosa na Olimpíada Internacional de Física (IPhO) de 2003,
realizada em Taiwan. Entre 240 participantes de 54 países, o aluno
paulista do ensino médio obteve a 23ª colocação
na prova experimental.
O evento oficial que irá abrir as programações do
Ano Mundial da Física no Brasil será realizado no RJ, entre
24 e 28 de janeiro. Trata-se do 16º Simpósio Nacional do Ensino
de Física, que também poderá trazer ao país
ganhadores do Prêmio Nobel. O evento será realizado no Cefet/RJ.
A Sociedade Brasileira de Física ainda está preparando a
lista final de eventos que serão realizados no Brasil até
o fim do ano para homenagear os cem anos da Teoria da Relatividade Especial
e discutir, com base no passado, o futuro da física brasileira.
Agência
Fapesp, 7/1/05
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