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Belmiro Valverde Jobim Castor é professor do Mestrado em Organizações e Desenvolvimento da FAE Business School e diretor do Instituto Ciência e Fé.

C o m u n i c a ç ã o
d e  C i ê n c i a  e  F é


O   n   l   i   n    e
AGOSTO DE 2005

Relatório de atividades do MMEQEG

Belmiro Valverde Jobim Castor


Excelência: Cumprimentando-o respeitosamente, tenho a honra de apresentar o Relatório de Atividades do MMEQEG, Ministério do Me Engana Que Eu Gosto, cuja criação foi objeto de correspondência anterior datada do mês de maio pf. Como Vossa Excelência certamente se recorda, o retro-mencionado MEQEG resultou da fusão do MOI – Ministério de Ocorrências Inexplicáveis com o MEC – Ministério de Explicações Cretinas.

Na área antes abrangida pelo MOI, as atividades foram intensas e profícuas. O Dr. Marcos Valério, surpreendendo uma vez mais os que o julgavam apenas um publicitário de expressão regional, ampliou seu campo de atividades realizando gestões internacionais junto a autoridades portuguesas. De início, a presença do supracitado senhor em negociações que nada tinham a ver com suas áreas de atuação causou certa estranheza, equívoco facilmente desfeito após a apresentação de credenciais às altas autoridades do país luso. Na viagem, o Doutor Marcos Valério foi acompanhado pelo sr. Emerson Palmieri, "tesoureiro informal" do PTB, cuja presença na comitiva também foi alvo de injustificada curiosidade por parte das autoridades do país amigo até que Sua Senhoria esclarecesse aos seus ilustres interlocutores que sua viagem era de caráter pessoal e terapêutico, uma vez que – estando extremamente estressado por suas múltiplas atividades financeiras no Brasil – decidira acompanhar o Dr. Marcos Valério para relaxar um pouco das tensões cotidianas. A terapia se revelou excepcionalmente bem sucedida, uma vez que vinte e quatro horas depois, Sua Senhoria já estava completamente refeito do estresse, podendo retornar ao Brasil, enfrentando novamente onze horas de viagem e quatro horas de diferença do fuso horário.


No campo de atividades do antigo MEC-Ministério das Explicações Cretinas, as atividades não foram menos profícuas. De início, vale ressaltar que – em momentos de crise como os atuais – é que florescem verdadeiros valores de solidariedade, fraternidade e altruísmo. Nesse sentido, permito-me ressaltar a profundidade e extensão dos nobres sentimentos de amizade de algumas pessoas, tais como o empresário baiano que, por decisão própria não comunicada a ninguém mais, nem seus companheiros de trabalho nem sua família, aí incluída sua consorte, decidiu presentear um amigo com um jipe Land Rover sem esperar qualquer retribuição material ou de qualquer outra natureza. Enfatizo a Vossa Excelência a importância do gesto, haja vista que o retro-mencionado empresário correu riscos consideráveis de incompreensão e mesmo maledicência das pessoas que poderiam interpretar mal esse gesto de desinteressada solidariedade praticado em estrita observância ao Sermão da Montanha (Mateus, 6) de que nem a mão esquerda saiba quando se dá algo com a direita. Fico a imaginar, excelência, qual teria sido a reação de minha própria esposa e companheira e de meus colegas de trabalho se viessem a descobrir que eu havia despendido soma relativamente elevada para presentear um amigo,

Permito-me ainda mencionar o exemplo do já citado Doutor Marcos Valério, que contraiu dívidas no valor de mais de cinqüenta milhões de reais tão-somente para atender à solicitação de um correligionário político, de quem recebeu apenas um aval pessoal, aliás de pouca utilidade prática. Não deve ficar sem registro igual demonstração de compreensão e visão de longo alcance dos bancos a quem Sua Senhoria recorreu, os quais aceitaram substituir garantias reais e fidejussórias usuais nos empréstimos pela garantia de recursos ainda a ser ganhos pela empresa mediante a execução futura de serviços publicitários, demonstrando assim sua confiança na capacidade empreendedora de nossa gente. Por uma questão de justiça, há que se fazer menção, igualmente, ao alto espírito cooperativo do Banco Central, aceitando que tais operações, que representam parcela não desprezível dos ativos das mencionadas instituições financeiras envolvidas, pudessem ser realizadas rapida e eficazmente.

Finalmente no DSE – Departamento de Surrealismo Explícito –, permito-me apenas mencionar, dada a exigüidade de tempo e de espaço, os fatos mais notáveis: a constatação da existência de um ministro-chefe que mantinha total alheamento aos fatos relevantes que ocorriam à sua volta, provavelmente assoberbado pela necessidade de coordenar mais de cinqüenta comissões administrativas e grupos de trabalho bem como conduzir contactos e negociações típicas de outras áreas da administração, tais como a fazenda nacional; a constatação de que a diretora financeira de empresa do Dr. Marcos Valério retro-mencionado não era capaz de se lembrar do faturamento, dos clientes, das dívidas e dos funcionários da dita organização; e a constatação de que diversos parlamentares e autoridades não se lembravam de recebimentos em espécie efetuados por eles próprios e suas consortes. Em tempo: ainda na área surrealista, é digna de menção e dos maiores encômios a nobre disposição da secretária da empresa benfeitora de posar nua para uma publicação masculina, gesto que certamente reforçará no público o sentimento de que nada há a esconder na atual gestão.

Sirvo-me do ensejo para renovar a Vossa Excelência os meus mais sinceros protestos de alta estima e distinguida consideração.


Publicado na Gazeta do Povo, 7 de agosto de 2005

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