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O   n   l   i   n    e
NOVEMBRO DE 2005

IMAGO
MUSSA JOSÉ ASSIS
Modelador de jornal, repórter e carpinteiro

Por Aroldo Murá G. Haygert

José Quirilos Assis fugiu à quase sina dos imigrantes de origem síria e libanesa que vieram para o Brasil em grandes levas a partir do século 19: nunca foi mascate. Era guerreiro, tinha sido condenado à morte no Líbano, oficial maronita (cristão católico) do exército libanês, e que trocara as fileiras oficiais para defender a pátria fazendo guerrilhas. Combatia os turcos invasores. Depois, em 1918, embora a França tenha assumido o Líbano como Protetorado, pondo fim à guerra, a pena de morte que fora contra ele decretada permanecia, e só anos depois seria levantada. Aflito, José, cuja família era de muitas posses, trata de casar. Não encontrando mais a ex-noiva, casa com Rajah, irmã da antiga prometida, e trata de partir para uma vida nova.

Com dinheiro em mãos, José Quirilos Assis, depois de passagens por França e intenções de fixar residência nos Estados Unidos, acaba no final de 1920, por influência de um primo distante, escolhendo o Brasil. O parente dera-lhe um motivo forte: “Você não será discriminado no Brasil, o contrário do que fazem os americanos”.

Da frondosa árvore plantada por José Quirilos e Rajah no Brasil nascem 13 filhos, o caçula deles, aquele que acabaria sendo um dos artífices mais reconhecidos do processo de modernização da imprensa do Paraná, Mussa José Assis.

E que aos 21 anos comandaria a redação da sede nacional do jornal Última Hora (UH), em São Paulo, tendo sob imediata supervisão pelo menos 800 pessoas. Era o jornal mais influente do País naqueles 1963-1964, para o bem ou para o mal. Dependendo do ângulo que se o visse.

Mussa, “o turco”, é o que se pode chamar de jornalista completo, dominando todas as etapas de uma redação de jornal e do seu parque gráfico. Esse senhorio que exerce reflete a quanto vai sua imersão no exercício jornalístico. Nada em jornal lhe é desconhecido. O que já incluiu muitas vezes — num ir muito além do jornalismo — até consertar linotipos, calandras, rotativas...

Criança : Seminarista, em 1954: Aprendizado para a vida (Arquivo)

E se registre: esse filho de libaneses, paulista de Pompéia, 62 anos, assumiu o UH nacional por escolha pessoal do condottiere Samuel Wainer.

Wainer e Assis Chateaubriand, este nos Associados, eram capitães maiores da mídia brasileira da época. Venerados, respeitados, temidos, plenos de amigos e, mais ainda, de desafetos. Mas são partes incontestáveis da história do País.

Latim nota nove

Dante Mendonça, chargista de fino humor, designer gráfico de muitas competências, redator, editor de cadernos, convive há 31 anos com Mussa, em quem identifica “uma espécie de pai”. Uma veneração por Mussa que Dante centra em dois aspectos: a lealdade (“ele não te surpreenderá, não te trairá”) e uma “incomparável capacidade de trabalho”. Uma obsessão pela atividade jornalística que — opina Dante — explicaria a quantidade de cigarros que Mussa fuma, “um atrás do outro”.

O rigor a que se impôs o jornalista Mussa José Assis pode ser explicado, em parte, pelas grandes influências recebidas: o primário no Internato Domingos Sávio, dos salesianos, em Lucélia, SP, a educação ginasial, por três anos, no Seminário Seráfico São José, dos frades capuchinhos, em Veranópolis, Rio Grande do Sul, completada no Colégio Duque de Caxias, dos mesmos capuchinhos, em Lagoa Vermelha, RS.

Foi lá com os franciscanos capuchinhos, com certeza, que aprendeu a ser ubíquo, o estar em vários lugares ao mesmo tempo: trabalhava na horta, no galinheiro, cultivava o solo, cuidava das parreiras, tirava leite de vacas, plantava flores e hortaliças. Ele e todos os outros seminaristas. E também cozinhavam suas refeições, cuidavam de suas roupas. Era uma escola de responsabilidades completa, com tempo para as orações e uma forte formação humanística. Eram oito aulas semanais de latim, outras tantas de português, francês, inglês, grego...

Do latim e do português rigorosamente aprendidos colheu, depois, em Curitiba, os frutos para a sua manutenção: enquanto fazia o colegial no Colégio Estadual do Paraná, Mussa tornou-se professor substituto de latim. A escolha para cobrir faltas e férias de titulares da cadeira foi feita pelo latinista rigoroso, exigente, professor Ulisses de Mello e Silva, tio do governador Roberto Requião, e então diretor do Colégio Estadual do Paraná. O Estadual era um colégio de excelência nacional e orgulhosamente exibia, nas palavras de mestres, alunos e documentos que expedia, ser “equiparado ao Colégio Dom Pedro II”. Querem maior honra para aqueles tempos, importante realidade, mesmo para os dias atuais?

De Ulisses, ao final da prova a que submeteu Mussa para o trabalho eventual — mas que se prolongou por três anos — veio o veredicto: estava aprovado. Nota nove (e não dez), porque Mussa teria, às vezes, “um latim de cozinha”. Na verdade, um latim com toques eclesiásticos, mas totalmente gramatical, o qual mesmos os atuais alunos de cursos de letras não têm condições de sequer esboçar.

Despedida de solteiro, entre jornalistas, em 1967: no grupo, Luiz Carlos Cunha Zanoni, Jorge Narozniak, Paulo Marins de Souza, Antônio Nunes Nogueira (Arquivo)

Fabricante de talentos

Para Luiz Augusto Xavier, jornalista especializado em esportes, que convive diariamente com Mussa desde 1976 em O Estado do Paraná (OEP), “o que me impressiona nele é a acuidade com que afere se alguém tem talento ou não para o jornalismo”. Seria, então, um “fabricante de talentos”, na visão de Xavier. A essa qualidade, ele acrescenta outra para explicar o tipo humano e profissional de Mussa: “Ele tudo observa numa redação, nada lhe passa despercebido” e “tem um texto esplendidamente objetivo”.

O português de contornos clássicos aprendido com os salesianos e capuchinhos não seria, sozinho, suficiente para montar um bom jornalista. Por isso, ao ingressar na Sucursal de Curitiba do jornal Última Hora, em 1961, Mussa iria aprender a apurar as notícias e a escrevê-las. E a fazer opinião (diferenciando as duas situações). O mestre foi o baiano jornalista Carlos Coelho, um curitibano por opção, chefe da sucursal. Coelho ensinou-lhe todos os meandros do texto jornalístico; e a como escrever direto, com o substantivo prevalecendo, sem adjetivações; texto muitas vezes telegráfico, na luta contra o tempo e o espaço, mas que haveria de conter as informações essenciais. E com savoir dire, se possível, mas com enfoque prioritário aos detalhes impactantes.

Mussa e Bacilla Neto, João Dedeus Freitas Neto e Ênio Malheiros: encontro com o governador Alvaro Dias, em 1987 (Arquivo)

Carlos Coelho foi um dos mestres do aprendiz de repórter, que se mudara de Tupi Paulista (onde a família tinha casa de comércio forte, depois de o pai ter sido atacadista de café em Salto Grande, e dono de fazenda de café e algodão em Pompéia) para Curitiba no final de 1958.

Em Curitiba, o “primo” Aníbal Khury o acolheria nos primeiros meses, com dona Niva, na casa da rua Desembargador Costa Carvalho. Auxiliava no escritório do político Aníbal e do advogado Airton Costa Loyola e depois seria revisor em O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. A primeira carteira profissional assinada na editora de Paulo Pimentel data de 61, quando também conseguiu o registro de jornalista profissional. Tinha 18 anos. Passos iniciais de quem, de fato, se tornaria professor da cadeira de Técnica de Jornal, em cursos de jornalismo da PUC-PR (então UCP) Universidade Federal do Paraná (nesta, por poucos anos).

Com o primo José Richa, anos 1980 (Arquivo)

No interior paulista já tinha tido experiências com imprensa, fazendo, à mão (catando letra por letra dos tipos móveis) a composição de páginas do jornal semanário O Imparcial, de Tupi Paulista. No Colégio Estadual do Paraná, no científico de 59 a 61, ao lado de Newton Finzeto, redigia era o responsável pelo jornal do Centro Estudantil.

Grandes momentos

Do antigo seminarista, criado em primeiro lugar pela fidelidade cristã dos maronitas José Quirilos e Rajah, são bem visíveis digitais definitivas. Uma delas, a ligação com a família e um certo recato em preservar a vida pessoal. Mora em Guaraituba, à beira da Estrada da Ribeira, em Colombo, há 25 anos. Casa grande, um alqueire de terra, já teve entorno rural. Espaço em que ele e Guiomar, filha de italianos de Gênova, criaram os seis filhos: Marcelo (engenheiro cartógrafo), Rodrigo (engenheiro civil), Érica (veterinária), Fernanda (juíza de direito em Francisco Beltrão, casada com promotor), Francisco (jornalista, secretário de redação de O Estado do Paraná, pós-graduado na Espanha) e Cláudio (advogado). Mussa criou os seis carregando-os no velho Galaxy, que o acompanha até hoje, da casa para o Colégio Medianeira e vice-versa. Uma epopéia.

Mussa — diretor do Grupo Paulo Pimentel — não freqüenta vida social, raramente atende convites, não circula, não tem tempo para bares, restaurantes. Uma forma até de se preservar. E assim se comportava em São Paulo, quando o garoto Mussa passou ao mais importante posto operacional de UH, abaixo do diretor de redação. Morava, entre 63 e 64, em apartamento ao lado do jornal, que funcionava como espécie de hotel de trânsito de dirigentes da empresa. Tinha até ramal telefônico direto do PABX do jornal. Essa proximidade com os fatos, o peso das responsabilidades, o contato com talentos e valores humanos excepcionalmente combativos que preenchiam a atmosfera do jornal — mais o cheiro de tinta de impressão — foram decisivos para a formatação final do jornalista.

— Eu não passeava em São Paulo, minha vida era só o jornal. Daí para acabar dominando todas as etapas da mídia impressa diária foi um pulo, observa Mussa.

Com Paulo Pimentel, nos anos 1960: admiração pelo administrador PP (Arquivo)

Foi assim que se tornou aquele que, em dialeto de jornal, se denomina de “carpinteiro”, alguém que monta, secretariando ou editando, as páginas de uma edição, com cuidados e sabedoria, faro e sensibilidade que se repetem todos os dias. Trabalho anônimo diante do grande público, mas que é, na verdade, o definidor da qualidade do jornal que teremos no dia seguinte.

O “turco” é dos poucos profissionais de imprensa do País, na ativa, que viveu e interagiu em jornal, de Gutemberg à cibernética: catou tipos tipográficos à mão para montar páginas, trabalhou em linotipos com suas “usinas” de chumbo derretido, acompanhou a chegada da máquina geppetto, o computador, o advento do past-up e da impressão off-set, a computação gráfica, até à entronização plena da era digital na confecção de jornal. Seu perfil especial fez dele membro do júri que selecionava o Prêmio Esso de Jornalismo, nos anos 70. No meio, no Brasil, distinção maior quase impossível.

Sílvio Caldas na campanha pela criação do Município de Francisco Alves, iniciativa liderada pelo turco. Lá Mussa é nome de praça pública (Arquivo)

Viu e viveu momentos históricos, nada a ver com um certo jornalismo asséptico que se pratica em muita imprensa hoje, sob ambientes climatizados, tudo on-line e reportagens feitas em grande parte por telefone ou e-mails, e com cumprimento “rigoroso” de carga horária de trabalho...

O UH, em S. Paulo e em todo o Brasil, estava no olho do furacão, quando eclodiu o movimento dos militares de 1964 que decretaria censura à imprensa e limitação às liberdades do cidadão. Mussa era o secretário nacional do jornal responsabilidade sob todas as sucursais e edições regionais). Pagou o preço, embora pudesse ter sido pior: em abril de 64 foi preso, foi interrogado pelo temido e poderoso delegado Fleury, do DOPS paulista, que tinha ao seu lado o então delegado Romeu Tuma. Passou 36 horas detido para interrogatório, sem comer, sem se movimentar. Como não se enquadrava como “subversivo”, foi libertado. Voltou ao Paraná.

Na segunda fase do Correio de Notícias, cuja redação dirigiu: Adherbal Fortes Sá Junior, Mussa, Fábio Campana, Jaime Lechinski e Pedro Franco (Arquivo)

Clara e a renovação

Clara Conti, arquiteta gaúcha e programadora gráfica de Última Hora, foi quem despertou em Mussa interesse para o design gráfico. Foi a mestra dele em SP. Ao voltar a Curitiba, e convidado em 1965 por Paulo Pimentel (que iria ser candidato a governador) a reformular do ponto de vista jornalístico e de programação visual O Estado do Paraná, Mussa chamou Clara para o trabalho conjunto que acabaram realizando com sucesso, incluindo uma nova logomarca. Foi a grande revolução visual e de conteúdo da imprensa do Paraná (outros dizem que foi com o Diário do Paraná, anos antes, com gente como Benjamin Steiner).

Mussa não se voltou apenas para a embalagem de um bom produto que nos anos 60 e 70 teria capital relevância nos meios de comunicação do Estado. Com ele desabrocharam ou ganharam novos espaços jornalistas como Hélio de Freitas Puglielli, Percival Charquetti (primeiro Prêmio Esso de Jornalismo conquistado por um paranaense), Francisco Camargo, Gilberto Grassi, Giberto Mezzomo, Luiz Carlos Cunha Zanoni e Aramis Millarch (também ganharam um Prêmio Esso de Jornalismo), os fotógrafos Edson (idem Prêmio Esso) e Osvaldo Jansen, os irmãos Paulo, Gilberto e Cleon Ricardo dos Santos, Ducastel Nicz, Albemir Amattuzzi, Carlos Roberto Maranhão, Laurentino Gomes (hoje diretor do Grupo Abril em SP), Luiz Augusto Ribeiro.

Ayrton Luiz Baptista (esq.), Mussa e Luiz Geraldo Mazza, no Encontro Nacional de Comunicação Social, 1972, realizado na Universidade Católica do Paraná (hoje PUC-PR) (Arquivo)

O Estado do Paraná nas mãos de Mussa se fez solidamente estadual, com peso historicamente ímpar junto à opinião pública. Marcou-se, na época, como jornal identificado com o Paraná, e pelo qual haviam passado, como primeiros construtores do veículo, diretores de redação como João Dedeus Freitas Neto e João Feder.

Observatório da história

Há 47 anos fazendo jornal — desde quando começou como revisor —, Mussa escreveu com maestria sua parte, no processo de fazer jornal moderno, tanto na linguagem e técnica (influência do jornalismo norte-americano que absorvemos), quanto até na restante cadeia de produção e distribuição do jornal. No tempo que secretariou a sucursal de UH no PR, comandou, de 1961 a 1962, tempos heróicos: o jornal era feito com agilidade e ousadia e por um grupo profissional “sem muita ligação com a sociedade conservadora de Curitiba”, conforme Mussa. “Tal distanciamento de ligações pessoais garantiria ousadias não cometidas por outros veículos”, diz.

O mais impressionante: o material jornalístico seguia de caminhão, que encontrava outro em Ribeira, o qual, de manhã, vinha trazendo a edição local pronta, impressa em São Paulo. Em Ribeira os motoristas se revezavam.

Outra parte do conteúdo do jornal era despachada por avião, em mãos de comandantes dos vôos comerciais. E ainda havia o material passado por telefone, numa operação em que a precariedade e demora das ligações (pedidas à meia-noite e um minuto para serem consumadas ao começo da noite) eram vencidas pelo talento e o interesse de fazer um jornal combativo.

Com Álvaro Dias, Mussa e Fábio Campana, que o indicou para sucedê-lo como secretário de Comunicação Social do Estado, em 1990 (Arquivo)

Que Mussa é um observador privilegiado e judicioso avaliador do que aconteceu no Paraná nos últimos 47 anos, não há dúvidas. E ele não esconde ter consciência disso, assim como não esconde — a uma indagação — as grandes admirações, os “santos” de sua reverência na história do Paraná que ele viu se desenrolar. E, em grande parte, história por ele registrada nos jornais (dentre eles, a segunda fase do Correio de Notícias, que dirigiu por três anos, a partir de 1983, tendo depois voltado ao OEP). No panteão de Mussa estão Paulo Pimentel, cujo governo, diz, deixou sólidas e definitivas realizações, como “quatro universidades de alta qualidade, aí incluída a Academia de Polícia do Guatupê renovando a segurança pública”; Jaime Lerner, “promotor da impressionante revolução urbana de Curitiba, urbanista de padrão universal, cuja ação foi decisiva para termos uma cidade preparada para o futuro”, assegura; Ney Braga, “modernizador do Paraná, promotor de mudanças e inovações, atuais até hoje, político que formou lideranças, uma expressão nacional”, justifica Mussa; Pedro Viriato Parigot de Souza, gerenciador de cérebros, revelador e educador de elite de administradores públicos; Bento Munhoz da Rocha Neto, “um político maior em todos os termos”; Aníbal Khury, articulador sem igual, “a história do Paraná dos últimos 50 anos passou por ele”, assinala o jornalista.

Na Justiça Federal em Curitiba Mussa José Assis é paraninfo de uma turma de homens e mulheres que obtêm a naturalização brasileira, em 1972 (Arquivo)

Dos grandes momentos da vida paranaense cobertos por Mussa, há a renúncia de Haroldo Leon Peres, em 1972, cuja cobertura para O Estado de S. Paulo (era correspondente do jornal paulista) acabou rendendo três páginas no Estadão; assim como, em tom bem-humorado lembra de uma “barriga” do seu O Estado: nos anos 80, o jornal insistiu em assegurar que Conrad Junior, o astronauta americano, teria nascido em Santa Catarina. Um equívoco de apuração do repórter, transformado em manchete porque Mussa acataria (como é de seu costume) o levantamento do profissional. Mas a grande repercussão pública foi a sua manchete “Curitiba joga merda na água que bebe”, sobre a contaminação da água que então — anos 80 — se distribuía em setores da cidade.

Fiel às bases montadas na família — “meus filhos, todos, estudaram em colégio religioso, e todos eles ainda me pedem bênção, o que também se estende aos quatro netos” — Mussa continua uma espécie de pater, a partir da sala de vidros da redação. Mais que chefe, para os jornalistas da casa ele é um padrão, e “um amigo, que disciplina com sabedoria, dono de extraordinária pedagogia”, opina João Alceu Ribeiro, editor de economia de O Estado do Paraná.

Álbum de família: Fernanda, Guiomar, Mussa, Marcelo (com a filha Marcela), Rodrigo, Érica, Francisco e Cláudio (Arquivo)

— Procuro responder perguntas, interfiro o menos possível no trabalho de cada um. O que passo é que estamos trabalhando com uma mídia que tem primazia sobre as outras. Se alguém duvida, observe os escândalos do mensalão que aí estão: eles começaram as ser denunciados por revistas, ganharam as páginas dos jornais. Depois, a mídia eletrônica não teve como ficar alheia às denúncias.

Este entusiasmo do “turco” com o jornal, particularmente, faz com que se exalte um pouco. No sotaque pincelado por entonações do interior paulista ele vai se despedindo. A uma provocação sobre a internet, que estaria colocando em xeque o jornal, ele responde: “O jornal é a rainha das mídias, a internet só faz aumentar a credibilidade do jornal, sua importância interpretativa e de análise”, diz.

Traduzindo: o jornal é eterno, enquanto houver a sustentá-lo gente que, como Mussa, conheça todas as suas artérias e as alimente. Scripta Manet.

Hereditário: Francisco José Z. Assis segue os passos do pai. Hoje, ele é o secretário de redação de O Estado do Paraná (Diego Singh)

Transcrita da Revista Idéias edição 30, novembro de 2005

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