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![]() Antonio Carlos Coelho é professor de Ecumenismo e Judaísmo do Studium Theologicum e diretor do Instituto Ciência e Fé. Estudou em Israel arqueologia bíblica e tradição judaica. Tem artigos publicados em diversos jornais e revistas. Lançou "Encontros Marcados com Deus - Expressão da unidade do povo de Deus" pela Paulinas, em abril de 1998. |
As
duas frentes do conflito Em 54 anos de independência, Israel enfrentou cinco guerras com os seus vizinhos. O conflito com os palestinos, durante esses anos, caracterizou-se basicamente por ataques terroristas e conseqüentes respostas de Israel, confrontos entre colonos judeus e árabes palestinos, entremeados por ondas de maior ou menor violência. Hoje alcança proporções de nos deixar de cabelo em pé. O número de mortos atingiu cifras alarmantes, comparadas apenas com a guerra da independência em 48. Novos fatos surgem dia-a-dia. Se há poucos dias, tratava-se - ou entendia-se - que o conflito consistia numa seqüência de atos violentos que se ampliavam na medida em que aumentava a freqüência dos atentados e a conseqüente resposta de Israel, após Pessach, o conflito ganhou as proporções de uma guerra de conseqüências que ultrapassam os limites geográficos do pequeno Estado de Israel. Israel parece não ter mais o controle da situação. É praticamente impossível impedir atos amadores e espontâneos dos jovens de Arafat, por maior que seja a capacidade da sua tecnologia e inteligência militar. O serviço de informação israelense não busca mais os terroristas clássicos da década de 70 e 80. Os terroristas de hoje são jovens de 18 ou 20 anos, vindos das aldeias e dos mercados, dispostos a integrar a relação dos "mártires de Jerusalém". Arafat não pode sair do seu QG de Ramallah: pressão imposta ao líder palestino que, se é indispensável, não tem trazido bons resultados. Faz dele a vítima que sempre quis parecer ser. Lá recebe visitas de ilustres representantes de organizações que se apresentam como democráticas, humanitárias e solidárias ao seu sofrimento. Tem a atenção dos religiosos e as refeições garantidas pelo patriarca católico. Por medo de ser morto, cerca-se de estrangeiros - bem recompensados para fazer a "desgraça" de Israel. Arafat, através da TV Al Jazzera, manifestou seu desejo de ser também um mártir da causa palestina. Modo em que encontrou para arregimentar mais e mais jovens suicidas. Apelou para os sentimentos cristãos lamentando a destruição da imagem de Maria em Belém. Na Páscoa, aproveitando a ausência dos costumeiros peregrinos cristãos, prometeu: "quando tremularem as bandeiras palestinas sobre as torres das igrejas, haverá paz e prosperidade a Terra Santa, terra onde o Nosso Senhor Jesus viveu e morreu". Explora sentimentos religiosos para plantar o ódio. Aproveita o antijudaísmo que permeia muitas organizações humanitárias e religiosas fazendo delas, agências internacionais da sua mais recente modalidade anti-semita - o preconceito com linguagem "politicamente correta". Mas é de fora do QG de Ramallah que partem as distorcidas versões dos fatos. Enquanto as explosões suicidas são interpretadas como única saída para o "humilhado, pobre e desesperançoso" povo palestino, desconsidera-se a origem, a influência política da região e da religião, os interesses que estão por trás da não aceitação das propostas já feitas em acordos passados aos palestinos. Desconsidera-se o direito de defesa e de existência de Israel. Por que? Porque Israel é organizado, tem uma força de defesa instituída e bem formada, tem um governo eleito democraticamente, que assume seus atos e se posiciona diante das organizações internacionais. Porque Israel, pelas suas características, faz parte do mundo moderno e está entre no rol das nações desenvolvidas, portanto, está mais exposto às pressões internacionais. Porque Israel é desde o seu primeiro dia, um estado e não é uma organização multifacetada, sem liderança definida para que não precise responder por seus atos. Apesar da gravidade do conflito israelo-palestino e do perigo que ele oferece a paz mundial, há quem saiba tirar proveito da situação. A mídia internacional tem um papel fundamental nesse jogo. Forma a opinião pública de modo desfavorável a Israel. Explora manchetes escandalosas favorecendo a especulação financeira. Por outro lado, as empresas petroleiras que ganham com a duração e o recrudescimento do conflito; os governos, condenam formalmente o terrorismo mas manifestam discretamente solidariedade à causa palestina, pois, conforme o momento político, essa postura pode ser interessante. Além disso, garantem o fornecimento de petróleo e o comércio com os países do Oriente Médio; demonstram independência e afastamento da política dos EUA e os pressionam a facilitar o seu mercado. As organizações humanitárias e religiosas fazem lobby nos parlamentos negociando apoio para as suas causas, trocando favores, etc. Paralelo a isso, há o capital árabe investido nos bancos ocidentais, e que, obviamente desperta interesse de muitas organizações dispostas a apoiar a causa palestina, em troca de alguma ajudinha financeira para realização de projetos no âmbito político e social nos países em que atuam. Enquanto isso, os efeitos do conflito se estendem além das fronteiras do Estado de Israel, atingindo aqueles que estão ligados afetiva ou espiritualmente a ele. Atos contra judeus e suas instituições se multiplicam. Diversos atentados já ocorreram na França, Bélgica, Alemanha. E também, não está longe a possibilidade de ser atribuída aos judeus a responsabilidade pela alta do preço do petróleo. E pelo visto, estes atos todos, não merecerão mais do que uma formal condenação, assim como se faz aos atos terroristas promovidos pelos palestinos nas cidades israelenses. A guerra em Israel acontece em duas frentes: na frente interna, apesar da superioridade militar, Israel não tem conseguido vencer os terroristas amadores. Luta com um inimigo oportunista que prefere agir nos parques, nos shoppings, nos restaurantes, nas sinagogas. A economia fica comprometida, a sociedade, esgotada pelo terror, divide-se em opiniões, gerando instabilidade política e dificuldade até mesmo para combater o mal que atinge Israel. Na frente
internacional, os atentados verbais, morais e físicos aos judeus
mostram o quanto o conflito se estendeu, gerando angústia mesmo
àqueles que acreditam estar seguros em seus países. Isto
não ocorre por acaso. A irresponsabilidade da imprensa em noticiar
tendenciosamente os fatos e o apoio de muitos que possuem certa credibilidade
à causa palestina, contribuem para o crescimento de uma nova onda
antijudaica, que, se difere daquela desenvolvida pelo nazismo apenas pela
argumentação. Hoje o antijudaísmo aparece embutido
nos discursos pretensamente éticos e politicamente corretos. Extraído do jornal Visão Judaica - edição de abril 2002 |
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