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Newton
Freire-Maia:
Nascido em Boa Esperança (MG), em 29 de junho de 1918, Freire-Maia doutorou-se em Ciências Biológicas (Biofísica) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1960 com a tese "Casamentos Consangüíneos no Brasil". Ingressou na Universidade Federal do Paraná em 1951, tendo sido até o início dos anos 70 chefe do Departamento de Genética. Atuou nas áreas de Genética Humana e Médica. Escreveu aproximadamente 500 trabalhos científicos, 19 livros (dois deles publicados nos Estados Unidos) e foi co-autor de obras editadas na Inglaterra, Holanda e França. Freire-Maia costumava contar que sua paixão pela ciência nasceu quando, ainda menino, viu a radiografia do abdome doente de um amigo. A partir daí, passou a se interessar tanto pelo corpo humano que se tornou um dos maiores especialistas mundiais em genética. A verdade é que a ciência esteve sempre presente na vida de Freire-Maia. Graduado em Biologia pela USP, trabalhou com André Dreyfuss, um dos pioneiros dos estudos de genética no país. Seu trabalho na UFPR começou com o estudo da genética de populações de drosófilas (moscas-de-fruta) domésticas. Conseguiu uma bolsa para estudar nos Estados Unidos e passou dois anos na Universidade de Michigan especializando-se em genética humana. Começou então a estudar os casamentos consangüíneos, as mal formações dos membros por ausências ou reduções ósseas, e, nos últimos 30 anos, vinha se dedicando aos estudos de displasias ectodérmicas – uma doença hereditária que afeta vários tecidos da pele. Quando iniciou os trabalhos, o número total de displasias ectodérmicas conhecidas era menor que 10. Atualmente, chega perto de 200. Freire-Maia descobriu 23 ao longo dos estudos, mais de 10% do total que o mundo descreveu. Freire-Maia trabalhou também em Genebra (Suíça) na Organização Mundial de Saúde. Em 2002, recebeu do então presidente Fernando Henrique Cardoso a condecoração de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. "Ele era uma pessoa muito sensível, tinha muito carinho com as famílias de afetados pela displasia ectodérmica", disse Mayana Zatz, professora de Genética Humana e Médica Coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fapesp. "Além de formar centenas de geneticistas, deixa um grande legado para a ciência brasileira. Será sempre lembrado com carinho e respeito como um exemplo a ser seguido." Elias Karam Jr., chefe do Departamento de Genética de UFPR, considera que a perda do colega deixa uma grande lacuna na comunidade científica. "Com uma profunda cultura humanística e uma sólida formação acadêmica, Freire-Maia contribuiu para o desenvolvimento da ciência e o engrandecimento do nosso país", disse. Ateu convicto no início da carreira, Freire-Maia tornou-se religioso após ser convertido por um padre franciscano. Nos últimos anos, vinha dedicando boa parte de estudos às relações entre ciência e religião. Foi um dos fundadores do Instituto Ciência e Fé, no início da década de 90. "Quando menino, fui levado a acreditar que a Bíblia deveria ser interpretada ao pé da letra. O frade me convenceu de que a religião é muito mais livre do que eu pensava", declarou em recente entrevista. Casado com Eleidi Alice Chautard-Freire-Maia, deixa três filhos e nove netos. O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, decretou luto oficial de três dias em função da morte do cientista. O estado do Paraná também presta a sua homenagem, através do Parque da Ciência, que será reaberto com o nome de Newton Freire-Maia. O anúncio foi feito pelo governador Roberto Requião no último dia 22 de maio. |
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