Dr.
Edmilson Mário Fabbri é clínico médico,
cirurgião do estômago e diretor da Stressclin, clínica
de prevenção e tratamento do stress.
|

N O V E M B R O D E 2 0 0 3
Bem-estar
Buscando o equilíbrio para evitar o stress
Dr.
Edmilson Mário Fabbri
Nossos avós tinham stress? Claro que sim! E nossos bisavós,
tataravós, todos enfim. Então, por que hoje o stress é
tão falado? Porque mudou sua intensidade e freqüência.
Mudou nosso estilo de vida. Ocorreu uma "macdonaltização"
dos costumes, com isso o stress, hoje, é mais freqüente e
mais intenso. Este é o preço que pagamos pelo mundo moderno,
pelo "conforto" que o progresso nos trouxe. Computador, internet,
globalização, trânsito, competitividade e mercado
financeiro.
Mas, afinal, o que é esse tal de stress? Tecnicamente falando,
é a mobilização geral do organismo, preparando-se
para a emergência. É a reação do lutar ou fugir,
que Cannon, médico inglês, cunhou. Diante das situações
de perigo, nos preparamos para lutar ou para fugir:
-
Aceleração do coração – bombeamento
mais rápido do sangue;
- Extremidades frias, palidez – o sangue se dirige aos órgãos
nobres: coração, cérebro e rins;
- Respiração ofegante – melhor oxigenação,
etc.
Podemos considerar ainda duas formas de stress, o bom e o mau stress:
- Bom stress: é aquela estimulação favorável,
para o trabalho, esporte, enfim, tudo que fazemos com moderação.
- Mau stress: seria um desarranjo dos ritmos da vida: mental, físico
e emocional.
O grande segredo para o equilíbrio do nosso organismo é
o respeito aos nossos ritmos. O problema é que o sistema exige
que vivamos em ritmos que muitas vezes são incompatíveis
com o nosso biorritmo e é aí que começam os problemas.
Na nossa correria do dia-a-dia, nos estressamos com tudo, estamos sempre
correndo, atrasados, enfrentando um trânsito maluco, excesso de
buzinas, de carros, radares, lombadas – só aí já
é de ficar louco.
Chegando ao trabalho, nesse ponto varia a ótica que cada um tem
do trabalho. Se o tem como uma obrigação insuportável
ou se o executa com prazer apesar das dificuldades. A competitividade
dentro das empresas pela manutenção do emprego não
é nem por promoção, é por manutenção
mesmo. Para cada vaga existe uma infinidade de pretendentes.
Sim, mas qual a solução? Temos que quebrar este ritmo louco
da vida, temos que parar com essa falta de tempo para nós mesmos.
Para isto o grande trabalho a ser executado é a mudança
de atitude... Pensamento positivo, determinação na solução
dos problemas. Todos os problemas são inicialmente mentais, depois
emocionais, e por último físicos. Nosso corpo é um
terminal de computador. Os problemas ocorrem como uma programação.
O nosso pensamento interage com nosso corpo. Se dissermos "estou
cansado", nos sentimos mais cansados. Temos que nos motivar na hora
do cansaço, assim o corpo se recicla, se regenera.
Hoje, como médico, percebo claramente que a cura das pessoas não
está em apenas receitar este ou aquele remédio, ou mostrar
a solução dos problemas. Está muito mais em estimular
a se ajudar, a compreender seus problemas e trabalhar na solução.
A depressão e a ansiedade têm sido consideradas os grandes
problemas atuais.
Dificuldades financeiras, problemas familiares, falta de perspectiva em
relação ao futuro, enfim, a cada dia temos mais dificuldades
para lidarmos com essas situações e ficamos reféns
de nós mesmos, com nossos medos e inseguranças.
Valorizar mais o ser humano e menos o remédio é o desafio
do médico.
Algumas dicas para uma vida menos estressante:
-
Torne seu astral mais elevado, não se abale facilmente;
- Deixe sua casa mais alegre, seu ambiente de trabalho mais leve, mais
iluminado, ventilado, cores claras;
- Evite alimentos que estressem o organismo: frituras em excesso, açúcares,
etc;
- Beba muito líquido durante o dia;
- Evite excesso de álcool e tabaco;
- Pratique esportes regularmente (são sempre uma válvula
de escape). Caminhadas trazem um relaxamento. Um organismo bem condicionado
fisicamente e relaxado não acumula tensões;
- Melhore sua autoconfiança, tenha mais fé, seja mais
afetivo e mantenha uma imagem positiva de si mesmo;
- E, por último, visite seu médico regularmente, ele pode
analisar com precisão a que nível anda o seu stress e
qual é o melhor remédio para você.
< retorna ao sumário
|
|