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Dom Pedro Fedalto é arcebispo de Curitiba.


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Artigo
Jubileu de Ordenação Sacerdotal

Dom Pedro Fedalto



Que retribuirei ao Senhor Deus pelo dom da minha vocação sacerdotal? Invoco o Senhor com hinos de ação de graças.

Foi no dia 06 de dezembro de 1953, às 8 horas, na Catedral de Curitiba, que Dom Manuel da Silveira D’Elboux, Arcebispo Metropolitano, conferiu-me a ordenação sacerdotal, juntamente com Dom Albano Bortoletto Cavallin, Arcebispo de Londrina, Dom Antônio Agostinho Marochi, Bispo Emérito de Presidente Prudente, São Paulo, Monsenhor Francisco Gorski, ex-pároco de Água Verde e Monsenhor João Augusto Sobrinho, ex-pároco da Igreja dos Passarinhos, Bigorrilho, ambos de saudosa memória. Éramos todos colegas do Seminário de São José de Curitiba, onde completamos o primeiro grau, que terminava no 5º ano, e fizemos o ginásio que era feito em seis anos, com exímios formadores, Padres Lazaristas da Província do Rio de Janeiro, mineiros, coadjuvados no nosso tempo por dois professores diocesanos, Monsenhor Vicente Vítola, decano do clero diocesano, Presidente do Cabido Metropolitano e Reitor da Igreja de Nossa Senhora da Glória, e Monsenhor Engilberto Bruggenthies, de Palmas e Francisco Beltrão.

Fui designado para fazer Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, São Paulo, em 1947, juntamente com Dom Albano Cavallin e Monsenhor João Augusto Sobrinho e no ano seguinte para lá também foram Dom Agostinho Marochi e Monsenhor Francisco Gorski. Em 1947, eram treze formadores e professores de tempo integral, de alto nível, com mestrado e doutorado, tendo sido escolhidos bispos dois reitores e quatro professores. Em 1953, a turma era composta por 32 seminaristas que se ordenaram, sendo cinco bispos e dos contemporâneos mais 15.

Ao ser ordenado, escrevi na minha lembrança: "O padre é outro Cristo para ensinar aos homens as verdades do Evangelho".

Muitas vezes, pensei que fosse ousadia comparar-me a Jesus Cristo. Fiquei gratificado quando o Papa João Paulo II, na ordenação sacerdotal, no Maracanã, Rio de Janeiro, a 2 de julho de 1980, disse em sua homilia: "A expressão ‘Sacerdos alter Christus’, o sacerdote é outro Cristo, não é um simples modo de dizer, uma metáfora, mas, sim, maravilhosa, surpreendente e consoladora realidade".

Tornei-me sacerdote por graça de Deus para ser ministro da Palavra, da Liturgia e da Caridade.

Ministro da Palavra

O padre deve ser a voz de Deus para anunciar o Evangelho a todos, sem acepção de pessoas, mas de preferência evangélica aos pobres, com mansidão e coragem, como é a oração da missa, no dia da ordenação. A palavra deve ser com mansidão, sem ofender a ninguém e com coragem para não se omitir, baratear a Palavra de Deus, pregar só o que agrada ao povo.

Jesus Cristo e os Apóstolos foram corajosos, não tiveram medo de evangelizar.

Ser Ministro da Liturgia

O Ministro da Liturgia deve administrar os sacramentos, sinais visíveis da graça divina. Toda liturgia deve ser centralizada na Eucaristia, a missa.

Celebrei diariamente por cinqüenta anos a missa, menos na Sexta-Feira Santa e quando fui hospitalizado, diversas vezes, por ocasião de acidentes e cirurgias. Fui fiel à recomendação da Igreja que orienta os sacerdotes a celebrar diariamente a missa.

Ser Ministro da Caridade

Procurei na medida do possível ser caridoso para com todos, nem perseguindo a ninguém e nem protegendo por demagogia e interesse, a não ser os que necessitavam de apoio e de proteção.

Datas marcantes em meus cinqüenta anos:

Nascimento: 11/08/1926 – Batismo: 29/08/1926 – Crisma: 09/10/1932 – 1ª Eucaristia: 10/01/1937 – Ingresso no Seminário São José: 02/02/1940 – Seminário Central do Ipiranga: 13/02/1947 – Ordenação Presbiteral: 06/12/1953 – Nomeação de Secretário do Arcebispo: 17/01/1954 – Nomeação de Bispo Auxiliar: 30/05/1966 – Ordenação Episcopal: 28/08/1966 – Nomeação de Arcebispo: 30/12/1970, posse em 28/02/1971.

A nomeação de Secretário do Arcebispo causou-me surpresa e medo. Foi providencial para a perseverança em minha vocação. Dom Manuel foi verdadeiro pai, um continuador em minha formação. Depois de Deus, devo a Dom Manuel o que sou. Foi meu melhor mestre. Ensinou-me a ser padre e bispo.

Aprendi a relacionar-me com as pessoas, sobretudo com os padres, com mansidão e paciência, como ensinava São Francisco de Sales, tendo entrado na Associação dos Padres de São Francisco de Sales, como padre, pertencendo à mesma até hoje.

Foi Dom Manuel que, a 23 de maio de 1966, entregou-me a carta do Núncio Apostólico Dom Sebastião Baggio dizendo que o Papa Paulo VI me nomeava Bispo Auxiliar de Curitiba.

Diante de minha hesitação em aceitar a nomeação, Dom Manuel encorajou-me com as seguintes palavras: "A voz do Papa é a voz de Deus. Ninguém é juiz em própria causa. Aceite, com espírito de fé". Escolhi o lema: "A Verdade na Caridade", sendo ordenado Bispo em 28 de agosto de 1966.

Depois de permanecer dezesseis anos a seu lado, veio morrer repentinamente, estando eu em Santa Catarina, em São Bento, para ungir Dona Angélica Pandolfo, que era minha dirigida espiritual e seu confessor por muitos anos em Curitiba. Passei a noite inteira na Catedral, em seu velório, orando, chorando, meditando e dizendo: por que não fiz mais por Dom Manuel?

Nova surpresa e temor a 23 de dezembro de 1970, através do telefonema do Núncio Apostólico Dom Umberto Mozzoni comunicando-me que o Papa Paulo VI me nomeava Arcebispo de Curitiba.

Foi surpresa, porque era Bispo Auxiliar, nomeado há pouco tempo, e novo, com 44 anos.

Foi novo ato de fé e confiança aceitar ser o Arcebispo de Curitiba, empossado em 28 de fevereiro de1971.

Agradeço à Comissão Organizadora do Jubileu, tendo à frente Dom Ladislau Biernaski, Bispo Auxiliar. Ao completar Jubileu Áureo de sacerdócio, manifesto meu reconhecimento aos Senhores Vereadores pelas homenagens recebidas: na Câmara Municipal, através do Vereador Antônio Bueno e aos Senhores Deputados na Assembléia Legislativa pela proposição do Deputado Ângelo Carlos Vanhoni. Igualmente sou grato às homenagens da CRB, com a missa na matriz do Senhor Bom Jesus, a muitas paróquias, pastorais, movimentos e associações católicas.

Deus recompense a todos e que as bênçãos de Deus, emanadas de minhas mãos sacerdotais no decorrer destes cinqüenta anos, desçam sobre todos, fortalecendo-os na fé, esperança e caridade.


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