Dom
Pedro Fedalto é arcebispo de Curitiba.
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D E Z E M B R O D E 2 0 0 3
Artigo
Jubileu de Ordenação Sacerdotal
Dom
Pedro Fedalto
Que retribuirei ao Senhor Deus pelo dom da minha vocação
sacerdotal? Invoco o Senhor com hinos de ação de graças.
Foi
no dia 06 de dezembro de 1953, às 8 horas, na Catedral de Curitiba,
que Dom Manuel da Silveira D’Elboux, Arcebispo Metropolitano, conferiu-me
a ordenação sacerdotal, juntamente com Dom Albano Bortoletto
Cavallin, Arcebispo de Londrina, Dom Antônio Agostinho Marochi,
Bispo Emérito de Presidente Prudente, São Paulo, Monsenhor
Francisco Gorski, ex-pároco de Água Verde e Monsenhor João
Augusto Sobrinho, ex-pároco da Igreja dos Passarinhos, Bigorrilho,
ambos de saudosa memória. Éramos todos colegas do Seminário
de São José de Curitiba, onde completamos o primeiro grau,
que terminava no 5º ano, e fizemos o ginásio que era feito
em seis anos, com exímios formadores, Padres Lazaristas da Província
do Rio de Janeiro, mineiros, coadjuvados no nosso tempo por dois professores
diocesanos, Monsenhor Vicente Vítola, decano do clero diocesano,
Presidente do Cabido Metropolitano e Reitor da Igreja de Nossa Senhora
da Glória, e Monsenhor Engilberto Bruggenthies, de Palmas e Francisco
Beltrão.
Fui designado para fazer Filosofia e Teologia no Seminário Central
da Imaculada Conceição do Ipiranga, São Paulo, em
1947, juntamente com Dom Albano Cavallin e Monsenhor João Augusto
Sobrinho e no ano seguinte para lá também foram Dom Agostinho
Marochi e Monsenhor Francisco Gorski. Em 1947, eram treze formadores e
professores de tempo integral, de alto nível, com mestrado e doutorado,
tendo sido escolhidos bispos dois reitores e quatro professores. Em 1953,
a turma era composta por 32 seminaristas que se ordenaram, sendo cinco
bispos e dos contemporâneos mais 15.
Ao ser ordenado, escrevi na minha lembrança: "O padre é
outro Cristo para ensinar aos homens as verdades do Evangelho".
Muitas vezes, pensei que fosse ousadia comparar-me a Jesus Cristo. Fiquei
gratificado quando o Papa João Paulo II, na ordenação
sacerdotal, no Maracanã, Rio de Janeiro, a 2 de julho de 1980,
disse em sua homilia: "A expressão ‘Sacerdos alter Christus’,
o sacerdote é outro Cristo, não é um simples modo
de dizer, uma metáfora, mas, sim, maravilhosa, surpreendente e
consoladora realidade".
Tornei-me sacerdote por graça de Deus para ser ministro da Palavra,
da Liturgia e da Caridade.
Ministro
da Palavra
O padre deve ser a voz de Deus para anunciar o Evangelho a todos, sem
acepção de pessoas, mas de preferência evangélica
aos pobres, com mansidão e coragem, como é a oração
da missa, no dia da ordenação. A palavra deve ser com mansidão,
sem ofender a ninguém e com coragem para não se omitir,
baratear a Palavra de Deus, pregar só o que agrada ao povo.
Jesus Cristo e os Apóstolos foram corajosos, não tiveram
medo de evangelizar.
Ser
Ministro da Liturgia
O Ministro da Liturgia deve administrar os sacramentos, sinais visíveis
da graça divina. Toda liturgia deve ser centralizada na Eucaristia,
a missa.
Celebrei diariamente por cinqüenta anos a missa, menos na Sexta-Feira
Santa e quando fui hospitalizado, diversas vezes, por ocasião de
acidentes e cirurgias. Fui fiel à recomendação da
Igreja que orienta os sacerdotes a celebrar diariamente a missa.
Ser
Ministro da Caridade
Procurei na medida do possível ser caridoso para com todos, nem
perseguindo a ninguém e nem protegendo por demagogia e interesse,
a não ser os que necessitavam de apoio e de proteção.
Datas
marcantes em meus cinqüenta anos:
Nascimento: 11/08/1926 – Batismo: 29/08/1926 – Crisma: 09/10/1932
– 1ª Eucaristia: 10/01/1937 – Ingresso no Seminário
São José: 02/02/1940 – Seminário Central do
Ipiranga: 13/02/1947 – Ordenação Presbiteral: 06/12/1953
– Nomeação de Secretário do Arcebispo: 17/01/1954
– Nomeação de Bispo Auxiliar: 30/05/1966 – Ordenação
Episcopal: 28/08/1966 – Nomeação de Arcebispo: 30/12/1970,
posse em 28/02/1971.
A nomeação de Secretário do Arcebispo causou-me surpresa
e medo. Foi providencial para a perseverança em minha vocação.
Dom Manuel foi verdadeiro pai, um continuador em minha formação.
Depois de Deus, devo a Dom Manuel o que sou. Foi meu melhor mestre. Ensinou-me
a ser padre e bispo.
Aprendi a relacionar-me com as pessoas, sobretudo com os padres, com mansidão
e paciência, como ensinava São Francisco de Sales, tendo
entrado na Associação dos Padres de São Francisco
de Sales, como padre, pertencendo à mesma até hoje.
Foi Dom Manuel que, a 23 de maio de 1966, entregou-me a carta do Núncio
Apostólico Dom Sebastião Baggio dizendo que o Papa Paulo
VI me nomeava Bispo Auxiliar de Curitiba.
Diante de minha hesitação em aceitar a nomeação,
Dom Manuel encorajou-me com as seguintes palavras: "A voz do Papa
é a voz de Deus. Ninguém é juiz em própria
causa. Aceite, com espírito de fé". Escolhi o lema:
"A Verdade na Caridade", sendo ordenado Bispo em 28 de agosto
de 1966.
Depois de permanecer dezesseis anos a seu lado, veio morrer repentinamente,
estando eu em Santa Catarina, em São Bento, para ungir Dona Angélica
Pandolfo, que era minha dirigida espiritual e seu confessor por muitos
anos em Curitiba. Passei a noite inteira na Catedral, em seu velório,
orando, chorando, meditando e dizendo: por que não fiz mais por
Dom Manuel?
Nova surpresa e temor a 23 de dezembro de 1970, através do telefonema
do Núncio Apostólico Dom Umberto Mozzoni comunicando-me
que o Papa Paulo VI me nomeava Arcebispo de Curitiba.
Foi surpresa, porque era Bispo Auxiliar, nomeado há pouco tempo,
e novo, com 44 anos.
Foi novo ato de fé e confiança aceitar ser o Arcebispo de
Curitiba, empossado em 28 de fevereiro de1971.
Agradeço à Comissão Organizadora do Jubileu, tendo
à frente Dom Ladislau Biernaski, Bispo Auxiliar. Ao completar Jubileu
Áureo de sacerdócio, manifesto meu reconhecimento aos Senhores
Vereadores pelas homenagens recebidas: na Câmara Municipal, através
do Vereador Antônio Bueno e aos Senhores Deputados na Assembléia
Legislativa pela proposição do Deputado Ângelo Carlos
Vanhoni. Igualmente sou grato às homenagens da CRB, com a missa
na matriz do Senhor Bom Jesus, a muitas paróquias, pastorais, movimentos
e associações católicas.
Deus recompense a todos e que as bênçãos de Deus,
emanadas de minhas mãos sacerdotais no decorrer destes cinqüenta
anos, desçam sobre todos, fortalecendo-os na fé, esperança
e caridade.
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