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Aroldo Murá G. Haygert, jornalista
aroldo@cienciaefe.org.br


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Newton Freire-Maia
mestre, amigo, sábio, humilde

Aroldo Murá G. Haygert


De todo o grupo fundador do Instituto Ciência e Fé, iniciado em abril de 1995, aquele que com certeza melhor resumiu o espírito da instituição foi o professor Doutor Newton Freire-Maia, cujo primeiro aniversário de falecimento celebramos neste maio de 2004. E por que o geneticista sintetizou tão bem as propostas deste Ciência e Fé? Porque como homem de ciência, incansável no apostolado da pesquisa, no caminhar com a ciência e fazendo ciência, Newton foi igualmente o inquieto espírito em busca de realidades transcendentais.

O itinerário científico de Newton Freire-Maia está nas páginas desta edição especial do Jornal de Ciência e Fé, expresso com precisão por seus colegas, seus alunos e professores que com ele trilharam os caminhos da Genética. Mas a grande aventura espiritual do fundador do Departamento de Genética da Universidade do Paraná, presidente honorário da SBPC, e expoente internacional no estudo da Genética Humana - é um capítulo à parte.

O contínuo questionamento do professor Newton com relação às verdades cristãs que um dia descobriu - já homem maduro - foi até o fim. Ele não foi um manso cordeiro subjugado pelo “maravilhoso cristão” de Chateaubriand. Muitas vezes não escondeu aos mais próximos - como a nós - suas dúvidas, incertezas que procurava responder no plano racional, mas sempre com uma brecha para o Numinoso. E seus dias derradeiros, testemunha a companheira infatigável, sombra amiga e anjo tutelar do sábio mestra - doutora Eleidi - foram de amplo retorno à Casa do Pai.

Newton Freire-Maia deixa, entre seus inumeráveis frutos, as marcas de uma cordialidade e simplicidade que só sábios de seu porte conseguem carregar. Deixa mais, a lição mais generosa de uma vida consumida na pesquisa científica e defesa de causas humanísticas (e de seu socialismo cristão): é preciso indagar, sempre, mesmo correndo o risco de refazer caminhadas tidas como definitivas.

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