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A VANGUARDA
"O que Passou e Permanece"

Jane Marilda de Oliveira
em nome da ADL


A vida comprovou que Newton Freire-Maia nasceu para três missões: ser cientista, ser memorialista e ser amigo.

Sua árvore genealógica explica bem esses dons. Foi o clima intelectual que Newton herdou de seus ancestrais, amantes do estudo, da reflexão e de curiosidades, olhos abertos para a vida, atentos a ela, em plenitude.

Na juventude, na Boa Esperança em que nasceu, testemunhou seu apego à terra, ao publicar o "Esboço Histórico de Boa Esperança", documento único no gênero e referência insubstituível aos pesquisadores do passado do município. A juventude com a família e os amigos, o casamento, constituem a fase em que Newton Freire-Maia, por ainda não ser do mundo, era apenas de Boa Esperança, tão bem lembrada em seu livro de memórias - "O que Passou e Permanece".

A vocação científica o levou. A fidelidade às raízes afetivas o conservaram e foram alimentadas pelo calor da amizade sempre alimentada - característica de seu espírito nobre.

Na fase de plena atividade de pesquisa, o mundo tornou-se sua residência e a a literatura científica é um gigantesco patrimônio que lega à humanidade.

Vasta é a sua biografia, o trabalho de um homem de fé nos benefícios que o avanço da ciência traz à humanidade.

Quando se perde um grande homem, os que o prezam choram lágrimas diferentes: Boa Esperança lamenta a perda de um filho que a honrou e contribuiu com ela para o conhecimento de si mesma; a Ciência lamenta a voz que se cala, o pesquisador que interrompe suas atividades. A família de Boa Esperança - os seus Maia e os Freire, os Leites e os Naves da Flávia, os amigos lamentam e vão mantê-lo vivo nas teias da memória e do amor. Também a família do Paraná constituída após a perda da sua Flávia, pelo também muito feliz casamento com a Dra. Eleidi Alice Chautard-Freire-Maia e os amigos de lá e do mundo, construídos passo a passo, dia a dia, com atenção e zelo, pelo doutor professor em sentimentos nobres - Newton Freire-Maia, o terão vivo e presente, sempre.

Plagiando Fernando Pessoa, o prof. Newton, da cadeira nº 4, da Academia Dourense de Letras - ADL, dobrou a curva da estrada e não é mais visto. Contudo está na mesma estrada, caminhando, como sempre. Entre amigos. Como sempre e para sempre, porque é o HOMEM que passou e permanece.

Jornal A Vanguarda, 25 de maio de 2003, Boa Esperança MG

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