
|

M A I O D E 2 0 0 4
A VANGUARDA
"O que Passou e Permanece"
Jane
Marilda de Oliveira
em nome da ADL
A vida comprovou que Newton Freire-Maia nasceu para três missões:
ser cientista, ser memorialista e ser amigo.
Sua árvore genealógica explica bem esses dons. Foi o clima
intelectual que Newton herdou de seus ancestrais, amantes do estudo, da
reflexão e de curiosidades, olhos abertos para a vida, atentos
a ela, em plenitude.
Na juventude, na Boa Esperança em que nasceu, testemunhou seu apego
à terra, ao publicar o "Esboço Histórico de
Boa Esperança", documento único no gênero e referência
insubstituível aos pesquisadores do passado do município.
A juventude com a família e os amigos, o casamento, constituem
a fase em que Newton Freire-Maia, por ainda não ser do mundo, era
apenas de Boa Esperança, tão bem lembrada em seu livro de
memórias - "O que Passou e Permanece".
A vocação científica o levou. A fidelidade às
raízes afetivas o conservaram e foram alimentadas pelo calor da
amizade sempre alimentada - característica de seu espírito
nobre.
Na fase de plena atividade de pesquisa, o mundo tornou-se sua residência
e a a literatura científica é um gigantesco patrimônio
que lega à humanidade.
Vasta é a sua biografia, o trabalho de um homem de fé nos
benefícios que o avanço da ciência traz à humanidade.
Quando se perde um grande homem, os que o prezam choram lágrimas
diferentes: Boa Esperança lamenta a perda de um filho que a honrou
e contribuiu com ela para o conhecimento de si mesma; a Ciência
lamenta a voz que se cala, o pesquisador que interrompe suas atividades.
A família de Boa Esperança - os seus Maia e os Freire, os
Leites e os Naves da Flávia, os amigos lamentam e vão mantê-lo
vivo nas teias da memória e do amor. Também a família
do Paraná constituída após a perda da sua Flávia,
pelo também muito feliz casamento com a Dra. Eleidi Alice Chautard-Freire-Maia
e os amigos de lá e do mundo, construídos passo a passo,
dia a dia, com atenção e zelo, pelo doutor professor em
sentimentos nobres - Newton Freire-Maia, o terão vivo e presente,
sempre.
Plagiando Fernando Pessoa, o prof. Newton, da cadeira nº 4, da Academia
Dourense de Letras - ADL, dobrou a curva da estrada e não é
mais visto. Contudo está na mesma estrada, caminhando, como sempre.
Entre amigos. Como sempre e para sempre, porque é o HOMEM que passou
e permanece.
Jornal
A Vanguarda, 25 de maio de 2003, Boa Esperança MG
<
retorna ao sumário
|

|