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O ALFENENSE
Extraordinária personalidade


Perde a ciência brasileira um de seus mais famosos geneticista, o criador do Departamento de Genética da Universidade do Paraná. Dizer aqui sobre a sua obra é impossível, tal a exigüidade de nossas páginas. Com livros publicados no Brasil e no exterior, Freire-Maia tornou-se mundialmente conhecido como um dos mais notáveis cientistas de nosso tempo.

Por ocasião dos eventos comemorativos dos 45 anos do Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná, destacamos, da conferência pronunciada pelo prof. Oswaldo Frota, o seguinte:

"Newton Freire-Maia adotou, logo de início, como sua primeira natureza, a atitude mental do cientista, mesmo antes de ser um deles. Morou no Rio como boêmio da ciência, estudando por conta própria o que lhe apatecia, assistindo conferências e sessões da Academia de Ciências e procurando os melhores pesquisadores da época para descobrir como eram e como pensavam, sem exclusão de estrangeiros como Julian Huxley, Auguste Lumière e Aléxis Carrel, com quem trocou cartas e artigos."

Já em 1970 Freire Maia era projeção internacional, que o levou a trabalhar em Genebra, como cientista da Unidade de
Genética Humana da Organização Mundial de Saúde. Toda a sua vida, ainda no dizer do prof. Frota, foi invariavelmente dedicada à verdadeira ciência e iluminada, nos últimos anos, por uma intensa fé religiosa. Foi vice-presidente e várias vezes Conselheiro da SBPC e seu Presidente de Honra desde 1989. Consultor da Universidade de Brasília teve a sua biografia publicada em seis obras de referência como "Who is Who in the World" e o "American Mem of Science". Sua inteireza intelectual revelava-se a cada passo e nunca melhor que na responsabilidade que assumia de compatibilizar sua fervorosa fé católica com a sua profissão de fé científica.

Freire-Maia era nosso assinante, tinha especial carinho por este Jornal e por Alfenas. Publicamos inúmeros artigos de sua autoria. Na sua mocidade, quando ainda estudante da EFOA, assinava suas deliciosas crônicas como "Sílvio Ricardo", comentando nossos espetáculos teatrais, era um apaixonado pelas artes cênicas.

O tempo ainda dirá, em pormenores, quem foi esta extraordinária personalidade que perdemos.

Jornal O Alfenense, 27 de julho de 2003, Alfenas MG

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