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M A I O D E 2 0 0 4
O ALFENENSE
Extraordinária personalidade
Perde a ciência brasileira um de seus mais famosos geneticista,
o criador do Departamento de Genética da Universidade do Paraná.
Dizer aqui sobre a sua obra é impossível, tal a exigüidade
de nossas páginas. Com livros publicados no Brasil e no exterior,
Freire-Maia tornou-se mundialmente conhecido como um dos mais notáveis
cientistas de nosso tempo.
Por
ocasião dos eventos comemorativos dos 45 anos do Departamento de
Genética da Universidade Federal do Paraná, destacamos,
da conferência pronunciada pelo prof. Oswaldo Frota, o seguinte:
"Newton Freire-Maia adotou, logo de início, como sua primeira
natureza, a atitude mental do cientista, mesmo antes de ser um deles.
Morou no Rio como boêmio da ciência, estudando por conta própria
o que lhe apatecia, assistindo conferências e sessões da
Academia de Ciências e procurando os melhores pesquisadores da época
para descobrir como eram e como pensavam, sem exclusão de estrangeiros
como Julian Huxley, Auguste Lumière e Aléxis Carrel, com
quem trocou cartas e artigos."
Já em 1970 Freire Maia era projeção internacional,
que o levou a trabalhar em Genebra, como cientista da Unidade de
Genética Humana da Organização Mundial de Saúde.
Toda a sua vida, ainda no dizer do prof. Frota, foi invariavelmente dedicada
à verdadeira ciência e iluminada, nos últimos anos,
por uma intensa fé religiosa. Foi vice-presidente e várias
vezes Conselheiro da SBPC e seu Presidente de Honra desde 1989. Consultor
da Universidade de Brasília teve a sua biografia publicada em seis
obras de referência como "Who is Who in the World" e o
"American Mem of Science". Sua inteireza intelectual revelava-se
a cada passo e nunca melhor que na responsabilidade que assumia de compatibilizar
sua fervorosa fé católica com a sua profissão de
fé científica.
Freire-Maia era nosso assinante, tinha especial carinho por este Jornal
e por Alfenas. Publicamos inúmeros artigos de sua autoria. Na sua
mocidade, quando ainda estudante da EFOA, assinava suas deliciosas crônicas
como "Sílvio Ricardo", comentando nossos espetáculos
teatrais, era um apaixonado pelas artes cênicas.
O tempo ainda dirá, em pormenores, quem foi esta extraordinária
personalidade que perdemos.
Jornal
O Alfenense, 27 de julho de 2003, Alfenas MG
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