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ANO 6 - ED 73 - SETEMBRO DE 2005
Ubaldo Puppi: Depoimentos
Por
Pérsio Pereira Guimarães, Eleidi Freire-Maia,
Aroldo Murá G. Haygert, Pe. Ricardo Hoepers.
"Intelectual
responsável. Cristão engajado.
Era admirável a sua capacidade de transmitir idéias com
destemor.
Comunicação simples e profunda. Nestes tempos sombrios,
de intelectuais silenciosos, certamente nos faltarão seu espírito
independente e sua coragem na busca da VERDADE."
Pérsio
Pereira Guimarães
Médico Psicanalista
"Antes
de conhecer o Prof. Puppi pessoalmente, já havia ouvido falar
muito a seu respeito, na década de 60, época em que eu
era estudante de graduação. Ouvi falar sobre sua capacidade
como filósofo, sobre seu espírito religioso e também
a respeito das injustiças que ele e sua família vinham
sofrendo pelas perseguições da ditadura militar.
Mais tarde, já casada com Newton Freire Maia que, há muito
tempo, já era amigo de Puppi e Edy, tive o prazer de tê-los
também como amigos. Durante os encontros, promovidos pelo Instituto
Ciência e Fé, tive a oportunidade de testemunhar o profundo
fervor religioso de Puppi que, com certeza, deu força a muitas
pessoas para superar momentos de incertezas ou de abalos na fé.
Também sempre admirei a bondade do Puppi, que eu vi se expressar
em diversas ocasiões, na forma do respeito que dedicava às
pessoas. Sua postura de professor e seu espírito inquiridor também
foram características muito claras de sua personalidade. Puppi
nos deixou lembranças muito caras e muitas saudades."
Eleidi
Freire-Maia
PUPPI, A HERANÇA MAIOR
"Há
pelo menos seis nomes paradigmáticos na história
do Instituto Ciência e Fé, indissociáveis de seu
nascimento e seu desenvolvimento: Os professores e doutores Ubaldo Puppi,
Newton Freire-Maia, Eleidi A. Chautard Freire-Maia e Belmiro Valverde
Jobim Castor, a escritora Alzeli Bassetti e o ex-ministro e ex-constituinte
de 1988 Euclides Scalco.
Eles
foram a pedra de esquina da obra.
No grupo inicial - do qual tive a honra de fazer parte - o professor
Ubaldo Puppi sempre foi visto como muito rigoroso na emissão
de opiniões, de juízos, cuidadoso no tomar posições
ou fazer pronunciamentos, esses embasados numa lógica que jamais
estimularia tergiversações. Seu rigor às vezes
poderia até ser confundido com "exagerado". Nas inúmeras
palestras e conferências que o Instituto promoveu em dez anos
de existência - frei Betto, Luiz Eduardo Wanderley, padre Libânio,
Newton-Freire-Maia, Nachmann Falbel, Roberto Romano, Jean Carlos Selletti,
Ernane Pinheiro, Belmiro Valverde Jobim Castor, Eleidi Freire-Maia,
Wolney Garrafa, Germano Bruno Affonso, monge Bernardo (trapista), Eduardo
Cruz, Carlos Harmarth, Paulo Brofman, Waldemiro Gremski, entre outros
-, a presença de Ubaldo Puppi era a certeza de intervenções
oportunas, embasadas na segurança filosófica e teológica
de um mestre formado sob o rigor de escolas como a Sorbonne e USP(da
qual foi professor titular no Curso de Filosofia).
Homem de fé muito definida, nem por isso Ubaldo Puppi deixava
de mostrar-se aberto à escuta dos sinais dos tempos. Seu pensamento
e sua ação crítica foram valiosos em tempos difíceis,
de 1964 a 1985, sob o regime autoritário. Sofreu porque foi fiel
às suas crenças cristãs de solidariedade, de anúncio
do Evangelho partilhado com as populações mais sofridas.
Perdeu cargos públicos, foi perseguido e, desse período,
costumava lembrar gestos generosos, de auxílio fraterno, como
aqueles com os quais foi contemplado, praticados em seu favor por homens
como Newton-Freire-Maia.
Aos domingos, poderia ser encontrado participando de uma das missas
matutinas da paróquia de São Francisco de Paula, em Curitiba.
Tinha particular admiração pelo seu vigário, o
bioeticista padre Ricardo Hoepers. Era ouvinte atento, paroquiano engajado
nos trabalhos da comunidade.
A História das idéias e do pensamento contemporâneo
do Paraná, particularmente no século 20, está fortemente
ligada a Ubaldo Puppi. Pode-se identificá-lo entre as lideranças
universitárias que, ao lado de grupos de orientação
cristão, católicos particularmente, resistiram ao autoritarismo
pós-64. Depois, Puppi foi formar novas gerações
de pensadores no mais importante centro universitário do país,
a Universidade de São Paulo. Um dos bons frutos de Puppi foi
o filósofo Roberto Romano, da UNICAMP (leia
texto de Romano).
Nesta edição, o JORNAL DE CIÊNCIA E FÉ apresenta
um resumo de vida de Puppi,, para , de alguma forma, prestar tributo
a um homem singularmente importante, um intelectual de fértil
produção, formador de homens e mulheres que estão
a trabalhar os conhecimentos por ele apontados. Um cristão que
viveu "na estrada", inquieto participante de um mundo que,
mais do que nunca, reclama a presença de apóstolos como
foi Ubaldo Puppi."
Aroldo
Murá G.Haygert
"Não
tenho palavras para expressar
o que significou ter conhecido o Prof. Ubaldo Puppi. Fiquei emocionado
quando sua esposa, Prof. Edi, trouxe suas anotações pessoais
ao lado de um artigo que eu escrevi. Ele tinha uma participação
tão efetiva em nossa comunidade que era um exemplo de vitalidade
e amizade. Nas trezenas de São Francisco, nas Palestras, nos
cursos, nas campanhas, no Lava-pés, nas discussões, nos
debates, lá estava Professor Ubaldo com a luz de sua presença
em nosso meio. Quero oferecer esta pequena poesia em homenagem ao meu
mestre e amigo Professor Ubaldo Puppi:
No tempo da existência
Encontrei um grande amigo
Que com muita experiência
Se tornou o meu abrigo
D'um coração tão luminoso
Uma luz a irradiar
De perfil tão generoso
Disposto sempre a ensinar
E ensinou com sua vida
Vivida com tanta intensidade
E o exemplo de sua lida
Foi não ter perdido a humildade
Tão singelo e acolhedor
De piedade incomparável
Foi tão forte seu amor
Por sua esposa admirável.
Tão presente e atuante
No seio da comunidade
Dedicou-se em cada instante
Pela busca da verdade
E encontrou essa verdade
No profundo do teu ser
E no festim da eternidade
Por nós estás a interceder
Como foi bom te conhecer
E fazer parte de tua história
E no teu novo alvorecer
Cantar contigo tua vitória
Meu querido professor
Mande meu abraço a Jesus
E que na paz do Eterno Amor
Continues a irradiar a tua luz...
Que a luz perpétua o ilumine
Descanse em paz
Amém"
Pe.
Ricardo Hoepers
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