|
|

ANO 6 - ED 73 - SETEMBRO DE 2005
A amizade segundo Ubaldo Puppi
"Na ordem do amor, ou da amizade,
há também um fim principal
e fins médios. A utilidade recíproca dos amigos pode ser
um fim intermediário para os amigos. Esse fim é a causa
pela qual os amigos se servem mutuamente em seus interesses utilitários.
É a bem dizer uma pobre amizade, que cessa quando cessa a utilidade
recíproca. O prazer recíproco dos amigos é outro
fim intermediário entre os amigos, e que se torna causa e princípio
de alegria mútua entre eles. Este fim já é um bem
em si, mas precário e instável como o prazer e a alegria,
sujeito à saturação, às evoluções,
às variações e aos gostos das idades e das circunstâncias.
Cessando aqui o prazer, cessa a amizade, que nada encontra para poder
subsistir. O fim próprio e último da amizade, sem o qual
ela não subsiste e não merece com nobreza esse nome, é
que o amigo ame, bem-queira o amigo por ele mesmo, por sua bondade e
"amabilidade" própria, e seja amado da mesma maneira.
Esta amizade é princípio e causa da bonificação
humana, moral, dos amigos. Pois amando-se ou tendendo a se amarem pelo
bem que cada um encontra no outro, e cada um querendo todo o bem atual
e possível para o outro, os amigos se identificam no bem que
possuem e no bem que, não possuindo anda, a ele, juntos e estimuladamente,
aspiram. Por isto, esta amizade, longe de estar sujeita às flutuações
do prazer e de uma alegria menos consistente, e à cessação,
só tende a aumentar, pois o bem que os une (o bem "honesto")
é estável por natureza e tende a ampliar-se entre os amigos."
(Trecho
do livro "Itinerário para verdade", p.79)
< retorna ao sumário |
|