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Firme
et Constantissime A
interpretação dos evangelhos - fonte e guia de sabedoria
e amor - tem se constituído, historicamente, como um dos maiores
desafios de orientação. Vittorio Messori, jornalista por
profissão, nascido em Modena, Itália, laureado em Ciências
Políticas pela Universidade de Turim com uma tese sobre História,
vem se convertendo num dos mais assíduos interessados no referido
tema. A forma de abordagem aos assuntos mais candentes dos evangelhos
vem tem rendido a Messori acatamento unânime. O primeiro destaque
profissional desse comunicador contemporâneo foi como integrante
do grupo La Stampa, onde trabalhou por longo tempo e de onde saiu para
reerguer os Periodici Paolini. Deste, passou para o diário Avvenire,
dando início à consultoria específica de um grande
número de editoras européias de respeito. Messori tem publicadas
no Brasil duas de suas obras: "Hipóteses sobre Jesus",
editada pelas Edições Paulinas, e "Fé em Crise?
O cardeal Ratzinger se interroga", pela Editora Pedagógica
Universitária. Há especifidades em todas as suas obras mas
o fio da meada tem sido a busca para respostas mais convincentes sobre
a relação entre o que os evangelhos contam e o que de fato
aconteceu durante a estada física de Jesus no mundo. Quanto ao
Novo Testamento, Messori questiona se ele merece constar da estante encimada
pela História ou ficaria melhor posicionado no setor de poesia,
ficção ou mitologia. Teriam intérpretes e tradutores
através dos tempos despojado os evangelhos da verdade histórica? O impacto das reações As
idéias de Messori em conseqüência da coragem de questionar
os evangelhos impactaram teólogos e biblistas profissionais que,
a princípio, desdenharam a interpretação nova dada
aos textos, alegando inclusive não serem oportunas tanto as pesquisas
como a divulgação delas na antecâmara deste novo milênio.
Como se a verdade exigisse hora, tempo e lugar específicos para
ser estudada, encontrada e revelada. Diziam também à época
alguns ditos modernos que a fé nada mais teria a ver com a inteligência
humana. Tampouco, segundo eles, deveriam os cristãos modernos levar
a sério a Escritura que, segundo Pedro, exorta todos a estarem
"sempre prontos para responder a quem quer que lhes pergunte a razão
da esperança que os anima" (1 Pd. 3,15). Entretanto foram
esses os primeiros a dar a mão à palmatória. A espetacular
acolhida do público local e mundial à obra de Messori provou-lhes
quão necessário era a oferta à demanda por informação
adequada sobre temas evangélicos. O público leitor e interessado
reconheceu que o conteúdo da obra integral era mesmo inacatável
já que, além de fundamentado em pesquisas e estatísticas,
fidedignas, que chegaram à compilação de 300 páginas,
tinha o respaldo da comunidade cristã. O acontecimento "O
Mistério Pascal", diz Messori, "é o conteúdo
primário do kerigma, ou seja, do anúncio apostólico.
É possível então concluir que todo o ensina-mento
de Jesus não é "o prius da fé como tantos pensam,
mas está subordinado ao 'Acontecimento' do morrer e do ressuscitar
dele". "Todo cristão crê em um Deus que é,
ao mesmo tempo, uno e trino, em um Cristo que é verdadeiro homem.
Sabe portanto que a Bíblia é tanto obra divina quanto humana.
Divina pela inspiração, humana pela redação.
Pelas características individuais e culturais do meio em que os
evangelistas estavam inseridos. O cristão reconhece o gênero
literário nos textos, as características do estilo de pregação,
o "feeling", as opções e as sínteses emanadas
pelo Concílio Vaticano 2º, ao abordar a Revelação.
Não há como esquecer a mensagem solene, proferida pelos
Padres conciliares: "A Santa Mãe Igreja com firmeza e máxima
constância (firme et constantissime) sustentou e sustenta que os
quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação
(incunctanter), transmitem fielmente (fideliter) aquilo que Jesus Cristo
Filho de Deus, ao viver entre os homens, realmente fez e ensinou para
a eterna salvação deles, até o dia em que foi elevado".
(Dei Verbum, nº 19) |
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