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O lugar insatisfatório
do Brasil na produção tecnológica e científica
também revela a face desagradável de nossa estrutura política
maior. A Constituição brasileira ordena: "O Estado
promoverá e incentivará o desenvolvimento científico,
a pesquisa e a capacidade tecnológicas". Além disso,
"a pesquisa científica básica receberá tratamento
prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o
progresso das ciências". A lei refere-se ao "Estado",
e não ao "Executivo". Grave defeito de nossa vida política
é a hegemonia do governo em assuntos de Estado. Os demais Poderes (se é possível usar esse qualificativo com todo o seu peso lógico) servem de caixa de ressonância para a administração, usando de chantagem em negociações sobre votos (caso do Congresso) ou abdicando de seu papel maior, o de julgar em nome do povo soberano (caso do STF), assumindo a parte do príncipe. Se o exercício comum ocorre assim, o problema é ainda mais complexo no campo avançado das ciências, das artes e da técnica.
O Parlamento,
quando não vende votos na bacia das almas eleitoreiras, segue o
ritmo corporativo. A sua Comissão de Ciência e Tecnologia
dedica-se em grande parte a matérias alheias ou irrelevantes para
a geração do conhecimento no Brasil. Encerrado na dialética
perversa da compra e venda de votos e na apuração desse
mesmo exercício mercantil, por meio das infindáveis CPIs,
o Legislativo pouco faz para melhorar o campo científico e tecnológico.
Sua última ação positiva permanece no papel. Trata-se
do Relatório sobre asCausas e Dimensões do Atraso Tecnológico
(Congresso Nacional, 1992). Naquele texto, análises foram feitas
e recomendações dos cientistas e técnicos foram apresentadas.
O silêncio acompanha o que foi dito. Vários aspectos então
criticados foram resolvidos, mas a maioria permanece em situação
igual ou pior. Isso explica, em parte, o lugar embaraçoso do Brasil
e a nossa quase inadimplência tecnológica. "Knowledge
and power meet in one", é o aforismo de Bacon, grande inspirador
da moderna ciência. Com a prudência baconiana, o Reino Unido
e seu herdeiro cultural, os EUA, tornaram-se donos do mundo. Sem a mesma
cautela, os países que não têm o Estado pleno e não
podem contar com o saber, recebem um papel subalterno. Em nosso País,
ciência e tecnologia ainda são assuntos exclusivos do governo,
com as suas virtudes e fraquezas. O Estado brasileiro, no seu todo, ignora
esse ângulo vital para a sobrevivência da sociedade. Faltam-nos Estado e estadistas, essa é a única conclusão possível. Publicado no Jornal de Ciência e Fé de Agosto de 2001, ano 2, nº 33 |
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