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![]() Antonio Carlos Coelho é professor de Ecumenismo e Judaísmo do Studium Theologicum e diretor do Instituto Ciência e Fé. Estudou em Israel arqueologia bíblica e tradição judaica. Tem artigos publicados em diversos jornais e revistas. Lançou "Encontros Marcados com Deus - Expressão da Unidade do Povo de Deus" pela Paulinas, em abril de 1998. |
Arafat
não foi à Missa do Galo Arafat neste ano não foi à missa de Natal em Belém. Não pode marcar sua presença no especial momento da história do cristianismo, manifestando a amizade e o respeito que o povo palestino, que é muçulmano em sua maioria, tem pelos cristãos. Sharon errou ao proibir Arafat de ir a Belém? O Primeiro Ministro foi intransigente e insensível ao impedir a ação diplomática do líder palestino? Arafat não
foi na missa, mas foi abençoado. Conseguiu reunir-se com os A decisão
de Sharon foi transmitida por todas as ondas. Deu-se ênfase na já
consagrada e congelada imagem do governante: antipático, inábil,
Voltando
ao caso da missa, o que está por traz de tudo isso? Um Talvez se o primeiro ministro permitisse que Arafat fosse a Belém, poderia não acontecer nada além do que acontece todos os anos. Todavia, esse não é um ano comum. As relações entre israelenses e palestinos é tensa, e algum tipo de manifestação poderia acontecer exatamente quando a pequena cidade estivesse repleta de visitantes do mundo inteiro. Apesar da situação desfavorável ao turismo, há muitos cristãos estrangeiros que vivem em Israel e que costumam ir a Belém na noite de Natal. Belém, neste ano, mais do que um palco para ternas manifestações natalinas, poderia tornar-se o de uma grande tragédia. Há sempre alguém pronto para tirar proveito dessas ocasiões. Em situações trágicas, há quem ganhe sempre: dê cara ou dê coroa, o apostador sempre vence. Na lógica do jogo, se Arafat não vai à missa do galo, é porque o governo de Israel é intolerante, insensível e antidemocrático; se Belém está abandonada pelos turistas, e o seu pobre povo, que aguardava esse momento para tirar o pé da lama com seus hotéis e bazares cheios, é porque foram prejudicados pela política de Israel. Mas, se Arafat
fosse à missa e ocorresse um ato terrorista, a culpa seria Nesse jogo, desse cara, ou desse coroa, Sharon seria, de qualquer forma, o perdedor e vilão. Foi o vilão da noite de Natal, por não ter permitido Arafat rezar na missa do galo, e também o seria, se, por falta de prudência, permitisse situações de perigo aos turistas. Nem mesmo as festas judaicas religiosas ou nacionais são comemoradas publicamente em Israel durante os períodos de forte tensão. As autoridades israelenses não freqüentam locais de grande concentração pública e desestimulam qualquer tipo de reunião de pessoas onde possam ocorrer atentados. As festas são realizadas em locais fechados e com muita segurança. No final das contas, o ato de Sharon foi interpretado ao gosto palestino. Os jornais, mais uma vez, escreveram a notícia sem fazer a leitura do fato. Atenderam às recomendações dos chefes palestinos, garantindo assim, a sua presença no palco da notícia mundial. E o galo da missa, que canta anunciando o nascer do "novo dia" de paz e fraternidade, continua relutando em cantar anunciando paz para o Estado de Israel. |
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