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![]() Antonio Carlos Coelho é professor de Ecumenismo e Judaísmo do Studium Theologicum e diretor do Instituto Ciência e Fé. Estudou em Israel arqueologia bíblica e tradição judaica. Tem artigos publicados em diversos jornais e revistas. Lançou "Encontros Marcados com Deus - Expressão da unidade do povo de Deus" pela Paulinas, em abril de 1998. |
Encontros
Marcados com Deus A maneira como as festas judaicas foram usadas para dar sentido a várias passagens dos Evangelhos é demonstrada no livro "Encontros com Deus - Expressão da unidade do povo de Deus", do professor Antônio Carlos Coelho, lançado em abril de 1998 pelas editora Paulinas. Para os cristãos é uma oportunidade de reencontro com suas raízes judaicas; para os judeus, uma possibilidade de perceber as contribuições do judaismo para o cristianismo, resume o autor. Antônio Carlos Coelho é professor de ecumenismo. Católico de nascimento, interessou-se por assuntos judáicos pela leitura da Bíblia. Em 77, estagiou como professor de História na Escola Israelita, onde começou "a ver as crianças fazendo as festas que estavam no Bíblia". A convivência com a comunidade israelita "me deu uma outra ótica, uma vivência dessas festas", diz antônio Carlos Coelho. O livro, portanto," foi escrito com a experiência, não é só pesquisa e ciência". Em 84 fez, pelo Colégio Sion, sua primiera viagem a Israel, onde realizou estudos de arqueologia bíblica, e em 95, foi morar no Katamon, bairro de pioneiros em Jerusalém. "Ali há mais sinagogas do que bares na Espanha", brinca o professor. Ele considera essa experiência importante para ver as Escrituras não apenas com os olhos de cristão, mas com conhecimento da cultura em que viveram os evangelistas. Coelho faz uma descrição das festas (Sábado, Páscoa, Pentecostes, Ano Novo, Dia da Expiação, Purim etc), liturgias, costumes e elementos simbólicos, e de como Jesus viveu estas festas. Por que Jesus tem aquela acolhida no domingo de Ramos? Porque era o fim da Festa das Cabanas, exemplifica o autor. - "O evangelista usa essas festas para dar um sentido, o que para os cristãos passa despercebido. O Cristão enriquece sua compreensão dos Evangelhos quando conhece esse sentido." Alguns trechos do livro: "As festividades marcam os grandes momentos da história de um povo. Trazem para a atualidade os acontecimentos ocorridos há muitos anos, induzem a uma revisão da história, fortalecem os sentimentos comunitários e nacionais. Fatos antigos tornam-se atuais como se estivessem acabando de acontecer. Talvez senhum outro povo tenha os faatos históricos tão vivos na memória como o povo judeu: um povo que sobreviveu dois mil anos distante de sua terra e conseguiu manter sua integridade, graças, em grande parte, às suas comemorações. As fsstividades judaicas possuem um caráter nacional - religiosos. O povo judeu, povo da Bíblia, construiu sua história entremeada de fatos humanos e divinos. É um povo que tem Deus como um personagem da história." "Jesus e seus discípulos eram judeus. E como todos de sua época, viveram essas festividades, encontrando nelas o sentido mais profundo da unidade e da fé judaica. O testamento cristão situou Jesus nessas celebrações. Nelas ele revelou sua missão messiânica e o Reino de Deus." "Aqueles que, durante o ano, pouco lembraram de alimentar seu espírito, de refletir sobre a sua condição como indivíduo membro deum povo, encontram nas festividades um chamado para tal reflexão. Os diferentes significados, agrícola, espiritual e nacional, atribuídos às Festas, reavivam a relação histórico-nacional e espiritual do judeu com o Estado de Israel - relação que é vital para o judaísmo. elas são sinais de unidade do povo judeu: se Israel estiver dividido, também esses dias santificados não terão o seu sentido completo." "O Judaísmo é uma religião de humanos e não de anjos. A terrra, a vida cotidiana, o alimento, o bem-estar das pessoas não estão desvinculados da vida religiosa. O Deus judaico está no céu e na terra. Ele gosta tanto da terra que criou o paraíso e passeou pelos seus jardins. O mundo não é um lugar pecaminoso do qual o ser humano deve se livrar. É na terra que se realizam as promessas divinas; e é nessa vida que já se caminha para a eternidade. Ao celebrar as colheitas, as vitórias militares, a liberdade, a Aliança, celebra-se a ação de Deus na vida terrena, e anuncia-se a sua eternidade. O fiel Deus da história judaica será fiel no tempo que virá." Matéria publicada no Jornal de Ciência e Fé em abril de 1999 Encontros
marcados com Deus - Expressão da unidade do povo de Deus |
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