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![]() Samy K. Goldstein |
Cem
anos dos sonhos
A metafísica dos sonhos no judaísmo Sami K. Goldstein Com a Revolução Industrial, entretanto, este tipo de conhecimento intuitivo caiu no ostracismo. Basta lembrarmos que quando Freud começou a pesquisar a literatura médica de sua época em busca de informações sobre os sonhos, descobriu que praticamente nada havia sido escrito sobre este tema. Muitos de seus colegas viam este assunto como superstição, ao qual nenhuma séria atenção deveria ser dado. Quando em 1899 ele publicou seu "A interpretação dos sonhos", foi agraciado com o adjetivo ridículo. Por vários anos, sua teoria de que os sonhos continham significados ocultos foi considerada como delírios de um homem insano e desprovido de qualquer pudor. E é justamente neste século, que o significado atribuído aos sonhos e sua interpretação cresceram amplamente no mundo intelectual, principalmente no campo da psicologia, impulsionada por seus estudos, os quais demonstraram ser uma poderosa ferramenta de auto-conhecimento. Com isto, muito daqueles que estavam intrigados, preocupados ou apenas curiosos com as experiências oníricas que haviam vivenciado, passaram a recorrer a este recurso numa tentativa de amenizar sua ansiedade pelos mistérios nelas contidos. E o resultado de tudo isto é bem interessante: crenças primitivas provavelmente levaram Freud a desenvolver um estudo científico. Um vez que seu excitante trabalho passou a ser desenvolvido em laboratórios ao redor do globo, muitos interessados passaram a voltar-se aos sistemas espirituais antigos. Basta entrarmos em qualquer livraria e certificarmo-nos da quantidade de livros existentes a respeito e que, ao mesmo tempo, não estão nas prateleiras de psicanálise. Por mais de meio milênio, a mística judaica, a Cabalá, vem considerando que os sonhos ocupam uma importância central em nosso dia a dia. Basta abrirmos sua obra máxima, o Livro do Esplendor, o Zohar, datado por volta de 1290 e analisarmos a quantidade de informações sobre a estrutura dos sonhos. Aos estudiosos desta ciência esotérica, chamaremos, a partir de agora, cabalistas. Os primeiros cabalistas sempre acreditaram que o sono e os sonhos desempenham um papel vital em nossas vidas. Em nenhum momento condenaram o sono como perda de tempo e, muito pelo contrário, consideravam-no um contribuinte direto à nossa saúde física e mental. Para manter sua imagem humana como algo bonito e divino, os pensadores cabalistas sempre prezaram o sono como tendo um propósito espiritual crucial, ao lado de outras atividades física, tais como comer e beber. Através do sono, recuperamos nossas energias e abrimos nossas mentes a influências superiores, declara a Cabalá. Ao mesmo tempo, somos exortados a não negar-nos um descanso adequado, assim como somos avisados a não punir-nos com jejuns desnecessários ou outras formas de autoflagelação. Os mestres chassídicos - uma variação da Cabalá - a partir do séc. XVI enfatizaram e muito estas idéias. Muitos de seus fervorosos seguidores caminhavam por horas a fio, dia e noite, a fim de obterem um maior conhecimento e elevação espiritual. Conseqüentemente, seus mentores gentil, mas firmemente pregavam que era necessário manter um descanso satisfatório para levarmos uma vida verdadeiramente harmoniosa. Não importa o quão fortemente sentimo-nos compelidos a ocupar-nos com atividades: é necessário encontramos um tempo para nós mesmos. Curiosamente, os primeiros chassídicos até julgavam o bem-estar mental de seus seguidores pela qualidade de seu sono. Conta-se uma anedota muito famosa sobre um renomado discípulo que, após falecer, foi levado ao Tribunal Celestial. Lá, uma única pergunta lhe foi feita: qual foi a coisa mais importante que havia aprendido de seu mestre. Sua resposta não foi outra: "Aprendi como se deve dormir". Vivemos em uma sociedade altamente desenvolvida, globalizada e em constante transformação. O relógio torna-se nosso inimigo a cada guinada de seus ponteiros. Será que aprendemos esta lição? Mas o que significa dormir bem? Dormir muito? Até muito pouco tempo atrás, bom sono era sinônimo de sono de longa duração. Aos que dormiam pouco, não deixava de causar inveja a capacidade daqueles que rompiam a barreira das 8, 10 horas de descanso tranqüilo. A ciência porém, tem se aprofundado suficientemente nos mecanismo do sono a ponto de rever conceitos tidos, até então, como verdades indiscutíveis. Hoje sabemos que mais importante que a duração de um sono é dormir ciclos completos de sono. Esses ciclos, que duram entre 90 e 100 minutos em média, sucedem-se durante a noite, cada um deles com várias fases: a primeira, de adormecimento, vai de alguns segundos a alguns minutos; a segunda, de sono leve, dura cerca de 20 minutos; o sono profundo, que costuma somar 10 minutos; o sono muito profundo, que pode chegar a uma hora, sendo que nesta fase o cansaço físico é eliminado e, finalmente, a última fase, a do sono paradoxal, também conhecida com REM "rapid eyes movement", ou movimento rápido dos olhos, que dura aproximadamente 15 minutos, sendo a base da recuperação psíquica, durante a qual ocorrem os sonhos. Interromper um ciclo de sono é, portanto, não permitir que todas as suas fases ocorram, cada qual desempenhando um papel único no nosso descanso noturno. E, para os
cabalistas, esta última fase, a dos sonhos, é claramente
o mais importante aspecto do sono. Constantemente, a maioria das escrituras
visionárias do judaísmo insiste que os sonhos oferecem-nos
a chave-mestra para a auto-exploração, assim como uma trilha
para uma maior compreensão a respeito do universo. Na realidade,
mesmo para a tradição normativa judaica, principalmente
o Talmud Babilônico do séc. VI - o qual estuda os processos
psíquicos humanos procurando, na medida do possível, descaracterizá-los
de qualquer clarividência - os sonhos são amplamente valorizados
por seu potencial auxílio em nossas vidas cotidianas. O próprio
Talmud traz folhas e folhas de discussão a respeito de seu significado. Os mestres cabalistas, longe de procurarem vê-los como inexplicáveis experiências, ensinavam que a maioria dos sonhos são um reflexo de nossa mente cotidiana. Para entendermos sua posição, vamos tomar por exemplo dois relatos muito curiosos do Talmud (Berachot 56a): Certa vez, o imperador romano disse para o rabino Yehoshua filho de Chanina: Já que você se julgam muito inteligentes, digam-me o que sonharei esta noite. O sábio respondeu que em seu sonho, o César seria capturado pelos seus inimigos persas, que o maltratariam e ele seria pastor de répteis com um bastão de ouro. E o que aconteceu? À noite ele sonhou exatamente com isso. Logo em seguida, o Talmud continua narrando uma situação semelhante, entre o imperador persa e o sábio Samuel. À pergunta do imperador, o sábio respondeu que em seu sonho, os romanos o capturariam e o deixariam moendo trigo em um moinho de ouro. E o que houve? Acreditem ou não, o Talmud diz que foi exatamente este o sonho do imperador. Milagres? Profecias? Dons transcendentais de nossos mestres? Nada disso. O texto deixa bem claro o motivo de seus sonhos: impressionados com tão absurda interpretação, passaram o dia inteiro pensando nela. Nossa memória é como uma chapa de vidro que registra instantânea e constantemente a impressão de uma imagem projetada sobre ela pela lente de uma câmera. Contanto que o instrumento esteja funcionando corretamente e sua imagem nitidamente focada, a chapa de vidro proporcionará retratos claros e precisos sempre que lhe for exigido. Mas, supondo o contrário, que a memória seja vaga para começar ou que tenha sido captada em condições de iluminação desfavoráveis ou de distância longa demais: conseguiríamos então, da chapa de vidro, apenas uma silhueta distinta, uma série de sombras ambíguas e contornos indefinidos. Agora, imaginemos a quantidade de "chapas" impressas que temos em nossas mentes, muitas das quais nem sequer lembramos ou temos conhecimento. Estas são as experiências do cotidiano - impenetráveis profundezas de imagens acumuladas em nossa memória - que são responsáveis por toda a fantasia dos sonhos. Parte da memória destes fatos é descartada no banco de dados do cérebro, mas algumas lembranças passam para os circuitos químicos responsáveis pelos sonhos. Durante o estágio REM "rapid eyes movement"- a fase do sono paradoxal, - impulsos elétricos são enviados do tronco cerebral para o córtex visual, o que produz o sonho, associado às experiências do dia ou aquela já vividas, armazenadas em nosso "winchester" biológico. No entanto, para os místicos, os sonhos devem ser levados à sério. Uma vez que revelam nossas emoções primárias, podem prover-nos de caminhos bem definidos às nossas mais ocultas profundezas. Exortam-nos a confrontar nossos sonhos honestamente e não apenas ignorá-los ou descartá-los como irrelevantes. Ainda mais enfaticamente, o Zohar afirma que "um sonho que não é lembrado nem deveria ter sido sonhado e, portanto, um sonho esquecido nunca se cumpre"(vol. 2 pg. 258). Para desempenhar esta tarefa de interpretação é necessária uma técnica específica aos olhos destes mestres, um conjunto de regras bem definidas, invioláveis e que não podem variar de uma pessoa para outra. A Cabalá explica que, se algum dos elementos do sonho for mal interpretado, todo seu significado ficará obscuro. Apesar de ensinar-nos que sim são portadores de mensagens importantes para a pessoa, eles nos previnem sobre com quem compartilhar nossos sonhos. Avisam-nos a não discuti-los com qualquer pessoa. O Zohar é mais firme neste aviso, dizendo que a pessoa não deva revelá-lo a não ser a seu amigo mais próximo. Tudo pelo medo de que o ouvinte perverta a importância do sonho e seu conseqüente significado. A preocupação com o charlatanismo, ao contrário do que aparenta, não é uma coisa moderna. E mais, parece que a interpretação dos sonhos sempre foi um bom negócio. O Talmud (ibid. 56a) relata sobre uma pessoa chamada Bar Hedia que oferecia seus serviços para ilustres curiosos. Isto, porém, de uma forma bem peculiar: quanto melhor o pagamento mais favorável a revelação do sonho e vice-versa. Mas vocês provavelmente nunca ouviram falar sobre isso. Como se dá a decodificação dos sonhos segundo a mística judaica? Todo e qualquer sonho humano pode ser decodificado de um mesmo sistema lógico-interpretativo. Embora encontremos passagens, principalmente bíblicas, de sonhos enigmáticos, perturbadores, ou até mesmo inspirados por forças superiores, isto não significa que não sejam passíveis de elucidação. A normativa judaica assume que todos os sonhos vão de acordo com sua interpretação. Talvez a mais famosa e intrigante seja a passagem de José no Egito e, acredito, muitos de vocês estão curiosos para saber a posição judaica com relação a ele. É importante novamente ressaltar que o judaísmo faz uma clara distinção entre sonhos comuns e aqueles de conotação clarividente, procurando sempre, na medida do possível, interpretá-los cientificamente.. Portanto, vamos deixar este caso específico para o final de nossa exposição. O elemento chave na interpretação onírica é entender cada aspecto individual do sonho. Muito antes das teorias freudianas, a mística judaica já indicava que nossas mentes, durante o sono, operam por meio de símbolos. Embora não tenha confinado os sonhos para satisfazer os desejos de alguém, sejam eles sexuais, segundo Freud; de poder, conforme dizia Adler; ou de inspiração cósmica e transcendental, de acordo com Carl Jung., ela concorda que muitas de sua facetas realmente representam pensamentos abstratos e sentimentos ocultos. Por exemplo: o Zohar (v 2, pg 164) afirma que todas as cores vistas em um sonho são um bom presságio, com exceção do azul. Hoje, a psicologia moderna já demonstrou que as cores estão intimamente conectadas às nossas mais profundas emoções. Pessoas que normalmente sonham "em cores" são aquelas que geralmente estão mais em contato com seu mundo interior. Além disse, o Zohar assume que cores fortes e escuras estão associadas com sentimentos de infelicidade pessoal. É interessante notar que, em inglês existe o jargão popular "blue Mondays". Em outra oportunidade, ele diz que "um rio visto no sonho é presságio de paz". O que é um rio? algo belo, tranqüilo, que transmite harmonia e felicidade. Sonhar, por exemplo, com um rolo das Sagradas Escrituras em chamas, o final do Dia do Perdão judaico ou com os dentes caindo. Segundo José Caro, no século XVI, estes também poderiam ser incluídos como maus presságios, ao lado das cores escuras. Por quê? Basta analisarmos cada aspecto em separado: as Sagradas Escrituras representam a harmonia entre o homem e Deus; queimando, sugerem algum conflito emocional a ser resolvido. O Dia do Perdão é aquele no qual jejuamos por 25 horas, arrependendo-nos de qualquer má atitude cometida no decorrer do ano; sonhar com ele, indica algum tipo de sentimento de culpa. Com relação aos dentes, eles representam a força; caindo, parte de nossa potência vital está se esvaindo, causando-nos temor. É interessante notar que Freud, quase três séculos depois, utilizou este mesmo exemplo aplicado à potência sexual do indivíduo. Ao mesmo tempo, somos advertidos a levar a sério sonhos com doença, morte e destruição, não como uma visão profética do que está por vir, mas como um alarme interno de que algo esteja errado dentro de nós. Estes são alguns dos inúmeros exemplos que podemos dar com base em nossos textos. Vamos agora tentar apresentá-los de uma forma um pouco mais real. Lembram-se sobre o que falamos a respeito de nossa memória ser como uma chapa de vidro? Pois bem, nossa mente está registrando esta exata imagem que vocês estão vendo neste momento. Nós aqui, falando e vocês aí, ouvindo. É muito provável que vocês sonhem hoje à noite com esta situação, afinal ela está sendo muito bem fixada em suas memórias. Suponhamos que esta mesa-redonda lhes lembre a respeito de uma sala de aula da faculdade. Então vocês veriam seus professores e toda aquela situação. Voltemos ao exemplo das chapas ou slides. O que acontece se colocarmos uma encima da outra? As imagens ficarão sobrepostas. Imaginemos que a sala de aula nos lembre um amigo de classe que, infelizmente, faleceu. Nossa mente colocaria este slide encima dos outros dois. Suponhamos então, que seu organismo quer lhe dar uma mensagem de que você está triste. Qual seria o resultado desta sobreposição de imagens? Vocês estariam provavelmente vendo, em seu sonho, seu amigo falecido dando uma palestra na PUC ao lado de seu professor, enquanto cores escuras predominam no ambiente. Assim, por meio de métodos associativos compreensíveis ou não, a mente vai montando a imagem, dentro de nossas mentes. Uma visão destas seria assustadora, não? Por isso, é importante analisarmos cada aspecto, cada elemento do sonho em separado para chegarmos a um interpretação lógica e coerente. Dependendo da visão, como nosso exemplo, poderemos dar maior importância ao que não tem valor e descartar aquilo que realmente interessa. Nossos sábios talmúdicos (Brachot 57a) diziam que um sonho é igual a 1/60 de uma profecia. A profecia, no caso, é a mensagem biológica a nós transmitida pelo nosso corpo. Mas advertem-nos (id. 55b): "assim como é impossível encontrar espigas de milho sem palha, assim também não existem sonhos sem coisas vãs". A fantasia criada por este fantástico computador chamado cérebro pode fazer-nos acreditar na veracidade dos inúteis 59/60 e desprezar a pequena, mas essencial parte do sonho. Apesar dos avisos, nossos mestres sabiam que a crendice popular cresceria cada vez mais, principalmente quando da estadia dos judeus entre os persas e babilônicos, povos que davam uma enorme importância aos sonhos. Para influenciar psicologicamente o povo, instituíram uma cerimônia chamada Hatavat Chalom - a "melhora do sonho"- na qual aquele que teve um sonho ruim apresenta-se diante de três amigos que, por meio de fórmulas rabínicas e combinações de Salmos, simbolicamente "revertem" o mau desígnio sonhado, aliviando aquela mente perturbada. Para concluir, o que falar sobre a tão intrigante revelação de José no Egito? O padeiro, o copeiro, os sonhos do Faraó... Existe um grande diferença entre os sonhos e o processo normal de vigília. Enquanto os pensamentos de alguém desperto consistem principalmente de discurso mental, ou seja, a pessoa pensa consigo mesma em termos de palavras e sentenças, o sonhos consistem quase que completamente de figuras e imagens. É, portanto, óbvio, que quando sobrevem o sonho, a mente começa a transformar, ou melhor dizendo, traduzir, o pensamento verbal em pensamento visionário. Isto é chamado, segundo Maimônides, o grande rabino e cientista do séc. XII, de Coach Hamedamé, ou a faculdade imaginativa. Já que durante o sono as letras e as palavras que consistem de um pensamento único, podem vir a se misturar com letras de outros pensamentos - como no exemplo dos slides - isto pode levar à confecção de palavras e idéias sem equivalência real no estado de vigília.. Conseqüentemente, estes pensamentos verbais , quando transformados em figuras, assumem exatamente a mesma forma. Seria algo como um dicionário mental. Assim, somos capazes de julgar fenômenos muitas vezes contraditórios e impossíveis por meio das letras dos diferentes objetos que se mesclam para conceber um novo equivalente visual correspondente. Em resumo, podemos dizer que o segredo da interpretação de um sonho é decifrar a nova codificação das letras mentais transformadas. Através deste processo, pode-se chegar a entender em que consistiam os pensamentos originais. Estudando a maneira pela qual a mente sintetizou estas imagens aparentemente não relacionadas, pode-se iluminar as trilhas da mente, discernindo o que associa internamente dois pensamentos que racionalmente são desprovidos de qualquer conexão. De acordo com o comentarista bíblico Abravanel, este era o método de interpretação utilizado pelos feiticeiros do faraó em sua tentativa de desvendar seu misterioso sonho das vacas magras e das vacas gordas. Eles achavam que o sonho era apenas uma alegoria ou analogia, de um conceito oculto no íntimo e, examinando as figuras finais, poderiam regredir, por associação, à raiz inicial do pensamento. Isto teria uma grande utilidade, caso o pensamento original tivesse partido do próprio faraó. Como o sonho era, sem dúvida, clarividente, eles jamais poderiam chegar à imagem original, uma vez que a raiz não fazia parte de sua memória. E, neste caso, somente alguém com espírito elevado e em conexão com o Grande Pensador, poderia chegar à sua revelação. Tal nível só é adquirido por meio de dom divino ou por uma espiritualização do ser, que faz com que o homem possa enxergar, com maior nitidez, as centelhas divinas que se encontram presentes entre nós. Vamos traçar uma analogia para a passagem entre Faraó e José, que vai ajudar-nos a compreender melhor toda a situação. Imaginem um vidro translúcido. Embora você não tenha contato físico com o que ocorre do outro lado, você pode ver nitidamente, através dele, tudo o que se passa. Agora, tenham em mente outro vidro, desta vez fosco. A imagem e a luz continuam a atravessar a barreira, porém nós, do lado de cá, não conseguimos interpretar logicamente o que são. Esta é a grande diferença entre os profetas e nós, seres humanos comuns. Enquanto para nós, sonhos e situações aparentemente sem explicação são como silhuetas sem forma, para eles a grande barreira existente entre a essência do Infinito e as limitações do finito não impede que a revelação da vontade divina seja captada. Ao longo da História Universal encontramos várias destas personagens imbuídas de uma visão superior. Talvez se conseguirmos, algum dia, desprender-nos do materialismo que nos cerca, consigamos ver o que eles viram.
BOTEACH,
Samuel Awakening to the world of dreams. New York, Bash HOFFMAN,
Edward The way of splendor - Jewish mysticism and modern TALMUD Berachot cap 9 pgs 55-58 (versão original em hebraico-aramaico) ZOHAR volume
2 pgs 164-260 (versão original em hebraico-aramaico) |
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