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Antonio Carlos Coelho
Vá a uma livraria, procure a estante
dos mais vendidos. É fácil, ela está logo ali, na
porta de entrada, bem a vista da multidão de desorientados do século
XXI. Dezenas de livros de auto-ajuda. Há lições para
diferentes tipos de sucessos: educar filhos, gerenciar empresas, ficar
bonito, encontrar a paz interior, desempenho sexual (viagra literário),
vida saudável, felicidade conjugal, entre outros temas bizarros. Estes livros todos realmente mudam a vida das pessoas: dos seus autores e editores. Os autores viram grandes e caros conferencistas da noite para o dia. Escolas os convidam, empresas abrem suas semanas de avaliação e reciclagem das equipes de trabalho com palestras desses alquimistas da pós-modernidade que sabem transformar suas palavras em ouro. Certamente nenhum desses best-sellers irá ensinar como tirar proveito de tantos desorientados, insatisfeitos com a vida, duvidosos das suas capacidades para ganhar dinheiro. Não se pode duvidar da capacidade dos autores.
Sabem escrever. Sabem atrair leitores de maneira fascinante. Sabem também,
aproveitar o que já escreveram num de seus livros, requentarem,
e usarem novamente sob um novo título. São mestres em usar
modelos de sucesso, que pode ser um reconhecido empresário de sucesso
como uma personalidade política ou até mesmo religiosa.
Tanto faz, basta que essa personalidade tenha carisma suficiente para
envolver os leitores. Neste caso, Jesus tem o mesmo valor de Airton Senna,
Henri Ford, Ted Turnner, Onassis que, além e rico, conquistou a
bela e charmosa viúva Kennedy. Vive-se um fenômeno de final e início do
século. Têm-se dificuldades em entender as mudanças.
Perderam-se muitas referências, modelos que serviram e que hoje
parecem estar ultrapassados. É certo que muitos desses modelos
frustraram. Eles pareciam bons, no entanto, não deram soluções
vantajosas. Somado a isso, a superficialidade do conhecimento, a incapacidade
para interpretar as mudanças dentro de seus diferentes aspectos
- talvez seja resultado do excesso de especialização e do
conhecimento compartimentado oferecido nas escolas de ensino superior
- leve as pessoas buscarem soluções rápidas para
suas vidas e sucesso na vida profissional. Não
quero oferecer solução para este trágico fenômeno
do nosso tempo. Correria o risco de ser também um vendedor de soluções
fáceis como estes que critico. Todavia, acredito que o que está
faltando é aceitar o que se é e reconhecer as limitações
com maturidade. É importante lembrar que somos humanos, embora
geniais, a vida consiste de sucessos e fracassos. E, como sugestão,
vamos ter um pouco mais de malícia, sermos um pouco mais perspicazes
e aguçar nossa crítica. |
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