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ANO 6 - ED 70 - JUNHO DE 2005


Uma educação para a água

Rodrigo Apolloni

Pesquisador paranaense afirma que a humanidade não está a beira de um colapso por falta de água e que os riscos de uma escassez dependem de uma série de fatores


Nascente do Rio Belém, no bairro Cachoeira. Tercho (ainda)
protegido por margens da mata ciliar. O local abriga uma
unidade de conservação, o Parque Nascentes do Belém,
na Rua Rolando Salim Zappa Mansur.

O Belém, "rio arquétipo" de Curitiba, pode ser despoluído e gerar um volume de água de mil litros por segundo. Desse total, metade pode ser destinada ao consumo humano sem impacto significativo sobre o meio-ambiente. A população beneficiada? Trezentas mil pessoas. Com esse exemplo, o doutor em Geologia Ambiental Roberto Fendrich, professor da PUC-PR e da UFPR, sustenta o argumento de que a humanidade não está à beira de um colapso em relação à água. "A água está aí. A questão passa pelas políticas de gestão. Se o poder público, as empresas e a população trabalharem em conjunto, não vai faltar água e nem o meio-ambiente será afetado". De acordo com Fendrich, os principais problemas relativos à água, atualmente, decorrem da soma entre processos ambientais naturais e processos antrópicos (produzidos pelos seres humanos). Se os processos naturais em escala macro não podem ser modificados - como o fenômeno El Niño, por exemplo, ou as monções no subcontinente indiano - os fatores antrópicos podem (e devem) ser ajustados para que as coisas não se compliquem. "Glaciações, períodos de seca e outros fenômenos climáticos em larga escala fazem parte da História da Terra. O problema acontece quando eles se cruzam com fenômenos produzidos pelo homem. É preocupante, por exemplo, observar ocorrências como a da redução da neve no Kilimanjaro", observa. O Efeito Estufa - provável causador desse degelo - poderia ser reduzido e revertido com medidas como a aceitação, pelos Estados Unidos, dos termos do Protocolo de Quioto (que trata, entre outros temas, das emissões de gases que afetam a atmosfera).
Comparando os processos de poluição das fontes de água dos países desenvolvidos e dos países em desenvolvimento, Fendrich observa que a situação passa pelo período em que as medidas foram tomadas e pelos recursos investidos. "Processos de despoluição de rios como o Sena e o Tâmisa são antigos. Ou seja: as mesmas coisas que acontecem aqui aconteceram na França e na Inglaterra, mas lá foram revertidas com políticas acertadas e com dinheiro. Em países como o Brasil e em cidades como Curitiba isso ainda não aconteceu. O dinheiro conta muito, evidentemente, mas não é o suficiente. Seriam necessárias medidas que pudessem - por exemplo - reverter a situação dos rios de Curitiba tornando-os, de fato, locais onde lambaris poderiam ser encontrados”.



Professor Roberto Fendrich, da UFPR e PUC-PR


O pesquisador mostra preocupação com o interesse crescente dos países desenvolvidos em reservas de água como as da Amazônia e do Aqüífero Guarani. "A questão geopolítica que envolve a água é muito séria. Países como os Estados Unidos já estão de olho nessas fontes. Se o Brasil não tomar cuidado, corremos riscos de perdê-las", avalia.

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