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ANO 6 - ED 70 - JUNHO DE 2005


Fiep cria projeto para reduzir emissão de gás carbônico

O trabalho é conduzido por técnicos do Senai-PR e uma empresa de Ponta Grossa

O Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio do Senai, está elaborando projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para a empresa Águia Florestal, de Ponta Grossa, que pretende reduzir suas emissões de gases poluentes e, com isso, obter créditos de carbono. O processo segue as normas do Protocolo de Kyoto, um acordo internacional visando estabilizar o aquecimento global da Terra que foi elaborado em 1997 e entrou em vigor em 16 de fevereiro deste ano.

O MDL é um dos mecanismos de flexibilização que permite aos países industrializados comprar créditos de carbonos que forem economizados em nações em desenvolvimento. A parceria entre a Fiep e a Águia Florestal surgiu a partir do interesse do grupo empresarial em aplicar tecnologias para o desenvolvimento sustentável de suas áreas de atuação - exportação de madeira, metalúrgica e química. De acordo o diretor de Operações do Senai, Luiz Henrique Bucco, o trabalho consistirá em otimizar o processo energético da indústria, de modo que a caldeira passe a utilizar combustível renovável (biomassa) em substituição ao fóssil.

"O importante é que desenvolveremos metodologia que poderá ser estendida a outras indústrias", informa. O projeto contará com o apoio de consultoria externa especializada que vai repassar ao Senai conhecimentos específicos sobre todo o processo. "Nossos técnicos vão acompanhar todo o projeto, obtendo conhecimentos e se capacitando", afirma o coordenador da área de Negócios em Assistência Técnica e Tecnológica do Senai, Adilson Luiz de Paula Souza.

Até o momento somente dois projetos de MDL e crédito de carbono foram apresentados oficialmente ao governo brasileiro. Quando o de Ponta Grossa ficar pronto, deverá passar por uma bateria de testes e comprovações, num processo que pode durar mais de 12 meses. Com a aprovação do governo brasileiro a documentação é enviada para a Organização das Nações Unidas, onde uma comissão específica avalia e, se aprovar, faz o registro da proposta. A partir deste momento a empresa inicia o monitoramento para comprovar a redução de CO2, o que deve levar mais de um ano. Só depois disso é que a ONU emitirá o Certificado de Emissões Reduzidas (CER).

Mercado de carbono pode gerar bons negócios

Além de modernizar seu processo energético, a empresa paranaense quer ganhar a condição de comercializar créditos de carbono, um mercado que ainda não está regulamentado, mas que deve gerar bons negócios no médio prazo. Atualmente os valores utilizados como referência oscilam entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada de CO2 que deixa de ser emitida.

O Protocolo de Kyoto foi assinado por 136 países e estabelece medidas para reduzir em 5,2%, até 2012, a emissão de gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa, em relação aos níveis registrados em 1990. Países em desenvolvimento estão excluídos nesta primeira fase, e um grupo de 34 nações industrializadas aparece na listagem de necessidade de redução.

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