Casa de Estudos e Retiros Padre Reuter Instituto Ciência e Fé Paslestras e Conferências Contato LInks


 

 


AROLDO MURÁ G. HAYGERT,
jornalista, é presidente do Instituto Ciência e Fé, professor do Grupo Educacional Uninter e comentarista da Rádio Banda B.


ANO 9 - ED 101 - FEVEREIRO DE 2008

TUIUTI, GARCEZ, SEMINÁRIO,
EDIFÍCIOS DE EDUCAÇÃO

Aroldo Murá G. Haygert

Nada mais “apropriado” para uma quarta-feira de Cinzas: dia 5 de fevereiro, 2008, a notícia de que um incêndio consumira a maior parte do edifício histórico do câmpus Mercês da Universidade Tuiuti, em Curitiba. Foi-se quase toda a histórica edificação próxima do centenário e que, antes de sediar universidade, fora o grande centro de formação de quadros da Congregação dos Irmãos Maristas no Sul do Brasil. Por lá passaram educadores paradigmáticos de gerações de brasileiros, como os professores Irmãos Albano (José Cordun), Clemente Ivo Juliatto (reitor da PUCPR), Dario Bortolini, Frederico (presidente e vice da mantenedora da PUCPR), os professores Miguel Wouk, Ernesto Juvenal e mestres pioneiros, muitos deles franceses, cujos nomes Deus sabe... um nicho formador e alimentador de saberes, com desdobramentos na vida do país ad aeternum.

Os religiosos deixaram o imponente conjunto arquitetônico de marcas ecléticas em meio a uma crise financeira, vendendo-o para saldar dívidas de uma editora marista então pré-falimentar.
O coronel Sidney Lima Santos, que o assumiu, acabou mantendo a tradição educacional da edificação, um dos símbolos do bairro, lá plantando a Tuiuti.

Campus Facinter Garcez Em 1926, o engenheiro João Moreira Garcez – ex-Prefeito de Curitiba – iniciou a construção do primeiro arranha-céu da cidade. As linhas retas, revestidas em pó de pedra preto, têm, em suas fundações, grandes troncos de eucalipto protegidos com óleo cru e toneladas de cimento e ferro, importados da Alemanha. Construído no auge do movimento paranista, o Edifício Moreira Garcez trazia, além de sua incontestável beleza, atrativos como os elevadores, instalados em 1934. Em 2003, a Prefeitura Municipal de Curitiba concedeu à Facinter um alvará de funcionamento para uso educacional do imóvel, que é um belo exemplar da Arquitetura Art Déco do início do século XX, o qual o Grupo UNINTER tem ajudado a preservar, fazendo manutenções constantes, em benefício de toda comunidade curitibana e paranaense.

Outros educadores vão garantindo a preservação de prédios de interesse histórico. É o caso do grupo Uninter, cuja visão ampla de Wilson Picler, garantiu a adequação do Edifício Garcez a suas novas funções universitárias, depois de ter sido prédio de escritórios e shopping center, este concebido com toques de gênio pelo arquiteto Eduardo Guimarães (anos 70). Como shopping, ganhou premiação por seu arrojo arquitetônico interior, em âmbito internacional, nos Estados Unidos.

Campus Facinter Divina. Em 1896, o Padre Franz Aüling fundou a Escola Popular Alemã Católica – Katholische Deutsche Knabenschule. Em 1902, com o retorno do padre à Alemanha, confiou sua paróquia e sua escola aos Padres Franciscanos, que dividiram a instituição de ensino, ficando a parte feminina para as Irmãs da Divina Providência. Em 1905, a Congregação adquiriu o Castelo Hauer, nome dado a ele por se tratar, até então, da residência da tradicional família Hauer. Em 1999, a Facinter alugou um dos prédios do Colégio Divina Providência, sendo este o abrigo das primeiras instalações da Faculdade até o ano de 2001. Desde janeiro de 2007, a Facinter passou a ocupar os três prédios do imóvel onde era localizado o tradicional Colégio Divina Providência e, a partir desta data, o Grupo tem feito obras de restauração e reforma nos prédios (o Castelo Hauer – arquitetura eclética do final do século 19 – e o prédio construído em 1905), que são considerados Unidade de Preservação Municipal.

Igualmente preservado para fins educacionais está outro endereço, e que teve especial papel pedagógico na história comercial do Paraná: o Edifício Prosdócimo, na Praça Tiradentes/Rua do Rosário, também do grupo Uninter. Quem, entre os mais velhos, não se lembra da primeira loja de departamentos do Paraná, a Prosdócimo, com modelos vivos nas vitrines (em ocasiões especiais) e o deslumbre dos papais-noéis hipnotizadores da infância então absolutamente ingênua da cidade? Eu me lembro, início dos anos 50.

A Igreja Católica sempre soube adaptar-se aos tempos. Nos anos 40/50, a Arquidiocese ergueu o imponente Seminário Regina Apostolorum (Rainha dos Apóstolos, assim ficou conhecido, depois). Nos anos 90, já escassas as vocações, o seminário mudou-se para espaço vizinho, no mesmo bairro do Seminário, ganhando o nome de Seminário Bom Pastor. O imenso complexo desocupado pela Igreja recebeu novas funções: passou a abrigar as primeiras unidades de ensino superior do grupo Positivo/UnicenP. Pontos para o educador e empreendedor Oriovisto Guimarães, reitor da futura universidade UnicenP.

A PUCPR cedeu um dos espaços de preservação histórica mais valorizados da Praça Tiradentes, edifício do início do século XX, o chamado Palácio da Luz, deixado em herança à Santa Casa, de que a universidade tem a gestão. Lá funcionam agora áreas de educação profissionalizante, depois de uma ampla restauração promovida pela CNBB, que ali mantém também propostas como a de popularização do acesso à informática pelos jovens.

Há outras preciosidades arquitetônicas a serviço da educação e cultura, como o antigo Palácio São Francisco, no bairro do mesmo nome, hoje Museu de Arte do Paraná.

Já o precioso imóvel da Santa Casa de Curitiba, com papel educacional para alunos de Medicina, na Praça Rui Barbosa, foi salvo pelo bom senso dos curadores da instituição quando, no final dos anos 80, um grupo português de supermercados quis comprar a edificação que não tem preço, pois é bem inalienável da alma de Curitiba. Prometeram mundos e fundos, os empresários queriam dar em troca novo hospital, modelar, amplo, superequipado; no lugar da Santa Casa nasceria, “apenas” um shopping center. E o valor imaterial do imóvel? “Que valor é esse?...”, perguntaram os interessados na transação, com as entonações e vozes dos só comprometidos com o lucro.

Mas é no modesto - e possível - local destinado pela Igreja da Ordem ao Museu de Arte Sacra de Curitiba que o novo uso educacional -, de um imóvel se mostra paradigmático. Lá funciona, sem grande visibilidade, mas valorizado e procurado por estudiosos de arte sacra e história, o museu único da capital. Seus santos, sua prataria, seus cibórios, seus ostensórios, suas alfaias, seus altares, seus cristos e suas mães dolorosas, ao lado de missais que dão conta das muitas reformas litúrgicas romanas, tudo isso forma um oásis pedagógico.

O cenário leva à imersão em outro tempos, a partir do exame de acervo sem comparações entre nós, garante-nos garimpagem produtiva na alma de nossos ancestrais em busca de suas tonalidades.

Tudo envolvido pela delicadeza de um edifício que se divide entre o templo das adorações e o museu explicador de como, para quem, porque e quando rezavam nossos bisavós.

< retorna ao sumário

 

 

 

 

Página Inicial