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João Ricardo Gonçalves, jornalista do O Dia, do Rio de Janeiro.
Artigo transcrito da edição de 21/09/2008


ANO 9 - ED 109 - OUTUBRO DE 2008

UM GRANDE PASSO PARA A IGREJA

João Ricardo Gonçalves

Vaticano reconhece Teoria da Evolução
das Espécies, de Darwin,
e marca simpósio sobre o tema

No princípio era o criacionismo e tudo que a Bíblia dizia era ensinado literalmente para todas os cristãos: ‘Deus criou omundo em seis dias’. Depois, vieram as teorias de Charles Darwin, revelando que fazemos parte de uma evolução, o que causou desconforto entre religiosos. Esta semana, porém, o Vaticano ratificou uma tendência sinalizada há tempos: o evolucionismo é compatível com as Sagradas Escrituras.

A Igreja Católica marcou um simpósio em 2009 sobre ‘A Origem das Espécies’, de Darwin. A iniciativa foi bem vista por religiosos e educadores católicos e por especialistas em religião. “Já há alguns anos a Igreja reconhecera a Teoria da Evolução. Não há como negá-la, já que a ciência a comprova. O texto bíblico é alegórico, mas você pode fazer uma interpretação teológica”, explica Edgard Leite, doutor em História das Religiões pela Uerj. Secretário-executivo da Associação das Escolas de Educação Católica do Brasil, Dilnei Lorenzi explica que o evolucionismo é abordado como teoria científica nos colégios ligados à religião, mas nem por isso os alunos ficam longe da fé. “Uma instituição de ensino católica é informativa e formativa. A interpretação da Bíblia é cada vez mais uma interpretação a partir do momento em que foi escrita, mas os valores que ela passa também são transmitidos”.


Enquanto os católicos admitem cada vez mais que o criacionismo, a crença de que Deus teria criado o mundo em seis dias, é uma alegoria para o surgimento do mundo, outros cristãos, lêem o livro bíblico Gênesis literalmente. Nos EUA, são comuns os protestos contra o fato de a evolução ser ensinada em aulas de biologia em colégios públicos.

ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ (VEJA IMAGEM)

CIÊNCIA E FÉ JUNTOS

Chefe-geral do setor de monitoramento de satélite da Embrapa — e católico —, o cientista Evaristo Eduardo de Miranda faz ressalvas aos criacionistas. “O Gênesis não foi feito para explicar a criação, e sim para dar um sentido a ela. Para muitos católicos, o criacionismo já perdeu sentido no século 16. À época, os jesuítas já questionavam se relatos como o dilúvio da Arca de Noé eram reais. Alguns deles chegaram à conclusão de que um animal pode dar origem a outro ou muitos outros antes mesmo das teorias de Darwin”.
“A origem é Deus, e a criação é a natureza. Se temos a mesma origem, temos o mesmo destino e temos que nos respeitar” conclui o pesquisador, que também é diretor do Instituto Ciência e Fé.

OS SETE DIAS QUE MUDARAM O MUNDO (VEJA IMAGEM)

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