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Pe. Ricardo Hoepers, pároco da igreja
São Francisco de Paula em Curitiba, professor
do Studium Theologicum, assessor da
Pastoral da Pessoa com Deficiência
e conselheiro do
Instituto Ciência e Fé



ANO 10 - ED 111 - DEZEMBRO DE 2008

ACOLHAMOS O PRÍNCIPE DA PAZ

Ricardo Hoepers


O tema da Campanha da Evangelização deste ano nos propõe a acolhida. Esta palavra tem adquirido força como uma proposta concreta de nosso testemunho cristão nas comunidades e na sociedade. O Cristo, Príncipe da Paz, é o Filho de Deus encarnado no meio dos homens, que dignificou nossa humanidade, tornando-se um de nós e trazendo a plenitude do valor de nossa própria vida. Acolher o Príncipe da Paz é também comprometer-se com seu projeto de amor para com toda humanidade. Esse vínculo fraterno entre os cristãos e, dos cristãos para com todos os homens e mulheres, está se tornando cada vez mais necessário num mundo que vem excluindo e marginalizando a pessoa humana.

Podemos notar o crescimento da vulnerabilidade humana, fruto de injustiças e de um sistema econômico que ameaça nossa dignidade como pessoa. Embriões congelados, aborto, manipulação genética, abuso dos psicotrópicos, eutanásia, miséria, fome, desemprego, prostituição infantil, trabalho escravo e tantos outros problemas que estão na agenda do dia e vêm gerando conflitos de interesse econômico, políticos e sociais causando a desproteção à natureza humana.

Para que a paz se realize em nosso meio temos que ser capazes de acolher e proteger nossa própria natureza humana como um bem inalienável que deve ser responsavelmente cuidado por todos. A Encarnação do Verbo é a prova mais concreta de que, celebrar o Natal é aceitar a presença de Deus em nossa história e assumir seu projeto de amor. Esse amor está distante e esquecido quando nos deparamos com o desrespeito pela vida humana. Estamos nos tornando objeto de manipulação, e nossa natureza humana está fadada a ter um valor relativo, de acordo com os interesses que a economia ditar. Desde nossas células estaminais até um órgão no final de nossa vida são objeto de negociação e mercado. A mentalidade do “tirar proveito de tudo” está nos consumindo, e nossa natureza humana está se tornando objeto descartável.

O Príncipe da Paz vem trazer a mensagem da conversão. Por mais difíceis que pareçam os desafios, não podemos esquecer que somos cristãos e celebramos sempre em nossa vida o que meditamos nos mistérios do rosário: gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos. Eles se fazem presentes em nossa história de evangelização: defendemos o início da vida contemplando os mistérios da Encarnação, lutamos pela dignidade da vida contemplando os mistérios da luz, sofremos com os vulnerabilizados e excluídos com os mistérios dolorosos, mas nunca podemos esquecer que nossa alegria é que Jesus é o Príncipe da Vida, pois derrotou a morte e ressuscitou, revelando-nos que o mal nunca poderá ser maior do que o bem.

Portanto, celebrar o Natal é acreditar que na Encarnação de Jesus já se antecipa sua própria ressurreição e que a vida humana é o sacrário onde o Deus Conosco habita, sustentando-nos e clamando pela paz e em defesa da vida, acolhendo-O em cada rosto humano.

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