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Marcio Antonio Campos, jornalista, editor do caderno
Vestibular do jornal Gazeta do Povo, publica o blog Tubo de Ensaio
sobre ciência e religião, é novo sócio do
Instituto Ciência e Fé.
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ANO 10 - ED 111 - DEZEMBRO DE 2008
EM DEFESA DO PRESÉPIO
Marcio
Antonio Campos

Circular pelo comércio curitibano (ou em qualquer
outra cidade grande do Brasil) para as compras de Natal é aventurar-se
por uma floresta de pinheiros, renas, duendes e, claro, bons velhinhos,
de verdade ou de mentira. Para muitas pessoas, mesmo cristãs,
parece absolutamente normal que não se encontre o presépio
quase em nenhum lugar. Natal, não custa lembrar, é uma
das grandes festas do Cristianismo, em que se comemora o nascimento
de Jesus. Mas onde foi parar, então, o aniversariante? Ouvi
dizer, uma vez, que um dos primeiros desenhos animados dos criadores
da série South Park mostrava um duelo entre Jesus e o Papai
Noel para saber quem era a principal personalidade do Natal. Nunca
vi esse desenho para saber se ele é apenas engraçado
ou também blasfemo, ou para saber quem venceu a disputa. Mas,
no mundo real, está declarada a vitória do Papai Noel.
Mesmo antes de ser eleito Papa, Bento XVI denunciava, e continua denunciando,
a descristianização completa do mundo, especialmente
do Ocidente um ato de profunda ingratidão, já que a civilização
ocidental foi moldada pelo Cristianismo, como lembra Thomas Woods,
num livro que acaba de ser lançado no Brasil (Como a Igreja
Católica construiu a civilização ocidental, editora
Quadrante). Nas festas de Natal, a descristianização
não mandou ao ostracismo apenas o presépio; o próprio
nome da festa já é omitido, substituído pelo insosso “boas
festas” (ou, em inglês, season's greetings).
Um argumento muito usado nesses casos é o de “não
ofender os não-cristãos”. Reflexo da praga do politicamente
correto, que ironicamente não protege... os cristãos.
Ativistas homossexuais podem promover beijaços na Praça
de São Pedro, artistas plásticos podem satirizar figuras
veneradas pelos cristãos, como a Virgem Maria, ou desenhar órgãos
sexuais com terços, e tudo isso é defendido em nome da
mesma liberdade de expressão que se quer retirar dos cristãos
quando defendem seus princípios. E os cristãos não
reagem, ou reagem muito pouco. Mesmo no caso do presépio. Eu,
como cristão, fico ofendido quando um shopping center não
exibe um presépio; faço minhas compras de Natal naqueles
locais que fazem alguma questão de recordar por que celebramos
esse dia e damos presentes uns aos outros, ainda que para isso precise
me deslocar mais.
No ano passado, na Inglaterra, hinduístas, sikhs e muçulmanos
lançaram uma campanha direcionada aos cristãos, para
que comemorassem o Natal sem medo, pois não ofendiam as outras
religiões. Até a Comissão de Direitos Humanos
e Igualdade Inglesa aderiu à iniciativa. À época,
o porta-voz do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, Shayk
Ibrahim Mogra, disse: “É absurdo pensar que as celebrações
e as decorações de Natal possam ofender os muçulmanos.
Por que não podemos ter mais presépios na Grã-Bretanha?”.
E o presidente da comissão de Direitos Humanos, Trevor Philips,
fez um questionamento muito simples: “é justo celebrar
o Natal e é justo que Cristo seja a estrela da festa”.
Quando os não-cristãos precisam lembrar aos cristãos
que suas tradições estão se perdendo, é o
momento de parar e pensar se também nós não estamos
contribuindo, por omissão, para a descristianização
da sociedade.
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