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EVENTOS PÚBLICOS DEBATERAM
FÉ, Por Cláudia Gabardo Dois eventos de peso na área das Ciências Sociais marcaram a agenda do Instituto Ciência e Fé e entidades parceiras neste mês de agosto. O primeiro foi o ciclo de palestras que discutiu os desafios à fé na sociedade secular sob o ponto de vista de profissionais e estudiosos da Biologia, da Educação e da Teologia e, o segundo, uma incursão sobre a interrelação entre política, poder e mercado conduzida pelo professor e expert em administração Belmiro Valverde Jobim Castor. Apesar de distintos, cada um deles apontou para uma conclusão comum: a de que, no cenário mundial de mudança acelerada de paradigmas em todos os campos do fazer humano, sobrevivem com competência setores e indivíduos que não temem refletir e rever suas práticas.
Para o especialista em Biologia Celular e diretor de Pesquisa e Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Valdemiro Gremski, que abriu o ciclo de palestras realizado no setor de eventos da Igreja São Francisco de Paula, os avanços científicos estão entre os fatos que mais levam ao questionamento da fé e das religiões – e apesar de os interesses envolvidos não serem incompatíveis. “Há uma diferença muito grande de velocidade entre esses dois campos e o que é reservado ao sagrado sempre tende a recuar ante as ousadias capitaneadas, nesse novo século, pela Biologia”, observa. Interdependência O oncologista Cícero de Andrade Urban, que dividiu com Gremski a abordagem do tema, concorda com suas ideias e acrescenta: o modo de entender a doença considerando outras variáveis (religiosas, sociais e culturais) tende a ser extremamente útil na prática médica, com grandes vantagens para o paciente. “Ele (paciente) deixa de ser um caso, um número na estatística, para ser alguém com referências e valores muito próprios e que podem influenciar na forma como o seu organismo responde de maneira diferente a um problema de saúde comum a tantas outras pessoas”, resume. “Observando essas questões, é possível fazer uma medicina de melhor qualidade e, assim, cumprir sua função social”. Para Coelho, no entanto, a grande questão não é falar de religião na escola “mas de que modo é possível abordar os diversos temas sob pontos de vista abertos à reflexão filosófica e que permitam abranger as questões da fé, das religiões e da religiosidade”, instigando o interesse dos estudantes. Coube ao padre Ricardo Hoepers - que acaba de deixar o Brasil para viagem de quatro anos de estudos na Itália - fazer um apanhado sobre a leitura feita pela Teologia quanto aos desafios apresentados à fé e à religiosidade. No seu entender, avaliar com responsabilidade as questões que extrapolam os domínios do religioso é urgente para que a fé – a exemplo da católica – ganhe mais adeptos. “Há que se considerar os conceitos e as necessidades de cada momento histórico e sua dinâmica”, observa o religioso, que podem ser compartilhados sem empecilhos pelas religiões e seus praticantes e em proveito deles próprios. Economia No Brasil, explica Castor, a situação é mais complexa porque o país ainda não é propriamente capitalista. “Estamos na fase do pré-capitalismo, em que estabilidade de regras, respeito aos contratos e parceiros definidos, necessários para que o mercado prospere, ainda não são pré-requisitos observados do mesmo modo que nas sociedades verdadeiramente capitalistas”, disse. |
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