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RELIGIÃO, CIÊNCIA E MÉTODO José Carlos Veloso Júnior
O presente trabalho é a conclusão do artigo iniciado em nossa edição anterior, de Julho (páginas 3 e 4 - disponíveis online aqui). Trata-se de uma comunicação preparada pelo professor doutor José Carlos Veloso Júnior para o 1º Colóquio Nacional das Ciências das Religiões, realizado em Curitiba, em maio de 2009, pelo Ichthys Instituto de Psicologia e Religião e pela FAVI – Faculdade Vicentina (Veja reportagem publicada na edição de Maio, páginas 6, 7 e 8 - também disponíveis online). O autor aborda a necessidade do método no estudo da teologia como se verificou ao longo dos últimos quarenta anos da história da teologia no Brasil e sua necessidade para ultrapassar a concepção fenomenológica da religião e despertar o mundo acadêmico para este problema. 3. A disputa pelo método e o papel da religião A preocupação com o uso das ciências sociais na teologia tinha em vista reconhecer o valor da realidade social como ponto de partida para a ação evangelizadora da Igreja. A razão disso é a necessidade de que a religião e, particularmente, a teologia tenha como ponto de partida o concreto da realidade, precisando fazer uma análise social e discorrer sobre o papel da religião e da teologia. Esta discussão favorece a busca de um instrumental teórico sociológico para a constatação do elemento religioso e seu significado, ou seja, há a necessidade da definição epistemológica e da pertinência de cada ciência da religião e de modo que possa demonstrar a validade da doutrina cristã e de sua prática, onde há a necessidade de um “certo” pluralismo de opiniões, em razão da possibilidade de interpretação diversa da analogia entre os dados da ciência e a fé, mas ao mesmo tempo, para evitar a equivocidade e identificação objetiva entre sociedade e teologia e, por que não dizer, levar a própria religião a uma concepção intimista e subjetivista, fugindo da sua própria finalidade, desviando-se do seu conceito e, consequentemente, tornando um simples material ideológico. Portanto, esta atitude favorece a busca de outras interpretações científicas da religião nas diferentes matizes das ciências humanas. Com isso se estabelece uma relação entre fé, teologia e ciências . Nesta relação se define o caráter próprio da teologia e da religião e procura um “modelo” científico de interpretação, mas afirmando o caráter próprio de cada um destes campos que não pode ser confundido. Segundo P.F. Carneiro de Andrade, este é um modelo complexo, que envolvendo relações equidistantes entre os objetos apresentados, não pode correr o risco de delimitação e nem provocar uma confusão de pertinências. Esta relação é necessária e interdisciplinar por propiciar o caráter imanente de qualquer ciência e demonstrar a amplitude do objeto, quer seja da teologia ou da religião, que sempre escapam da mediação fenomenológica e social e abrem espaço para o além, o Metafísico e o Transcendente. Porém, o fundamento desta relação entre a teologia, a religião, a filosofia e as ciências deve ser o valor da pessoa humana e a construção do bem-comum, de modo que se percebam na fé cristã os elementos de verdade e validade para a vida e para a sociedade, na qual a prática religiosa deve ser expressão enquanto celebração, doutrina e ciência, no qual o Transcendente e o Santo se manifeste na história e na prática religiosa e confirme sua manifestação e presença na verdade da Revelação cristã onde o Deus Criador e Providente, que vem ao encontro do homem definitivamente em Jesus Cristo dando-nos o seu Espírito e convocando o povo para a sua Igreja, seja a verdade religiosa inerente a todos. Por sua vez, o aspecto religioso-teológico da realidade é importante, pois determina o «lugar» em que se elabora a teologia e se vive a religião. Por isso, se busca «um novo modo de fazer teologia» e uma «nova maneira de ser Igreja». No entanto, a mudança da sociedade nos anos 90 fazem aparecer novos paradigmas que se distanciam da concepção sócio-econômica-política dando espaço para novos sujeitos emergentes – mulher, índios, excluídos – como também aparecem novos problemas como a ecologia, o futuro das próximas gerações e a subjetividade. Enfim, a concepção sócio-econômica-política é enriquecida por outras dimensões da subjetividade e da realidade. A influência destes novos paradigmas é confirmada pela necessidade uma nova interpretação da religião por parte das ciências humanas e da importância do diálogo interdisciplinar entre a teologia, religião e ciências, devido ao pluralismo cultural e a complexidade da pós-modernidade. Esta interdisciplinaridade deve favorecer uma interpretação da vida humana em todos os seus aspectos, no qual é importante definir o valor e o significado da religião e das instituições religiosas, de tal modo que se possa estabelecer o seu papel e sua importância na sociedade. Enfim, se tem a aprovação a nível governamental da ciência teológica e do valor de suas instituições e a divulgação e abertura de tantas áreas de pesquisas para as ciências da religião. Conclusão |
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