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Neste artigo - escrito a partir de “Pedagogia do Ódio”, publicado na última edição do Jornal Universidade (clique aqui para ler), em que Paulo Delgado aborda o Relatório das Nações Unidas sobre Direitos Humanos - o autor enfoca, num livre debate de ideias, aspectos do avanço tecnológico e econômico do Irã. Os dados dos relatórios da ONU sobre os direitos humanos, quando mal empregados, em lugar de esclarecer a opinião pública, servem para montar uma imagem parcial da realidade, suscitando juízos de valor eivados de preconceito. É o que acontece com o artigo “Pedagogia do Ódio”, de autoria do deputado federal Paulo Delgado (PT-MG), reproduzido na última edição deste Jornal Universidade Ciência e Fé. Para que se tenha uma imagem mais próxima da realidade, apresentamos algumas informações às quais a população brasileira, em geral, não tem acesso. Temos uma certeza: o contraditório é fundamental para que haja uma aproximação da realidade. A República Islâmica do Irã é uma potência regional em ascensão. Antiga Pérsia, adotou este nome após a Revolução de 1979, comandada pelo Imam Sayyed Ruhollah Mussawi Al-Khomeini. À frente de um importante levante popular, que destronou o corrupto e entreguista Xá Muhammad Reza Pahlavi, o Imam Khomeini estabeleceu uma democracia islâmica: o voto nas eleições majoritárias e proporcionais é direto e universal, um direito de homens e mulheres, e não é obrigatório. Acima dos poderes do estado está o Faqih (Sábio Jurisconsulto), guardião da Constituição e vigilante protetor do caráter espiritual do governo (1). Um dos dados mais impressionantes sobre o país é o seu implacável avanço econômico e tecnológico. A República Islâmica construiu o 17º Produto Internto Bruto (PIB) do mundo, totalizando US$ 848 bilhões (ou impressionantes R$ 1,4 trilhão) (2). Está à frente de nações como a Austrália, Suécia, Argentina, Áustria e Noruega. Os iranianos construíram uma economia deste porte ao longo dos últimos 30 anos, a despeito do feroz bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1979 e da guerra de oito anos (1980/88) que o vizinho Iraque, influenciado, financiado e armado pelo Ocidente, deflagrou contra o país. A República Islâmica do Irã é uma das poucas democracias do Oriente Médio. Todas as minorias étnicas e religiosas estão representadas no Parlamento (“Majlis”), onde encontram-se deputados cristãos, zoroastrianos e judeus. Àqueles que afirmam, de maneira falsa, que o país oprime as minorias, basta dizer que a autoridade máxima da nação, o Ayatollah Sayyed Ali Hosseini Al-Khamenei, não é de origem persa, mas azeri (24% da população). Outro mito construído com boa dose de má fé contra a República Islâmica do Irã é a suposta opressão às mulheres. Pois, elas são parte ativa desta vibrante democracia. Na atual legislatura, oito conquistaram assento no Parlamento. O importante Ministério da Saúde é comandado pela médica ginecologista Marzieh Vahidi Dastjerdi. Nas universidades, elas ocupam 63% das vagas, atuando em setores tão diversos quanto engenharia, jornalismo, administração pública e privada e medicina (3). Situada em posição estratégica no Oriente Médio, a República Islâmica do Irã é o 19º país do mundo em população. Ao contrário do que afirma o deputado em seu (infeliz) artigo, o Irã se constituiu, ao longo dos anos, num refúgio para populações perseguidas em seus próprios países. Atualmente, abriga um grande número de iraquianos e afegãos, que fugiram de suas pátrias devido às perseguições dos regimes do ex-ditador Saddam Hussein, do Talebã e das guerras impostas pelos Estados Unidos e Europa ao Iraque e ao Afeganistão. Na área tecnológica, a República Islâmica do Irã vem se destacando em vários campos. No setor aeroespacial, lançou em 02 de fevereiro de 2008 o satélite de pesquisas meteorológicas Omid, de construção totalmente nacional. O equipamento chegou à órbita terrestre transportado pelo veículo de lançamento Safir II, também construído no país. No último dia 03 de fevereiro, lançou em órbita terrestre uma cápsula com um organismo vivo. Foi o primeiro passo para enviar um astronauta. Na área nuclear, o Irã vem conquistando notável expertise nas pesquisas de enriquecimento de urânio e na sua aplicação em atividades pacíficas, como as de ordem médica e energética. Nação altiva, berço de uma das mais brilhantes civilizações, pátria de um povo educado e piedoso, a República Islâmica do Irã cometeu sim, um grande pecado: decidiu trilhar, de maneira autônoma e soberana, um caminho próprio para seu desenvolvimento, sem se submeter aos interesses imperiais do mundo. Democraticamente, o povo iraniano, em sua maioria, optou por dar mais um mandato a Mahmud Ahmadinejad, apesar da agitação de uma minoria inconformada, insuflada pelas potências arrogantes do Ocidente. E estendeu suas mãos ao povo brasileiro, por meio da visita do seu representante legítimo ao país. Que, despidos de preconceitos e de maneira lúcida, possamos avaliar serenamente as oportunidades culturais, sociais, políticas e econômicas que esta parceria podem render ao Brasil. Fomentar o discurso do ódio contra a República Islâmica serve aos interesses de outras nações, não aos do Brasil, certamente.
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