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Para algumas empresas, cuidar do meio ambiente é apenas uma obrigação legal. Mas para a maior usina hidrelétrica do mundo, a Itaipu Binacional, é muito mais do que isso: trata-se de uma missão institucional. Itaipu leva tão a sério este compromisso que suas ações ambientais são consideradas modelo para todo o setor elétrico mundial. E mais do que isso: conquistam prêmios e re-conhecimento internacional. No final do ano passado, Itaipu conquistou o Prêmio Carta da Terra Maximo T. Kalaw Jr., entregue em Amsterdã, na Holanda, pelo desenvolvimento do seu programa Cultivando Água Boa. O programa foi uma das quatro experiências vencedoras entre 30 práticas mundiais analisadas que difundem e aplicam concretamente os princípios e valores da Carta da Terra. Itaipu também foi vencedora da segunda edição do Top Social ADVB/PR - Prêmio Zilda Arns de Responsabilidade Social, levando a premiação máxima nas duas categorias em que disputou: comunidade e meio ambiente. Outro prêmio importante recebido foi o de Destaque Nacional em Meio Ambiente, concedido pelos conceituados Instituto Ambiental Biosfera e Instituto Brasileiro de Estudos Especializados - o Ibrae. O Cultivando Água Boa, mostrado pela empresa para os representantes de mais de 180 países que participaram dos eventos sobre biodiversidade e biossegurança, organizados pela ONU, em Curitiba, se desdobra em mais de uma centena de ações conservacionistas.
São ações voltadas para a educação ambiental; preservação das nascentes de rios e córregos que deságuam no seu reservatório; constituição de mata ciliar para proteger os rios e o seu próprio reservatório; proteção da fauna e da flora; práticas corretas de conservação de solo; desen-volvimento da agricultura or-gânica; cultivo de plantas me-dicinais; destinação correta das embalagens de agrotóxicos e criação de peixes em tanques-redes (gaiolas flutuantes), entre outras ações. Fundamentos do programa O programa Cultivando Água Boa está fundamentado na ética do cuidado com a vida e numa série de compromissos, expressos em pactos nacionais e internacionais, como a Carta da Terra, a Agenda 21, as Metas do Milênio, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Res-ponsabilidade Global, as propostas da Conferência Nacional de Meio Ambiente do Brasil e as políticas públicas do governo brasileiro. Mata ciliar e corredor de biodiversidade Todo o reservatório de Itaipu, de aproximadamente 1.400 quilômetros quadrados de extensão, é protegido por uma faixa de mata ciliar, com largura média de 217 metros. A floresta contínua plantada e preservada por Itaipu, o que inclui a faixa de proteção, refúgios e reservas biológicas, já alcança 108.866 hectares, o equivalente a 60% de uma área como a do Parque Nacional do Iguaçu. Esta faixa de mata ciliar permitirá, brevemente, a formação do Corredor da Biodiversidade, que ligará o Parque Nacional do Iguaçu ao Parque Nacional de Ilha Grande e ao Pantanal do Mato Grosso do Sul. Canal da Piracema Além disso, Itaipu construiu um rio artificial de 8 quilômetros, o Canal da Piracema, que liga o rio Paraná ao seu reservatório. Autêntico elo da vida, o Canal ajuda os peixes a vencerem o desnível de 120 metros entre a superfície do reservatório e o rio Paraná abaixo da usina e garantirá a reprodução das espécies na época da piracema. O Canal servirá, ainda, para a prática de esportes. Por meio do Cultivando Água Boa, Itaipu apóia o desen-volvimento da agricultura orgânica na região da Bacia Hidrográfica Paraná III, que envolve 30 municípios no Oeste do Paraná. O objetivo do projeto é desenvolver a Agricultura Orgânica para contribuir no controle dos impactos ambientais gerados pela produção agrícola convencional e aumentar a qualidade de vida dos agricultores e consumidores, além de fortalecer a agricultura familiar. Na realidade, Itaipu pretende formar um cinturão de agricultura orgânica no entorno do seu reservatório, para melhorar a qualidade da água usada tanto para produção de energia elétrica como para abastecimento das cidades lindeiras. Capacitação técnica Itaipu oferece capacitação para agricultores, técnicos e professores, além de fornecer assistência técnica aos produtores para que eles possam fazer a conversão e a certificação de suas propriedades para o plantio de orgânicos. A empresa oferece, ainda, apoio à comercialização e à agroindustrialização. Já foi criada até uma marca para vender e certificar a origem dos produtos orgânicos produzidos na região, a Gran Lago. A meta do programa é atender cerca de 3 mil agricultores orgânicos até 2008, o equivalente a 10% das propriedades agrícolas da região. O programa é desenvolvido por um comitê gestor e seis subcomitês de Itaipu em parceria com 16 instituições gover-namentais e não-governamentais.
Exemplo para o setor elétrico O cuidado que a Itaipu dedica à água e ao meio ambiente é considerado modelo para o setor elétrico brasileiro. O Cultivando Água Boa foi escolhido como modelo de programa ambiental para as empresas do setor elétrico que integram o grupo da holding estatal Eletrobrás. O professor Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ex-presidente do grupo Eletrobrás, diz que as ações ambientais de Itaipu constituem-se numa referência importante para as demais hidrelétricas, não só brasileiras, mas também mundiais. "Acredito que já há até uma repercussão internacional desse trabalho", assinala. Pinguelli destaca o Canal da Piracema, um rio artificial de oito quilômetros de extensão, que liga o rio Paraná - à jusante - ao reservatório da usina, para facilitar a reprodução dos peixes. "Muitas iniciativas em particular, como a questão dos peixes, foram replicadas em outras empresas do grupo Eletrobrás", informa. Ele demonstra entusiasmo ao falar sobre o projeto Cultivando Água Boa: "a idéia de que não basta só usar a água para gerar eletricidade, mas também para servir à população, com qualidade adequada, é elogiável nesse programa", observa. |
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