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Com mais de 130 seminários masculinos e femininos, Curitiba é considerada um dos principais centros de formação para a vida religiosa. Diferentes ordens e congregações estão inseridas em atividades pastorais e missionárias, atendendo as comunidades mais pobres, e envolvidas na iniciação espiritual de novos frades e irmãs. Com esse propósito, instalou-se também em Curitiba a Ordem dos Servos de Maria - pouco conhecida, pouco numerosa, mas com uma história secular. No convento, localizado no Bairro Alto, os servitas se preparam para a vida em comunidade, de serviço e oração, sob a inspiração mariana. A Ordem dos Servos de Maria, fundada por sete santos, nos arredores de Florença (Itália), em 1233, tem pouco mais de dois mil representantes em todo o mundo, bem menos do que os 22 mil franciscanos ou 20 mil jesuítas espalhados pelos cinco continentes. Arregimentar um maior número de irmãos nunca foi a preocupação dos servitas. "Nunca fomos muitos", confirma o frei Valdir Borges, prior do seminário e pároco da capela Maria Mãe da Igreja. "Temos características próprias. A vida fraterna em comunidade é um dos nossos principais valores. Para nós, é mais importante ser um religioso do que se tornar padre", explica. Em todo o Brasil, são apenas 32 padres Servos de Maria e pelo menos vinte deles realizaram parte da sua formação no seminário de Curitiba.
Os servitas têm uma história recente na cidade. Chegaram em 1977, ocupando parte das instalações do Colégio Madalena Sofia. Em 1980 ganharam a atual sede, numa aprazível área verde, cercada de araucárias e de onde se avista, ao longe, o centro da cidade. No convento Santa Maria dos Servos vivem hoje 16 jovens que exercem o postulantado e mais cinco que estão na etapa do professado solene, ao término da qual os seminaristas abraçam definitivamente a condição de religiosos. Durante o postulantado, os jovens fazem o curso de Filosofia na Universidade Católica do Paraná, e durante o professado especializam-se com cursos de mestrado e doutorado em Teologia no Studium Theologicum (escola agregada à PUC-PR, filiada à Pontifícia Universidade Lateranense de Roma). O noviciado, uma das etapas intermediárias da formação, não é realizado em nenhum dos seis conventos dos Servos de Maria existentes no Brasil (além de Curitiba, eles estão presentes também em São Paulo, São José dos Campos, Rio de Janeiro, Rio Branco-AC e Turvo-SC). Para realizar essa etapa, os seminaristas brasileiros da Ordem são encaminhados para conventos da Argentina ou do Chile. Os servos de Maria são hoje uma das principais referências no Bairro Alto, onde atuam em atividades de catequese, evangelização, assistência social e animação litúrgica. Junto à paróquia de Maria Mãe da Igreja funciona o Centro Social Marta e Maria, que presta atendimento a 110 famílias carentes da região. Por influência dos religiosos, também se formou ali um movimento de leigos associados à Ordem dos Servos de Maria. Com 35 membros que compartilham os mesmos ideais, eles integram a Ordem Secular Servita. A do Bairro Alto é um das três fraternidades leigas estruturadas e atuantes no Brasil, além de outras que estão em formação. Também na mesma região vivem quatro irmãs Servas de Maria Reparadoras - uma das várias congregações de irmãs e monjas que, ao longo dos séculos, assumiram a mesma espiritualidade propagada pelos setes santos fundadores da Ordem.
Além do prior, o frei Valdir Borges, atuam no mesmo seminário o frei Marcos Roberto Huck, formador dos postulantes, e o frei Clodovis Boff, um dos mais renomados teólogos da América Latina. Após contribuir com a teologia da libertação, que ajudou a propagar junto com seu irmão, Leonardo Boff, o frei Clodovis dedica-se atualmente à produção teológica e ao magistério. É professor da Universidade Católica do Paraná, do Studium Theologicum, do Instituto Vicentino e da Pontifica Universidade Católica Marianum, de Roma. É assessor teológico da Conferência dos Religiosos do Brasil e tem várias obras publicadas, inclusive traduzidas para outros idiomas. História de oito séculos
Nossa Senhora das Dores é a padroeira principal da Ordem, pelo seu exemplo de vida e papel que desempenhou na história da salvação. Em sua oração à padroeira, os servos invocam as sete dores vividas por Maria até a morte do filho: quando escuta a profecia de Simeão, foge para o Egito com o menino para escapar da fúria de Herodes, perde o filho em Jerusalém, encontra-se com Jesus no caminho do calvário, está presente junto à cruz, recebe nos braços o corpo descido da cruz e deposita Jesus no sepulcro. O grupo cresceu, novos conventos foram abertos e a Ordem ultrapassou as fronteiras italianas, espalhando-se por toda a Europa e, a partir do século XIX, pelas Américas. Chegou primeiro aos Estados Unidos, em 1852, depois ao Canadá (1912), e em 1914 à América Latina, estabelecendo sua primeira missão na Argentina. Os Servos de Maria chegaram ao Brasil em 1919, num período em que o clero incentivava a vinda de religiosos europeus para suprir a carência de dioceses no país.
Centenas de ordens e congregações, masculinas e femininas, lançaram-se nessa empreitada, inclusive assumindo a missão nos pontos mais longínquos. Os servitas instalaram-se inicialmente no Acre, onde desenvolveram importante trabalho de evangelização, e depois foram abrindo outros conventos, multiplicando suas obras no campo religioso, educacional e assistencial. No país também atuam quatro das mais de 20 congregações femininas que assumiram os ensinamentos de Santa Juliana Falconieri, considerada a fundadora do ramo feminino da Ordem dos Servos de Maria - as Servas de Maria Reparadoras, Servas de Maria de Galeazza, Servas de Maria de Ravena e Servas de Maria do Brasil.
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