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ANO 8 - ED 90 - ABRIL DE 2007
O CONTEXTO MAIS AMPLO DA ACUPUNTURA
por RAFAEL FINATTI

A natureza e seus ciclos podem ser entendidos através de cinco movimentos específicos: a Madeira, que representa a flexibilidade e a evolução da primavera; o Fogo, calor do verão, fundamental aos frutos e à vida que nasce da Terra; o Metal (outono), que é quando as coisas começam a esfriar e a se condensar; e a Água, fria como o inverno. Isso faz parte da idéia das oposições, do Yin e do Yang, que envolve também os órgãos do nosso corpo, em que o interno se comunica com o externo e vice-versa através de canais, meridianos que exteriorizam o fluxo de energia na superfície do corpo. Tudo, no fim, é Qì: energia, em maior ou menor intensidade.
Se você pouco assimilou o que foi escrito até aqui, não se preocupe; existem pessoas (aproximadamente 50 novos alunos, a cada ano) que vão à faculdade só para entender e se aprofundar nisso - nas terapias orientais. São os alunos de Naturoterapia, curso superior criado há três anos pela Faculdades Integradas Espírita. "Um curso novo da área de saúde", diz o professor Pedro Marques. Apesar de mais rápido (dura três anos), não se trata de uma pós-graduação. "O aluno sai como Naturoterapeuta habilitado a utilizar as técnicas orientais", explica ele.

Professor Pedro Marques, ministra
aulas de Nutroerapia nas
Faculdades Integradas Espírita
Ao ouvir falar de medicina oriental, muitas pessoas logo remetem seus pensamentos àquela técnica em que a pessoa fica deitada e lhe são pungidas diversas agulhas em seu corpo - a acupuntura. Pedro Marques trata de desmistificar isso. "Há um contexto maior da acupuntura. As abordagens que usam só agulha são ocidentais, raciocínios simplificados que fogem um pouco da idéia mais ampla da medicina chinesa".
É por isso que há cursos de especialização, de geralmente dois anos, restritos ao ensino da acupuntura. O curso de Naturoterapia oferecido pelas Faculdades Espírita, porém, abrange as técnicas orientais e também a parte de anatomia e fisiologia ocidental. "A teoria chinesa mais antiga é mais energética, que se contrapõe à abordagem científica moderna. Você pode utilizar só uma ou só outra. Mas tem que conhecer as duas", diz o professor. "O perfil do aluno é daquele que se adequa ao método científico ocidental e tem facilidade para se abrir à visão oriental, mais holística do mundo".

Luci Aquemi Hayashi Machado,
49 anos, é estudante da primeira
turma de Nutroterapia, forma-se
no final do ano e já planeja
abrir uma clínica
Além da pesquisa, os alunos têm a oportunidade de praticar seus conhecimentos: no último ano do curso, eles atendem no ambulatório da Faculdade. É o caso da estudante Luci Aquemi Hayashi Machado, 49 anos, que é da primeira turma de Naturoterapia (forma-se no final deste ano) e que já planeja abrir uma clínica: "Eu me encantei pela acupuntura e pelas terapias orientais. Estou adorando o curso. Mudou bastante minha vida, minha maneira de enxergar", diz ela.
Acupuntura
Quem também se encantou pela acupuntura foi o fisioterapeuta Luiz Ernesto Juvenal, que começou a estudar a técnica chinesa em 2001 por causa do contato que tinha com os seus próprios pacientes. "Percebi que para os que se submetiam à acupuntura, fora da clínica, a melhora da dor parecia uma coisa mais rápida e significativa, o que me ajudava muito aqui na reabilitação ortopédica deles", conta Juvenal.

Luiz Ernesto Juvenal, fisioterapeuta
que começou a estudar a técnica chinesa
em 2001 por causa do contato que
tinha com seus próprios pacientes
Apesar de a tradição chinesa utilizar a acupuntura como prevenção, a Organização Mundial de Saúde reconhece a eficácia da terapia para 40 patologias ocidentais. O princípio ocidental básico da acupuntura é o da neuro-modulação, a capacidade que o neurônio tem de responder a comandos e através disso fazer com que o organismo procure o meio-termo. O ocidente está se preocupando em saber como é que a acupuntura funciona para formatar uma base fisiológica. "Funciona porque eu estou atingindo uma terminação nervosa livre que vai levar via aferente esse estímulo para o cérebro e o cérebro vai mandar uma contra-ordem para o organismo que, através da liberação de determinadas substâncias, volta a encontrar o ponto de homeostase, de equilíbrio", resume o fisioterapeuta.
Para tanto, o profissional deve estar preparado. "A acupuntura tem riscos quando mal-feita, se não se sabe se a agulha tem que entrar perpendicular, ou oblíqua, perto de qual vaso, de qual nervo", revela Juvenal. Por isso, é o próprio acupunturista quem deve inserir e retirar as agulhas de alumínio. As sessões duram uma hora e não devem ser feitas mais de duas vezes por semana, nem aplicadas a hipertensos ou a gestantes que estejam nos primeiros três meses de gravidez. Pessoas que tenham ingerido álcool não devem fazer, assim como aquelas que comeram muito, já que isso acelera o metabolismo e prejudica, de acordo com Juvenal, "o processo químico natural que todos nós deveríamos ter desde que não fossemos pessoas estressadas, ansiosas, nos alimentássemos e dormíssemos mal".
Assim, cada vez mais gente tem procurado o tratamento com acupuntura - inclusive atletas. O preço médio de uma sessão é de 100 reais, mas poderia ser mais acessível caso os planos de saúde liberassem a acupuntura para outros profissionais especialistas na terapia, que não só os médicos. "A acupuntura que o médico aprende é a mesma que nós aprendemos", reflete o fisioterapeuta Luiz Ernesto.
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