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Alvaro Milanez, Design pela Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ, mestrado em Informational Design pela Leicester Polytechnic da Grã-Bretanha, formado em Filosofia e Teologia (até o 2º ano de teologia completo). Coordena grupos de teologia, de espiritualidade, prega retiros e pesquisa os temas de ciência, tecnologia, filosofia política e espiritualidade.
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AS CIDADES Alvaro Milanez “Nosso mundo corre o risco de explodir ou implodir. Precisamos mudar. Não sabemos para onde estamos indo, mas uma coisa é certa: se a humanidade pretende ter um futuro reconhecível, ele não pode ser uma simples continuação do passado ou do presente.” “As cidades se multiplicam em uma escala nunca antes vista. Tornamo-nos um fardo para o nosso planeta. Os recursos começam a escassear e, brevemente, a natureza não terá mais condições de satisfazer nossas necessidades.” “Agora que podemos fazer qualquer coisa, o que faremos?”
A população das cidades representa hoje cerca de 50% dos seres humanos vivos. Projeções indicam que,
por volta de 2025, 75% da população do planeta
viverá em cidades. As cidades com mais de 5 milhões de habitantes, hoje localizadas predominantemente em países ricos, estarão em 2025, em sua maioria, localizadas em países pobres ou emergentes. Que serão precisamente os países mais afetados pelas conseqüências do aquecimento global, escassez de água, falta de emprego e, principalmente, menor geração de riqueza e recursos, indispensáveis para a implementação de soluções de médio / longo prazo que exigem também planejamento, probidade e eficiência administrativa, além de uma população consciente e motivada. A sociedade do futuro, na visão de Peter Drucker, apresentará uma pirâmide demográfica radicalmente diferente daquela verificada nas últimas décadas. O que implica número muito maior de pessoas acima de 50 / 60 anos de idade e a crescente redução na taxa da natalidade. Enfim, um mundo no qual cerca de 10% da população proverá a mão-de-obra necessária para manter o planeta em funcionamento. Isso significa níveis mais altos de desemprego e subemprego, assim como seus efeitos colaterais: maior uso de drogas e, junto com elas, taxas de criminalidade e violência mais altas nas cidades. Como transformar essas máquinas extraordinárias, com suas dimensões ciclópicas e seus complexos, assim como perigosos mecanismos de funcionamento? Seriam elas de fato máquinas ou poderíamos concebê-las como organismos vivos e ambientalmente sustentáveis? As cidades podem de fato ser reinventadas? Já passamos e superamos inúmeras crises. O que nossa época tem de peculiar é um leque bem menor de “saídas de emergência” e mudanças acontecendo a uma velocidade vertiginosa. Contudo acostumamo-nos com as cidades, precisamos delas e tudo indica que não voltaremos mais para o campo. Teóricos como Manuel Castells, ideólogo da Sociedade da Informação, defendem a idéia de que as concentrações urbanas - onde se trocam bens, conhecimento e idéias, sinergia indispensável para a elaboração de novos empreendimentos e novas soluções - são fundamentais para o florescimento e a aceleração da inventividade e da criatividade humanas. Esse modelo urbano inventado há mais de 7.000 anos, o locus onde a civilização humana foi modelada, onde o conhecimento e a arte evoluíram, e inimagináveis avanços tecnológicos nos foram concebidos e implementados tem, contudo, um lado sombrio e assustador. No Brasil, mais de 30% da população vive em favelas em cidades como Rio de Janeiro e Salvador, só para citar duas. Os assim chamados “assentamentos informais” na África e na Índia (em Nairobi e Mumbai, por exemplo) contam com um contingente de mais de um milhão de pessoas vivendo em condições sub-humanas. Em trinta anos prevê-se que cerca de um bilhão de pessoas no mundo inteiro viverão em favelas, sem acesso a água corrente, eletricidade, saneamento básico e com poucas esperanças de melhora. Richard Rogers, o grande arquiteto e urbanista inglês - nascido em Florença e admirador de Brunelleschi, arquiteto renascentista - juntamente com Jaime Lerner e muitos outros, integram um movimento ou uma tendência crescente nos rumos do urbanismo contemporâneo: o planejamento urbano sustentável ou “eco-urbanismo”. É um paradoxo, afirma Rogers, que o habitat da humanidade - nossas cidades - seja o maior destruidor de nosso ecossistema global e a maior ameaça para a sobrevivência dos seres humanos na Terra. Buscamos de tal forma uma melhoria de nossa qualidade de vida que acabamos tornando-nos uma ameaça para as bases naturais e biológicas de nossa própria vida e de outras vidas. Novos conceitos de planejamento urbano devem prever a integração das responsabilidades sociais, na medida em que a sociedade se polariza e aumentam a pobreza e a alienação, alerta Rogers. As cidades cresceram e se transformaram de tal maneira que é difícil não apenas administrá-las, mas até mesmo justificar a existência delas. Precisamos, com urgência - governos, empresas, organizações, comunidades e indivíduos - adquirir nova mentalidade, novos hábitos de produção e consumo de bens, de transporte e de lazer. Edmund Phelps, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2006, põe uma ênfase muito grande nos valores culturais e na mentalidade seja de indivíduos, comunidades, seja de governos. ![]() ![]() ![]() ![]()
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