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ANO 8 - ED 96 - OUTUBRO DE 2007

ALUNOS DE TEOLOGIA PRESTAM
SERVIÇO AO SUS DE COLOMBO

reportagem de Rafael Riva Finatti


A parceria da FEPAR com o Projeto Acolher, de Colombo:
4 horas semanais de atendimento e apoio espiritual. Foto: Divulgação.

Em geral, quem ouve falar de teologia remete o trabalho do teólogo ao mero papel de estudioso, um “estudioso de Deus”. Como não é possível estudar diretamente um objeto que não se vê nem se pode tocar, a teologia, esse importante ramo da ciência filosófica, estuda Deus a partir de sua revelação, no caso do Cristianismo, isto se dá a partir da revelação de Deus registrada na Bíblia.

Contudo, o teólogo não é apenas um estudioso; sua ação consiste no entendimento dos processos educativos teológicos, a fim de percebê-los na formação integral das pessoas e em saber interpretar a Palavra de Deus, mas principalmente, aplicá-la visando o exercício da vocação humana e cristã para o serviço e o cuidado mútuo, de forma livre e nas dimensões pessoal e comunitária. Assim, o profissional de teologia acaba tendo sua atuação preferencial em ambientes educacionais, além, é claro, dos eclesiais: igrejas, capelanias e institutos religiosos.

O Curso de Teologia da Faculdade Evangélica do Paraná (FEPAR) está buscando extrapolar um pouco esses campos de trabalho. Tendo como propósito uma formação com relevância na ética, na educação, na sociedade e também na saúde integral (já que a FEPAR é uma das referências do ensino superior nos cursos da saúde), o Curso de Teologia, criado em 2001, tem procurado estar atento às transformações e aos novos desafios do mundo contemporâneo.

Tendo em vista esse cunho prático, e diante de estratégias, políticas e propostas na área da saúde que visam à ação não só curativa, como também preventiva e de promoção da saúde das pessoas, passou-se a considerar a possibilidade de uma inserção do teólogo nessa área, com contribuições que viessem somar esforços com os de outros profissionais. Afinal, o ser humano deve ser considerado integralmente em seus diferentes aspectos: “bio-sócio-psico-eco-cultural-espiritual”.


O coordenador do curso, Jean Seletti: sonho de ampliar
a visibilidade do trabalho dos teólogos. Foto: Rafael Riva Finatti

Apoio espiritual no SUS A prefeitura municipal de Colombo, através da Secretaria Municipal de Saúde, desenvolve o “Projeto Acolher”, que visa implantar as políticas de Humanização e de Práticas Integrativas e Comple-mentares no SUS, ambas do Ministério da Saúde. A idéia é oferecer terapia (através do Do-In, uma técnica de massagem), atenção à saúde mental e também apoio espiritual. É aí que entra o curso de Teologia da FEPAR.

Contando com a experiência prática de seu coordenador, o Pastor Jean Seletti, que é teólogo e mestre em bioética e conselheiro do ICFÉ, um grupo de seis alunos do curso, junto com a professora Flávia Roldão, empenhou-se em preparar um projeto que atendesse a essa demanda da Secretaria Municipal de Saúde de Colombo, a fim de estabelecer uma parceria. O convite partiu da própria prefeitura do município, por intermédio de dois ex-alunos de medicina da FEPAR que trabalharam no Projeto Acolher.

A preparação durou quase dois meses. Desde o fim do último mês de junho, tornou-se realidade. “Eles vão toda a quarta-feira à tarde, em duas unidades de Colombo (Maía e Caic). Desenvolvem trabalho de observação e depois trabalho específico. Só de estar lá e interagir com outros profissionais e com as pessoas, ouvindo, já é importante”, afirma Seletti, que atua como supervisor do projeto. “Há momentos de poder contar histórias, de até fazer uma oração, mas sempre respeitando a religiosidade das pessoas, sempre dando apoio”, explica.

Segundo o coordenador, a parceria com a prefeitura de Colombo faz parte do plano metodológico do Curso de Teologia da FEPAR, que prevê estágio obrigatório para os alunos que já fizeram as disciplinas básicas, inclusive as relacionadas à saúde. Por isso, apesar de alguma experiência, os alunos não têm autonomia nem competência para lidar com questões severas: “Eles passam em torno de 4 horas lá na unidade, justamente o que eles precisam por semana para cumprir a carga horária do estágio, que acontece entre o 3º e o 6º período do Curso”. A atividade não é remunerada, mas a Secretaria de Saúde de Colombo colabora com o transporte. No final do período, a idéia é que os alunos apresentem um relatório para a professora responsável, e também, posteriormente, para a própria prefeitura de Colombo.

Práticas com esta, na área da saúde, são um diferencial do Curso de Teologia da Evangélica. A graduação na FEPAR dá a possibilidade de o estudante (ou a estudante) ser pastor ou missionário, de estudar ou de se colocar a serviço, numa idéia de multi-funcionalidade. “Não é sair a campo para falar de determinada religião, mas ser um agente de transformação da sociedade a partir do lugar que está inserido”, resume o Pastor Seletti. “Temos o sonho de que isso possa dar certo e de que a gente tenha a possibilidade de dar visibilidade para o trabalho do teólogo”, conta ele. “Às vezes as pessoas vêm aos postos de saúde e querem apenas conversar, incluir-se, e o teólogo pode fazer isso tranqüilamente”.

Essa ajuda dos teólogos vem sendo reconhecida. Segundo Seletti, já houve contato com a Câmara de Curitiba, para estabelecer na Capital um projeto semelhante ao de Colombo. Entretanto, ao menos para Seletti, isso é assunto só para daqui a alguns anos: “Não temos perna, ainda, para abraçar um projeto desses em Curitiba. No entanto, isso não é nosso. Abrimos a possibilidade, mas a idéia é que outros também possam usufruir. Afinal, nós não descobrimos a teologia”.

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