
CÍCERO
DE ANDRADE URBAN,
Médico Oncologista e Mastologista
Professor Titular das Disciplinas de Metodologia Científica e Bioética
no UnicenP.
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ANO 9 - ED 98 - DEZEMBRO DE 2007
PAPAI NOEL OU PRESÉPIO?
SERÁ QUE A SOCIEDADE SECULAR PERDEU O SENTIDO DO QUE É O NATAL?
É possível amar as realidades terrenas
e acreditar que ainda existe um lugar para a verdadeira esperança
em um sentido último
para a nossa existência? A própria Igreja reconhece não
ter alcançado a plena compreensão dos mistérios
que celebra. Mas olha para com esperança o futuro, que vai muito
além das expectativas humanas limitadas. Tanto é que
ela vem transmitindo através dos séculos a experiência
do Cristo, mesmo sendo ela incapaz de exprimi-lo completamente, tamanha é a
sua grandeza.
Entre o terreno do pensamento humano livre e secular dominante (mas
não suficientemente religioso) e o terreno da vida cristã (intensamente
religioso e nem sempre humano), pode existir uma linha convergência?
Acredito que sim. Amar ao próximo não é prerrogativa
dos cristãos. Em um mundo ideal onde reinasse a justiça
talvez também a caridade não fosse mais necessária,
pois a cada um seria dado o que lhe é devido.
Assim, celebrar
o Natal em um mundo secular e globalizado pode ter como significado
fundamental compartilhar de um momento único onde podemos sonhar
com a paz, o amor e a justiça entre os homens.
Assim, não concordo que o shopping-center seja como querem alguns,
a moderna catedral. O grande templo do consumo e do individualismo,
que tem materializado na figura do Papai-Noel o seu pastor. Mas sim,
apenas aquilo que ele se propõe a ser, nada mais do que um local
seguro para compras. E o Papai Noel um símbolo que nos remete
a nossa infância, quando acreditávamos verdadeiramente
que a vida era um grande jardim e nossos pais nos protegeriam de todo
o mal. O Natal certamente é bem mais do que isto e acho que
a maioria das pessoas concorda com a sua transcendência e espiritualidade.
Vivi um ano intenso em 2007. Enfrentei as batalhas mais difíceis
de minha vida: uma doença grave que poderia ter me levado precocemente
e, alguns meses depois, a perda de minha mãe. Teria motivos
suficientes para perder a fé, atrás da cortina da falta
de respostas concretas para o sofrimento e a dor humana. Mas, a verdade
não se impõe, senão pela força da própria
verdade. Olho para minha filha e não consigo deixar de acreditar
em Deus.
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