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EVARISTO EDUARDO DE MIRANDA, doutor em ecologia, autor do livro “Guia de curiosidades católicas”, recém editado pela Ed. Vozes e diretor do Instituto Ciência e Fé. Dirige a EMBRAPA Monitoramento Ambiental por Satélite, Campinas/SP.


ANO 9 - ED 98 - DEZEMBRO DE 2007

NA ORIGEM UMA CRIANÇA

Por que os adultos, dos sábios magos aos simples pastores, vão curvar-se diante de uma criança em Betlehém? Porque a explicação do nosso verdadeiro destino está em nossa origem. Adélia Prado, em uma de suas poesias, pede a Deus a cura de ser adulta. “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...” Como ela, todos podem ouvir e viver esse desejo profundo, tão explícito no período de Natal: acriançar nossos gestos e palavras, acriançar a vida e voltar à origem. Todos podem fazer essa oração: “Deus cura-me de ser grande!”.

Fazer como os peixes que nadam contra a correnteza dos rios durante a piracema. Eles voltam para trás, buscam as águas cristalinas do nascimento, da geração, do princípio da vida. A vida adulta lhes ensinou o caminho rumo ao mar, rio abaixo... Foram ficando cegos de tanto ver passar paisagens, portos, pessoas, aventuras e desventuras. Um dia, para viver verdadeiramente, eles sabem que é necessário voltar às origens, ao princípio, ao começo, aos arquétipos. No princípio, na origem, in arké, está o Verbo.

A sabedoria na idade adulta - e ainda mais na velhice -, consiste em abrir de novo os olhos, abandonar a cegueira da experiência e retornar às origens, aos horizontes da infância. Ao ponto de partida. A criança adormecida dentro de nós pode acordar e nos despertar. E o fará com sua inteligência leve e suave, e não pesada ou racional como a dos adultos. A criança em nós é um chamado de elevação, alegria e ascensão.

A idéia de um Deus adulto, velho, cansado, e até rabugento, desaparece diante do Deus menino. Diante do Menino Jesus na manjedoura, os adultos calam-se e encontram-se com o Silêncio. Na hora da morte, quando tudo silenciará, um Deus menino, sorrindo, nos acolherá. Nos tomará pelas mãos e nos convidará ao seu reinado de brincadeiras e sonhos. Esse paraíso já começa agora, neste tempo de Advento, no Sopro do Ad-Vento, Ad-Ruach, como nas palavras do profeta “... e uma criança pequena os guiará” (Is 11).

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