
PE. RICARDO HOEPERS, é pároco da
Igreja São Francisco de Paula, em Curitiba e conselheiro do
Instituto Ciência e Fé.
|

ANO 9 - ED 98 - DEZEMBRO DE 2007
NATAL É DEFESA DA VIDA
O nosso Natal começa mais cedo, não no
nascimento, mas desde a concepção (Mt 1, 18). Digo isto
porque não
celebramos uma data (25 de dezembro), mas sim um mistério: a
encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pelo Espírito
Santo, cremos que Maria concebeu, pois o anjo anunciou que o Altíssimo
a cobriria com sua sombra (Lc 1, 35). A sombra de Deus significa a
proteção, o amparo, o cuidado, o amor que gerou a Vida
Divina no seio da Virgem e agora a cobre com a força que vem
do alto.
A sombra só é possível por causa da luz que resplandece
(Jo 1, 4). Sem a luz ela não existiria, pois a sombra sempre
reflete a existência de algo que a luz atingiu. A sombra é um
presente, é um alento, é uma dádiva para os que
caminham à luz do dia. As palavras do Anjo confirmam o amor
de Deus desde o momento da concepção, que, na encarnação
de seu Filho, quis precisar da natureza humana. Dignificou com isso
a existência de toda humanidade. Toda concepção
foi restaurada com a encarnação do Verbo que se fez carne
e habitou entre nós (Jo1,14).
Maria demonstra fé na revelação que lhe foi dada
pelo anjo e corre ao encontro de sua prima Isabel para levar alento
e apoio para aquela que também precisa repousar na sombra do
amor criador de Deus. Partiu para cuidar do nascituro que por ser concebido
por uma mãe em idade avançada precisava de mais cuidados.
Tratava-se sem dúvida de uma gravidez de risco. Essa proteção,
guiada pela fé da Virgem Maria, a fez partir e viajar por um
longo caminho. Ao se encontrarem Isabel impressiona-se com a alegria
do filho em seu ventre pulando ao receber a “Mãe do Senhor”,
como a chamou Isabel (Lc 1, 41-45). “Minha alma exulta de alegria” (Lc
1, 46) é a resposta da Virgem que disse sim ao plano de Deus
e estava disposta a dar sua própria vida pelo Filho que crescia
em seu ventre. Ambas estavam iluminadas pela luz de Deus e protegidas
pela sombra do Senhor.
Hoje este encanto do Natal faz-nos recordar tamanha beleza e convida
a todos a meditar as belíssimas imagens que nos inspira: a família
de Nazaré, Maria grávida, José a seu lado, uma
manjedoura, um nascimento, uma criança, uma aliança...
Não é só uma recordação; é verdadeiramente
uma celebração da defesa da vida que nos faz pensar sobre
a dignidade de todo ser humano desde a concepção no ventre
materno.
Porém vemos também a escuridão de Herodes (Jo
1, 5), pronto a matar todas as crianças nascidas que pudessem
colocar seu reino em perigo. Seu trono estava prestes a ganhar um concorrente.
O poder corrompe todos e tudo a ponto de relativizar a própria
vida. Nada tem importância maior de que os próprios interesses
daquele que pensa só em si mesmo. É a cultura da morte
que invade nossos lares; a cultura de Herodes permanece viva em nossa
sociedade, capaz de matar inocentes, de desprezar os embriões,
de legalizar e justificar a morte de inocentes.
No Natal vemos dois cenários: Maria, que representa todos os
homens e mulheres que dizem sim à vida, e Herodes, que representa
todos os homens e mulheres que dizem não à vida. Por
isso, celebrar o Natal é defender a vida, pois foi pelo mistério
da concepção virginal no seio de Maria que Deus se fez
homem e habitou entre nós (Mt 1, 22-23).
Queremos neste Natal
reconhecer a dignidade do embrião e de todo o processo que define
nosso desenvolvimento no ventre materno: processo sagrado e inalienável,
caminho que o próprio Deus escolheu para habitar em nosso meio;
portanto caminho de salvação, enfim, caminho de encontro
com o Emanuel, o Deus conosco.
< retorna ao
sumário |

|